Hoje é um Bom Dia

Já faz mais ou menos umas três semanas que estou morando com minha adorável namorada, e como eu imaginava a convivência frequente trouxe bastante mudanças no nosso relacionamento. Como mencionei anteriormente, estar debaixo do mesmo teto por hiperbolicamente 24 horas por dia trouxe deveres e liberdades, como por exemplo o dever de abdicar cada centímetro quadrado do cobertor, o dever de perdoar ocasionais cotoveladas quando ela se mexe demais enquanto dorme, e basicamente o dever de ter que admitir culpa em literalmente qualquer briga que acontecer entre nós dois de hoje até o dia em que o sol virar uma supernova e a radiação da combustão de hidrogênio consuma totalmente a atmosfera do nosso planeta, o que tornará discussões extremamente curtas porque ninguém consegue simultaneamente prender o fôlego e exigir que o assento da privada seja devolvido à posição original pré-urinada. Pera, eu tinha mencionado liberdades, né? Além da liberdade de não apenas emitir gases na presença da namorada mas também encontrar valor cômico nesta atividade, não há muito que você possa fazer agora que já não podia antes.

Uma outra diferença bastante expressiva é o surgimento mais claro de limites. E assim como as funções matemáticas de mesmo nome que estudei na faculdade, os tais limites estão me dando uma surra e eu gostaria de pessoalmente assassinar a pessoa responsável pela sua criação. Isso é, eu desejava isso antes de descobrir que funções limites foram um presente de Isaac Newton para a humanidade. O veiaco foi também o inventor da gravidade, uma “teoria” que provocou a perda de um dente meu quando eu tinha a tenra idade de três anos de idade. A questão é que o cara bateu as botas há dois milhões de anos, (o que me impossibilita de extrair devida vingança) mas não sem antes simultaneamente revolucionar a ciência moderna E infernizar minha vida.

Taquepariu, como é que eu começo um texto falando sobre vida em casal e no segundo parágrafo estou dissertando sobre meu desejo de matar Isaac Newton? Minha professora de redação teria um chilique atômico, mas por outro lado eu já me vinguei dela passando pra não apenas um mas DOIS vestibulares que exigiam redações e usando vírgulas de forma indiscriminada sempre que escrevo qualquer coisa. Basicamente fiz tudo ao contrário do que ela sempre me ensinou e não apenas me vi vitorioso em dois testes de seleção pro ensino superior, como me sagrei um blogueiro de sucesso comparável apenas a um ex-participante de dois Big Brothers atrás e ainda por cima achei vinte e cinco centavos ontem no chão quando estava voltando pra casa do trabalho. “Fugir do tema” meus ovos, sua desgraçada.

Voltando pros limites, é o seguinte – quando o casal mora junto, existe um misto de “o que é meu é seu, amor” com “pera lá, essa porra aqui é minha caralho, não é porque tá no ‘seu’ quarto que você pode meter a mão sem me pedir seu filho duma puta, você não era assim quando começamos a namorar. Larga meu braço! Largue meu braço senão eu vou gritar! Puxa o gatilho se tu for homem!”. Naturalmente, esses conceitos conflitantes aparecem com frequência e é necessário um equilíbrio entre os dois. Quando é uma boa hora pra manter a individualidade e fazer questão de certas posses, e quando é mais importante manter a harmonia do casal e abrir mão de certas coisas? Bom, se você souber, deixe sua mensagem nos comentários, porque eu adoraria lê-la.

Normalmente estou muito ocupado jogando videogame ou batucando grandes sucessos de Ray Coniff na mesa da cozinha com duas canetas da Unimed que apareceram aqui em casa misteriosamente, e esses problemas ficam em segundo ou terceiro ou oitavo plano. Mas de vez em quando me vejo diante desse dilema, preso em uma situação da qual não posso escapar. Muito similar a quando Han Solo estava preso em Carbonite, mas não há nenhuma Leia pra me libertar. E eu acredito que meus amigos seriam mais inteligentes ao invés de bolar um plano que basicamente se limitava a “mandar um Jedi sem seu sabre de luz pra PEDIR POR FAVOR que Jabba libertasse seu prisioneiro”. Que diabos, George Lucas?

