Hoje é um Bom Dia

Acabei de chegar da segunda “entrevista” de trabalho dessa semana. O motivo das aspas é que as entrevistas que se fazem aqui não têm nada a ver com as entrevistas de trabalho que a gente conhece aí no Brasil. Aí, a entrevista é um parte do processo de seleção, um resultado indesejado da concorrência. Todo mundo quer uma vaga, mas não tem lugar pra todos. Aí o empregador dá umas investigadas a respeito do candidato, pra ver se ele é apto pro serviço.

Aqui, a entrevista não tem nada a ver com isso. Em todas as minhas experiências no mercado de trabalho canadense (O bico do Halloween, o de sorveteiro e até mesmo uma tentativa frustrada na área de telemarketing, um causo inédito que em breve virará post), a entrevista consistia em o meu futuro empregador explicar o que é que eu deveria fazer quando fosse contratado. No fim da explicação – que nunca passava de 10 minutos -, o cara perguntava se eu estava interessado na posição. Ao receber a resposta afirmativa, ele aperta sua mão e diz “ótimo, vejo você na segunda feira às X horas.

E pronto, você está contratado. Simples assim.

Hoje foi a mesma coisa.

No sábado, descobri um site com listagens de empregos aqui na minha cidade. Fucei o site de cabo a rabo, e anotei não menos que 15 telefones. Filtrei as oportunidades, excluindo os empregos que necessitariam da papelada da imigração. Sobraram uns cinco empregos, e liguei pra todos eles. Coloquei os mais interessantes no topo da lista de prioridade, e parti daí. Hoje fui “entrevistado” no Emprego No. 1: colocador de panfletos no Oshawa This Week, o jornaleco da minha cidade.

Colocar panfletos é o emprego mais fácil que eu poderia imaginar. O trabalho resume-se em abrir or jornais, jogar uns panfletos de restaurantes/pizzarias/concessionárias/qualquer tipo de negócio dentro, respirar e em seguida passar pro próximo jornal. Obviamente, você repete esses passos alguns milhares de vezes, mas não pode existir uma tarefa mais fácil de executar. Mole, mole, mole.

Acordei cedinho (o encontro com a supervisora foi desgraçadamente marcado pras sete da manhã) me arrumei rapidamente, engoli qualquer coisa na cozinha, fiz de conta que era um café da manhã e corri pra rua. Subi no #7 Ritson, um ônibus que me leva diretamente à frente do escritório do Oshawa This Week e que convenientemente pára bem na frente do meu prédio. Felizmente tive a idéia de apanhar um livro pra ler no caminho, que durou uns quarenta minutos.

Cheguei no prédio do jornal, e a recepcionista me direcionou ao depósito onde rolaa colocação dos panfletos – que será pomposamente apelidado de “inserção estratégica de marketing” no meu próximo currículo atualizado. Desviei das milhares de caixas de jornal espalhadas pelo chão e encontrei Harsha, uma indiana que é a supervisora do departamento. Em cinco minutos, ela me explicou novamente o que já tinha explicado por telefone – ou seja, que o serviço resumia-se em colocar panfletos no jornal. Havia alguns detalhes, tipo quantos panfletos colocar, e qual panfletos colocar em qual dia, mas nada muito complicado. No fim da breve explicação, ela revelou o salário e perguntou se eu ainda estava interessado. Disse, escondendo a animação, que sim. Ela puxou um papel pra anotar meu telefone e disse que até sexta-feira estaria me ligando pra dizer se eu peguei a vaga ou não.

E enquanto isso, imprimo mais um currículo pra levar pro restaurante aqui pertinho.

Fiquem na torcida aí.

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setembro 27, 2005 - Posted by | Uncategorized

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