Hoje é um Bom Dia


Oh, céus, o que será que tem no Copo Vermelho? Bullshit, that’s what.

Parem de me encher o saco, eu já sei que fui convidado pra tal Festa do Copo Vermelho. Aliás, “convidado” naquela primeira frase deveria estar entre aspas. Ninguém está realmente sendo “convidado” pra porra nenhuma, o buraco é mais embaixo.

Bem que eu gostaria de pagar de falso modesto e postar algo como “Fui convidado a participar de uma festa reunindo a nata dos blogs brasileiros! Nossa, vejam só como eu sou importante e influente!” como boa parte dos convidados inevitavelmente fará, mas eu infelizmente não sou tão crédulo. Além do mais, tendo em vista que moro em um outro hemisfério, eu não poderia comparecer ao tal evento nem que realmente quisesse.

Quando o assunto apareceu numa comunidade do orkut, propagandeado pela Alê Felix (uma blogueira de renome que tem hábito de aparecer uma vez a cada seis meses na tal comunidade apenas pra divulgar algum evento produzido pela turminha que defende com unhas e dentes a importância sociológica de blogs e sonha em um dia transformá-los em veículo de comunicações autêntico, ou convencer o público em geral disso), dei de ombros e me perguntei quando é que essa geração entenderá que pessoas publicam idéias livremente na internet desde, hmm, deixa eu ver, 1995. A revolução que eles pregam já aconteceu a muito tempo.

Se tem um negócio que eu não suporto é a turminha neo-liberal democrática com canudos de Filosofia na parede do banheiro que vivem em prol da campanha “Vamos convencer todo mundo que blogs são a melhor coisa a aparecer na internet desde o formato .GIF”. Metam uma coisa na cabeça, alunos de Jornalismo que estão pensando em citar blogs nas suas monografias – a idéia por trás dos blogs não é nada novo ou sensacional. A internet foi criada justamente pra que qualquer fulaninho pudesse divulgar suas besteiras a qualquer indivíduo que tivesse o azar de clicar sem querer em seu link. O surgimento dos blogs, na verdade, foi uma desgraça.

Voltemos ao longíquo ano de 1997. Não haviam blogs, Weblogger, orkut, HBD, Bruna Surfistinha, enfim, a internet era em geral um lugar um pouco mais sério. Pra publicar uma página na internet, você precisava entender alguma coisa de HTML, criar uma conta no Xoom/Geocities, enviar o index.html pro servidor através do CuteFTP (não sem antes instalar um contadorzinho na página), e convencer seus amigos a clicarem no seu endereço. Os obstáculos quase burocráticos impostos naquela época serviam como filtro de conteúdo do que era posto na internet antigamente. Ninguém ia passar por todo esse trabalho pra explicar como foi seu dia na escola, enquanto nos cega com gifs multicoloridos da HelloKitty. Aqueles eventos pseudo-engraçados que aconteceram numa sala na sua faculdade e que ninguém mais em todo o planeta se interessa em saber permaneceriam lá pra sempre, ao invés de serem jogados na internet. Entendem o que eu quero dizer?

Mais de 90% dos blogs são lixo. Parem de julgar o “fenômeno blogueiro” baseando-se na meia dúzia de blogs que têm conteúdo. Esses são a exceção, e não a regra.

Se antes havia algum tipo de pré-requisito pra que você colocasse suas bobagens na internet, a facilitação escancarou as portas do negócio e deu voz a pessoas que simplesmente não mereciam ser ouvidas. Não é à toa que a grandíssima maioria dos blogs são impressionantemente irrelevantes. Blogs perverteram o negócio. Não que a idéia não fosse boa (facilitar a publicação de textos), o problema é que o resultado simplemente não tinha como ser diferente (menos bloqueios = menos critérios = menor qualidade).

Não obstante, essa cambada modernética (formada em sua maioria por sujeitos em seus trinta e tantos anos de idade que não perdem a chance de fingirem que são mais novos e ainda em sintonia com a “geração jovem”) quer me convencer, e convencer você, de que BLOGS são o futuro da comunicação global, e que qualquer coisa publicada num blog tem autenticidade e valor inegáveis. Ora, vão chupar uma piroca veiosa, parem de levar essa porra a sério e me deixem em paz.

Mas voltemos ao assunto – a tal festinha bloguenta.

Dê uma olhada naquela lista e você verá que o grupo de convidados não é pequeno. A primeira conclusão que você pode tirar disso é que, seja lá quem está planejando esse negócio – um detalhe que a página não explica, guardem este detalhe – está sentado na grana preta. Não é qualquer um que pode dar uma festa pra mais de uma centena de convidados.

Com pouco esforço é fácil concluir que alguma entidade endinheirada, possivelmente dirigida por um Relações Públicas que participa do grupo de retardados que vê blogs como a CNN do novo milênio (por que mais convidariam BLOGUEIROS?), está por trás do negócio.

Mas POR QUE?

Simples.

Sabem a Diageo, a fabricante do Johnny Walker? Então. Segundo o que descobri, a marca está se preparando pra lançar no Brasil o Red Mix, uma mistura do uísque com morango, maracujá, lima e caju. Como um lançamento destes não podia se dar sem uma campanha de marketing poderosa, a empresa se viu obrigada a bolar algum mega esquema pra conquistar a atenção do seu público alvo, ou seja, a galera que procura qualquer oportunidade pra encher a cara de forma que deixaria Boris Yeltsin com vergonha de ser russo. Eu arriscaria supor que esse grupo se trata da molecada entre 18-25 anos da classe média alta.

Ironicamente, esse é (sob análise apressada pelo menos) o mesmo demográfico de escritores de blogs.

A partir daí é fácil concluir o que está acontecendo. A galerinha que vê blogs como uma fonte inesgotável de potencial de mídia decidiu – inteligentemente, eu tenho que admitir – que gastaria menos dinheiro fazendo com que blogueiros divulgassem a marca pra eles, do que eles gastariam fazendo uma campanha de marketing em larga escala.

“E como fazer os blogueiros divulgar o negócio?”

Simples. Façam-nos pensar que são importantes a ponto de serem convidados pra uma festa por uma organização que eles sequer sabem qual é, o que inevitavelmente resultará em centenas de posts divulgando o convite orgulhosamente, como se fosse algum tipo de mérito habitar a mesma lista de convidados que o Edu, o Marco Aurélio ou o Kibeloco. Cada um desses blogueiros deve ter um público de no mínimo 500 visitantes (estou usando como base o blog mais ralé da lista e supondo que qualquer outro citado no convite tenha potencial superior), e mais de 150 blogueiros foram “convidados”, ou “recrutados pra divulgar a parada de graça como otários, ao menos tempo que se sufocam com o próprio ego achando que são muitíssimo importantes”. Imagina quantas pessoas serão atingidas pelo marketing de guerrilha.

Ponto pra você, Manson. Mas eu preferia quando você enganava os outros de forma engraçada. Mas não o culpo, cê tem que pagar tuas contas de alguma forma.

Tenho que dar o braço a torcer – a idéia é engenhosa e tem potencial pra se tornar manchete no exterior, como outros engodos do Manson. Até mesmo, eu que não participaria da festa nem que pudesse, acabei de divulgar a tal Festa do Copo Vermelho.

Culpado em pelo menos uma das acusações, acho. Bom, ao menos eu não estou me iludindo com ilusões de grandeza.

Aos imbecis se gabando pros amigos que foram “selecionados” pra participar da festa – acordem, vocês estão sendo usados.

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maio 12, 2006 - Posted by | Uncategorized

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