E ontem esse dilema me encarou nos olhos mais uma vez.

Achei ontem uma barra de chocolate na dispensa. Uma marca que minha família não costuma consumir. A marca favorita da minha namorada.

O chocolate realmente pertencia à garota, que me anunciou orgulhosa a respeito da compra dele assim como costuma festivamente me informar sobre miríade de eventos insignificantes, como por exemplo comentários detalhados sobre o tipo de brinco que uma amiga de trabalho estava usando na tarde anterior ou coisas do gênero.

A barra de chocolate me encarava, tentadora, praticamente me desafiando. “Me coma se tu for homem! Ou vai ficar com medinho da namorada chilicar?” E meu estômago, que estava do lado dela, não custou a vencer meu senso de honestidade e justiça. Apanhei-a e trouxe aqui pra baixo.


Repousei a barra de chocolate ao lado do mouse e comecei a pesar que tipo de repercussão o meu crime causaria. Eu já estava até vendo – a namorada chegaria em casa cansada do trabalho, espalharia seus pertences da melhor maneira que pudesse cobrir cada centímetro quadrado do nosso quarto, e após decidir que havia enfeitado-o de maneira consistente com a aparência que nosso quarto geralmente toma após sua chegada em casa, ela se dirigiria à dispensa pra pegar sua guloseima.


Ela não encontraria sua barra de chocolate. Confusa, ela checaria atrás do saco de arroz ou da caixa de sucrilhos. Nada. Ela empurraria os sacos de macarrão pra fora do caminho, examinaria o cantinho das caixas de gelatina, até desenvolver a teoria de que o chocolate teria deslizado pela grade de metal que faz a vez de prateleira na dispensa. Tal teoria seria desmanchada quando ela verificasse que a prateleira inferior trazia nada além de latas de café em pó, sacos de pão com validade duvidosa e alguns pacotinhos de orégano.

E ela perceberia consternada que seu chocolate foi roubado.


A identidade do meliante não poderia ser mais fácil de descobrir. Meus pais não costumam comer chocolate muito menos roubado. Trunks nasceu com um profundo senso de respeito pela propriedade alheia, então ele seria também riscado da lista de suspeitos. E tem o Kevin, coitado.


Seu delicado organismo de um ano de idade certamente não conseguiria lidar com a digestão do chocolate e ele provavelmetne explodiria numa chuva de diarréia caso ele consumisse o doce da namorada.

Não adiantaria nem mentir. Em menos de dez segundos ela saberia que eu peguei o Oh Henry dela.


com a guloseima já quase pela metade (a outra metade encontrava-se manchando minha barba, camiseta e nariz), começo a bolar um plano de escape. Dizer que não sabia que o chocolate era dela seria um apelo imediatamente desconsiderado, uma vez que Oh Henry é a marca de chocolate favorito dela. Alegar desconhecer esse fato apenas me complicaria mais – que diabo de namorado de três anos sou eu se não sei sequer identificar a sobremesa favorita da minha mulher**?


Tentar se declarar inocente por ignorância não seria uma saída viável. Não, eu precisaria enfrentar a parada de frente se quisesse não dormir no sofá do porão nas próximas noites. Pensei em aplicar a famosíssima VIRADA DE JOGO. Você sabe, a dobradinha “dribar a culpa e depositá-la sobre o acusador“. Eu já tava até pensando na minha defesa – algo nas linhas de “porra, eu sempre compro bobagens saborosas pra você, e no dia que quro comer um chocolate seu, é essa confusão toda?”

