Hoje é um Bom Dia


Escrever resenhas cinematográficas de filmes ruins é mais ou menos como pular de cabeça do topo de um prédio de 58 andares – não precisa ser um ciêntista da computação como o Graf pra saber que não vai ser coisa boa. No entanto, tenho como compromisso assistir filmes horríveis para que vocês não precisem assistir, então aceito minha sina mais ou menos como o Homem Aranha, que tem super poderes mas tem que ficar correndo pra cima e pra baixo (literalmente) pela cidade ajudando bundões.

Acontece que a resenha de hoje exigiu um pouco mais de mim. Na ocasião em que assisti essa bomba pela primeira vez, a presença da namorada (combinada à ausência de suas roupas) disputaram minha atenção com o filme. O impasse durou quase 4 segundos, e ao fim dos quais joguei um sapato na televisão e fiquei com apenas metade do filme em minha mente perturbada. Quase UM MÊS se passou; decidi que apesar de nem ter assistido o filme inteiro, o pouco que vi já daria uma excelente resenha.

Não tive escolha a não ser abrir o Limewire e procurar o vídeo.


Não vou manter nenhum suspense: Resident Evil: Apocalypse é O pior filme que eu já me submeti a assistir. Ever.Particularmente, me surpreendo muito pelo fato de que esse filme foi um grande lançamento hollywoodiano na época. Não há absolutamente nenhum quesito do filme que não possa ser resumido como “abismalmente horrível”. Já vi mais profissionalismo em produções amadoras para feiras de ciências. Tenho plena certeza que um macaco munido de uma câmera digital, um estilingue e um picolé de framboesa (que eu mesmo poderia fornecer) seria capaz de filmar algo pelo menos oitenta vezes melhor que esse filmeco. Ainda estou pensando se perdôo vocês por terem me feito passar pelo suplício de assistir esse filme não apenas uma ou duas vezes, mas ainda baixá-lo pro computador e admitir que o assisti.

Mas como sei que você serão bastante generosos nas esmolas, vou parar de choramingar.


Jill Valentine. É gostosa, então deixa quieto
Paul Anderson decidiu que o público que não se interessou em assistir o primeiro filme era grande o bastante pra justificar um resumo do primeiro filme nos créditos de abertura do segundo. Por isso, Resident Evil: Apocalypse abre com um breve resumo do filme original. Isso foi uma jogada bastante útil praqueles que viram apenas 4 minutos do filme até decidir que bater a cabeça contra a parede pelos próximos 90 minutos seria mais divertido que terminar de assistir o filme.

Eu, por exemplo. Nunca esperei muita coisa de filmes sobre videogames, especialmente se eu nunca gostei do jogo em questão. O primeiro Resident Evil já não inspirava muita confiança, e portanto a única coisa que sei sobre ele é que há zumbis em algum momento no filme. Assim sendo, não assisti.

Enfim. Pelo resuminho de trinta segundos, entendi que no primeiro filme os zumbis passearam por laboratório gigante comendo a geral, claramente sem camisinhas, até que Mila Jovovich chegou chutando bundas com outros personagens secundários descartáveis. A narração é da própria Jovovich, a propósito, que canaliza toda a sensibilidade artística de um absorvente usado lendo o texto da introdução. Então, a Mila chutou muitas bundas zumbis, e finalmente escapou com vida do tal laboratório recheado de mortos-vivos.

Aí beleza, acontece que a super corporação maligna “Umbrela” decide que seria uma boa idéia abrir o laboratório pra entender o que aconteceu lá. Aparentemente o contexto da frase “os zumbis tão lá, fudeu geral” foi muito subjetivo para que eles sacassem a gravidade da situação. Previsivelmente, os caras abrem o laboratório, os zumbis escapam, e a putaria começa (de novo).

Somos então apresentados pra primeira personagem de alguma importância no filme: Jill Valentine, uma agente especial de um grupo chamado “S.T.A.R.S.” – possivelmente o nome mais imbecil pra uma organização de elite. Aliás, Residente Evil está bem servido no departamento de nomes imbecis: Raccoon City, Umbrela, STARS…

Divago.

Jill está em casa quando ouve no seu radinho à pilha que os zumbis estão a solta. Segundos depois ela aparece numa delegacia, mata algumas dúzias de zumbis que estavam ali de bobeira, fala suas linhas de diálogo e vai embora. Essa é basicamente a transcrição exata do que aconteceu de relevante na cena, ou seja, dá pra perceber que ela não teve propósito nenhum a não ser mostrar que a Jill é boa de mira e de pernas.

Aparece então o segundo personagem de certa relevância na trama. Olivera é o esteriotípico mocinho que não respeita regras se isso for necessário para salvar um inocente. Alguém de bom coração. Ou, como eu prefiro interpretar, alguém burro o bastante pra arriscar a própria carreira por alguém que ele sequer conhecer. Aquele tipo de gente tapada que cai em golpes do vigário e outras safadezas similares.

Então. Uma vadia qualquer está sendo perseguida por aproximadamente trinta mil zumbis. Ela é acuada no topo de um prédio, e o Olivera vendo tudo de um helicóptero lá. O mocinho implora ao piloto pra que eles voltem e resgatem a mulé, mas o piloto responde que “não há tempo”. Malditos pilotos contratados por organizações malignas, nunca têm tempo para salvar um inocente!

Olivera se emputece e decide que a força da gravidade não respeitaria a autoridade do piloto, então ele pula do helicóptero pra resgatar a mulezinha. Em queda livre, o cara dá vários tiros a esmos, e obviamente todos matam ao menos duas dúzias de zumbis porque nos filmes os caras são bons de mira mesmo, não precisam nem estar olhando pros alvos.

Mas é tarde demais: a mulé já foi mordida por um zumbi. Ou melhor, acho que essa era a idéia que a cena deveria ter passado, embora a tal mordida parecesse mais uma fatia de mortadela grudada no braço dela. Mas façamos de conta que era uma mordida mesmo.

E como todos sabem, os tratados médicos mais recentes são unânimes em afirmar que ser mordido por um zumbi transforma você AUTOMATICAMENTE em um. Ou seja, se possível, evite.

(A resenha tava ficando muito longa, portanto dividirei em duas partes. Aguardem a continuação!)

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agosto 31, 2005 - Posted by | Uncategorized

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