É aquela clássica tática que as mulheres dominam com maestria, mas que é quase alienígena aos machos. Eu juro pra você, às vezes estou diante de uma situação em que eu tenho quase 89% de certeza que eu estou do lado certo. Antes que eu possa explicar pra ela o cálculo que me leva a tanta confiança a respeito da minha inocência na situação, ela injeta uma retórica extremamente bizarra no dialógo e EU ACABO TENDO QUE PEDIR DESCULPA POR ALGO QUE ELA FEZ. Incrivelmente, os poucos homens que tentam apelar pra filosófica virada de mesa acabam invariavelmente sendo taxados de brutos ou arrogantes e têm como destino o sofá do porão, que é justamente o local que eu estava tentando evitar to begin with.

Não, não haveria forma de esquivar-se da punição. O advogado em minha mente jogou as mãos pro alto, jogou o paletó às costas com a mão enquanto acenava com a outra, me abandonando na situação. Então, um estalo – e se eu confortasse a namorada me comprometendo a ressarcir o dano? Um Oh Henry custa não muito mais que um dólar canadense, um valor com o qual até mesmo alguém que não trabalhava a dois meses pode arcar. Vasculhei a carteira e as almofadas do temido sofá do porão, sem sucesso – a importância de um dólar canadense era tão intangível no momento que poderia mesmo até ser um milhão de francos suíços. E nem fodendo que eu vou me submeter à indignidade de até o mercadinho da esquina debitar um chocolate de um dólar no meu cartão. Bom, antes isso que dormir num sofá de dois lugares no porão.

E isso é a minha síntese sobre a vida de casal – você precisa comprar chocolates pra namorada pra garantir que poderá dormir na sua própria cama.

* Levem em consideração que este texto foi escrito por um ex-estudante federal de Bacharelado em Física. Ou seja, sim, eu sei que a gravidade não foi “inventada” por Newton, muito obrigado pelos milhões de comentários que eu sei que vou receber por causa disso.

** “Mulher” no sentido meramente casual, não legal. Ainda não há uma aliança neste dedo que vos digita, não se empolguem.

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fevereiro 24, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Aê seus merda blz kra? Saca só – meu ouvido tá FODIDAÇO.

Já faz algum tempo que eu noto uma leve sensação de entupimento, se essa palavra existir, no meu ouvidinho esquerdo. Normalmente é apenas um leve incômodo que adiciona BASS do lado esquerdo da minha cabeça nas musiquinhas que eu ouço, mas vez ou outra meu ouvido chilica e se recusa a trabalhar.

E hoje é um desses dias. Estava animadamente ouvindo uma musiquinha no fone de ouvido e notei uma leve coceirinha no ouvido. Tanto meti o dedo na orelha pra sanar o incômodo que devo ter socado trinta quilos de sebos lá pra dentro, tornando meu ouvido virtualmente inútil. Isso acontece praticamente todo mês (coceira seguida de estupro auricular, resultando em surdez quase completa no ouvido esquerdo). Como só agora me tornei imigrante landed, não pude ir ao médico ainda – atendimento médico pra não-imigrantes na Gringolândia custa o olho da cara -, e por isso a situação se repete com frequência levemente preocupante.

Segundo conhecidos que já passaram por aflição semelhante, a solução é uma bendita pistolinha de água que, manuseada pelo médico ou enfermeira ou alguma outra pessoa que tenha cursado quatro anos do curso que permite utilizar pistolinhas dágua, dispara poderosos jatos dentro da sua orelha, destruindo a parede de cera que se formou na frente do seu tímpano. Estou plenamente convencido que, se água poderia resolver esse problema, um palito de dentes não ficaria atrás. Mas por algum motivo minha namorada vetou a minha tentativa de cirurgia caseira, vá entender essas mulheres.

Como meu cartãozim de saúde ainda não chegou (a propósito, minha foto nele sairá ridiculíssima, vocês precisam ver. Meu cabelo tava totalmente desgringolado no dia que tirei a foto, tá parecendo aquelas fotos de mendigos que vão presos e aparecem no Smoking Gun), tenho que me contentar com paliativos.


Setar o volume dos fones de ouvido quase que totalmente pro lado do ouvido surdo dá um equilíbrio na audição, embora eu esteja de fato tapeando minhas orelhas a pensarem que tudo está legal.

Mas enfim. Contei pra vocês que tou trabalhando? Contarei depois.

fevereiro 17, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

A mais recente demonstração de imbecilidade coletiva do circo de horrores que é o orkut vem cortesia do usuário Bombadão do FHBD, provavelmente em união e harmonia com a Coalizão Vamos Tornar a Vida Online do Kid um Inferno (uma patotinha de 5 ou 6 ou talvez 7 usuários que eu bani do FHBD nos últimos meses que dedicaram suas existências a promover ataques semanais contra minha pessoa).

O Brasil inteiro conhece o drama vivido pela família do pobre João Hélio, mais uma vítima indefesa da violência que domina e assusta o nosso povo. Tive até vergonha de explicar a história pra minha namorada, e literalmente senti arrepios na espinha de imaginar a espécie de sofrimento que o moleque (pra não mencionar a família do mesmo) deve ter passado. Imagino que qualquer pessoa com um pulso sanguíneo reaja da mesma forma ao ter notícia do que aconteceu.

Obviamente fazer palhaçadinha com esse tipo de tragédia não constrange os meus inimigos invisíveis. Afinal de conta, que mal há em gracejar a respeito da morte de uma criança se existe a potencial recompensa de me incomodar um pouco?


Se você tem algum resquício de senso crítico e já ouviu falar em edição de imagem, é bastante óbvio que a figura acima representa a equação ociosidade + ódio contra o Kid + MSPaint = LOLz. O problema é que uma das faculdades mentais importantes na decifragem da imagem acima (especificamente, intelecto superior àquele encontrado numa colônia de bactérias) é algo fora do alcance do Usuário do Orkut. E graças a isso, este que vos fala mais uma vez se tornou o rosto pra se odiar na internet.


E isso foi tudo que bastou pra que meu scrap fosse atacado impiedosamente por gente muito caridosa e humanitária que se comove tanto com a tragédia do garoto João Hélio, mas que não pensa duas vezes antes de decidir que eu e minha família (que não tem nada a ver com o que eu supostamente fiz) morra de forma similar ou trinta vezes pior, talvez envolvendo ursos e serras elétricas.


Até onde apurei, a screenshot editada foi postada em pelo menos oito comunidades diferentes. Nisso eu tenho que dar o braço a torcer pros meus antagonistas, os caras têm muito mais força de vontade e perseverança que eu. Por exemplo, estou empacado no chefão da quarta missão em Killzone Liberation e não o consigo matar nem fodendo, e por causa disso joguei meu PSP na parede ontem.

Até o fechamento deste post recebi dois emails, uns três comentários, duas adições no MSN e incontáveis scraps, todos portando o ódio de quem acredita que aquela imagem porcamente editada no Paint (por alguém que não se deu ao trabalho sequer de usar o tamanho de fonte apropriado) é verídica. Ráquers malignos estão tentando adivinhar minha senha no MSN e no orkut. Os que dominam menos o meio eletrônico se resumem a denunciar meu perfil pra gerência do orkut, o que no campo da realidade é análogo a enviar uma carta do Papai Noel pedindo um Saci Pererê de presente de Natal.

Acho que vale até agradecer aos arquitetos do trote, porque o fato de que eles tomaram o cuidado de preparar uma montagem que apenas um retardado acreditaria ser verdadeira atesta volumes sobre a inteligência dos revoltados. Eu não precisava nem ter falado tanto, basta olhar pra imagem e concluir que qualquer pessoa que não consiga enxergar o óbvio não merece sequer ter acesso à interent.

Esse é o mesmo orkut que mídia e judiciário brasileiros andam levando tanto a sério nos últimos meses? São processos iniciados por esse tipo de gente, contra crimes hediodos como “expressar opinião negativa contra alguém”, que não páram de ganhar manchetes de rodapé em jornais online?

Brasil, você é uma puta duma vergonha mesmo. Daqui em diante me declararei Nicaraguense.

fevereiro 13, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Durante os últimos três anos, leitores do HBD, do meu blog secreto, usuários do FHBD e amigos próximos estiveram cientes que eu e minha família estivemos à espera de um longo processo de imigração. Por três anos tivemos que correr atrás de papeladas que o consulado pedia, autenticar documentos, mandar pro Brasil, receber de volta, mandar pra Ottawa (capital do país), contratar advogado, enfim, foi um saco. Isso pra não mencionar todo o dinheiro gasto com a coisa. Meu pai gastou aproximadamente 10 mil dólares ao todo com esse processo, e isso porque a empresa dele pagou a advogada (advogados de imigraçao cobram por volta de 150 dólares por hora pra trabalhar nesse tipo de caso).

A minha situação foi particularmente especial porque eu cai numa brecha perigosa do sistema – fizemos a aplicação quando eu tinha 20 anos, mas eu completei 22 antes do processo ser finalizado. 22 é a idade de corte pra inclusão no processo de dependente, ou seja: eu corria o risco de ser eliminado do processo do meu pai e ter que começar TUDO DE NOVO, do zero, com um novo processo. Minha ansiedade em relação a esse assunto me custou muuuitas noites mal dormidas.

Hoje, recebemos um envelope no correio. Quando vi o carimbo do consulado canadense em São Paulo, o órgão que estava administrando nosso processo, meu coração disparou tão furiosamente que me senti imediatamente cansado, como se tivesse corrido duas maratonas em seguida.

Abrimos o envelope.


Um a um os passaportes foram retirados do envelope e abertos na página do visto. Cada um deles apontava nossa nova classe de residente – IM-1, código pra “permanente residente”. Aliás, não é exatamente um código porque tem escrito “Immigrant” claramente bem do lado. Pra quem não entende as nuances da burocracia imigracional, até então eu e minha família tínhamos vistos de estudantes (com exceção do meu pai, que obviamente é o único com visto de trabalho). Com a finalização do processo, os vistos de todos foram mudados de estudantes/trabalho pra Residente Permanente. E com o novo status vêm uma porrada de novos direitos

No momento que desci aqui pro quarto pra digitar este post, meus pais ainda estavam chorando lá em cima. Eu não consigo nem acreditar que esse suspense de três anos finalmente acabou. Eu sempre soube que um dia teríamos esse papel em mãos (ou nem tanto, já que havia a chance do processo ser negado. Especialmente no meu caso), mas nada poderia ter me preparado pro sentimento de saber que a longa espera chegou ao fim.

fevereiro 12, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Os nerds hardcore como eu, do tipo que passa tardes inteiras pesquisando artigos sobre videogames na Wikipédia gringa (a wiki em português, sendo a merda elitista e mal gerenciada que é, dificilmente terá um bom artigo sobre qualquer coisa de relevância gamer), deve saber que os geeks dos dias atuais devem MUITO à Nintendo. Em 1983, o mercado de videogames passou por momentos de grandes apuros, não muito diferente de um rapaz que, durante um encontro romântico com sua amada, percebe subitamente que cagou-se nas calças.

Havia muitos consoles diferentes no mercado nos anos oitenta (conte aí: Atari 2600, Atari 5200, Bally Astrocade, Colecovision, Coleco Gemini, Emerson Arcadia 2001, Fairchild Channel F System II, Magnavox Odyssey2, Mattel Intellivision), o que confundia a cabeça do consumidor comum (“porra, meu videocassete da marca X funcionará pra todo o sempre, e toca qualquer tipo de fitas. Por que demônios então lançam um console diferente a cada 15 minutos, cada um com suas mídias e jogos exclusivos?”). Como em todo mercado novo e ainda não devidamente explorado – sem contar o fator “concorrência brutalmente numerosa” -, muitas empresas entraram no mercado sem camisinha até os bagos, e queriam lançar produtos o mais rápido possível, e talvez até mesmo impossivelmente através de métodos de viagem no tempo que os permitissem lançar jogos antes que os programadores dos consoles rivais nascessem. Minha mãe já dizia que a pressa é inimiga da perfeição (estou tirando a expressão do seu contexto devido*, mas enfim), e a indústria gamística dos early 80s aprenderam essa lição de forma dolorosa**. Muitos jogos eram lançados sem nenhum tipo de quality control. O ET do Atari 2600 era tão notoriamente ruim que muitos analistas o apontam como o culpado da destruição da Atari. Também pudera, o jogo foi programado em CINCO SEMANAS e não passou por nenhum tipo de testes de público nem nada do tipo. Nego praticamente empurrou o jogo pra linha de fabricação assim que verificaram com 80% de certeza que o o cartucho não faria o console explodir imediatamente após ser ligado.


Lembra no filme quando o ET parecia um feto com duas semanas de desenvolvimento e estava sendo perseguido por um guarda florestal entre dois algarismos romanos? Nem eu.
Atari pagou algo em torno de trinta quadribilhões de dólares pra Warner pelos direitos da franquia E.T. pra produzir um jogo baseado no filme, e o fez da forma mais porca e desastrada possível pra empurrar o jogo pras lojas a tempo que alguém ainda desse a mínima pra obra prima do Spielberg. O resultado foi essa porcaria que você vê na imagem acima – um jogo absolutamente abismal que levou a empresa à ruína e que quase matou o meu hobby favorito.

O que dizer então da versão do Atari de PacMan? Mais uma vez, a mentalidade prematura da empresa videogamística apresentou um produto asqueroso pro público.

Nos anos oitenta, PacMan era praticamente um fenômeno cultural. Nos EUA, os arcades do jogo eram uma espécie de buraco negro que sugava uma multitude de moedas que estivessem nos bolsos de qualquer adolescente passando nas redondezas. Com o advento dos consoles, a idéia de trazer grandes sucessos dos arcades parecia uma idéia que não tinha jamais como dar errado. E a Atari resolveu trazer PacMan pro seu console, apostando alto no sucesso e na fanbase que o jogo já tinha ao redor do mundo. E neguim foi às lojas tendo em mente este jogo…


…e, ao ligar seus consoles em casa, deu de cara com isso:


Eu nunca tive um Atari. No entanto, meu tio tinha um, que ele comprou primariamente por causa dos sobrinhos, e eu tive o DESPRIVILÉGIO de perder aproximadamente 10 minutos da minha vida jogando esta belezura aí. Na verdade eu joguei a parada por uns 30 segundos; o resto do tempo foi dedicado a imaginar o que passava pela cabeça dos programadores da Atari quando eles resolveram que o jogo estava no ponto de ser lançado. Eles realmente achavam que a gente não notaria a diferença…?

Então, por essas e outras houve o grande crash de 1983. Empresas foram vendidas, desfeitas, foram à falência, os consoles se tornaram esquecidos e muitos passaram a ver o passa-tempo da videogamagem como uma modinha passageira, assim como Pogoballs, Pense Bems, calças boca-de-sino e dobrar a pontinha da página pra marcar o “lugar” no livro.

E a Nintendo apareceu, pondo todas as fichas no passatempo praticamente morto e lançando o seu FAMICOM, ou FAMILY COMPUTER, melhor conhecido no mundo Ocidental como o fabuloso, sensacional, delicioso e impressionante NINTENDO ENTERTAINMENT SYSTEM, ou NES praqueles mais chegados a siglas. Muitos deveriam ter pensado “ah, de novo essa porra de joguim que liga na TV e o caralho?” até ver Super Mario Brothers ou Legend of Zelda ou Punch Out ou Metroid ou Metal Gear pela primeira vez. E a indústria de games floresceu novamente no que os especialistas no assunto*** como a Segunda Era dos videogames.

Blá blá blá, o Nintendinho foi o artefato místico que permitiu a minha formação como nerd aficcionado por entretenimento eletrônico, o culpado pelo atraso da perda da minha virgindade em pelo menos quatro anos, aquilo que moldou a pessoa que sou hoje. Estou neste exato momento usando uma camiseta com estampa que faz alusão à Nintendo (aquela que já postei aqui uma vez), então vocês sabem que o negócio foi pra valer.


Mas PUTA QUE VOS PARIRAM, o que diabos eles estavam pensando quando modelaram esse controle? Eles estavam almejando ganhar o Prêmio Nobel de Design Menos Ergonômico do Século? O controle do Nintendinho só não era mais desconfortável que um tijolo porque era mais leve.

*Pra que esperar meia hora pra que um bolo esfrie se você pode arrancar nacos ainda quentinhos e enfiar na boca sem nem pensar duas vezes? Se isso não vale o sacrifício de uma sofrida dor de barriga, nada mais vale.

**Eu também. Mas um bolo de chocolate quentinho, conforme supracitado, valia a pena.

***Apenas super nerds podem honestamente se considerar “especialistas no assunto”.

fevereiro 8, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Seguinte molecadinha.

Ultimamente eu tive bastante relapso, admito. Tanto que nem contei pra vocês como tem sido a adaptação na nova cidade e coisa e tal. Culpo parcialmente o meu Xbox 360 – mais especificamente, Gears of War -, que tem roubado todo meu tempo livre. E tá legal, eu tou tendo tempo livre PRA CARALHO, mas é filhadaputamente difícil se concentrar em produzir textos quando você tem um jogo desses ao alcance.

Mas então. Estou em Calgary, uma das maiores (ou a maior; tou com preguiça de checar na wikipedia) cidades da província, há mais ou menos dois meses já. Nesse tempo já conheci uma boa parte da cidade, me encontrei com usuários de fóruns gringos que eu frequento, e já fiz até alguns amigos brasileiros aqui no bairro. Semana passada a minha namorada finalmente chegou na cidade, tornando minha extensa coleção de mais de 40gb de pornografia virtualmente inútil. Agora tou com espaço de sobra pra instalar aqueles jogos que eu sempre queria.

Sobre a cidade? Bom, é um lugar infinitamente melhor de se morar do que a cidade anterior, Oshawa. Calgary tem mais de um cinema, um shopping (ou melhor, vários) com mais de dois andares e o centro da cidade não se resume a uma avenida e quatro prédios de cinco andares, o que é uma mudança deveras agradável. O tamanho da cidade me obrigou a dominar o sistema de transporte público, que é bem eficiente e porra, quem não gosta de andar de trem? A temperatura média ainda é bastante baixa, mas já já o inverno passa e a gente poderá aproveitar melhor as opções que a cidade oferece. Não que eu esteja passando esse tempo todo enfurnado dentro de casa; nessa semana que a namorada esteve aqui sai pra cinco bares, assisti dois filminhos (mas eram bons – Blood Diamond e Smokin’ Aces*), ou seja, nada de resenha) e minha conta bancária fechou em baixa de 70 dólares. como ainda estou VAGABUNDANDO ALOPRADAMENTE, ou seja, sem nenhuma renda, nos próximos dias ficarei em casa mesmo, economizando meus últimos dinheiros pra quando Settlers DS finalmente sair.

Falando em economizar dinheiro e outras coisas sérias de relevância similar, esta última semana de “vida de casado” me deu muitos insights. Eu e a Patroa mal começamos a dividir uma cama, e um monte de coisa já começou a mudar. Por exemplo, minha antiga incapacidade de peidar nos arredores da namorada desapareceu por completo, e foi substituída por uma muito mais alegre satisfação em arrancar da amada uma careta de desgosto e asco. Se antes eu chegava ao ponto de sofrar de desconfortos estomacais por me auto-impedir de peidar num raio de 10 quarteirões de distância da namorada (um mal que era intensificado em períodos em que a convivência aumentava, como uma viagem juntos), me surpreendi na outra noite pensando em formas de expelir gases de forma mais eficiente. Andei até mesmo arriscando a arte do dutch oven, que consiste em atacar o parceiro de surpresa peidando embaixo de um cobertor e em seguida puxando-o por cima da cabeça do(a) infeliz, capturando-o em uma atmosfera de odor anal. Descobri que dutch oven é um esporte sem contra indicações que pode até mesmo aumentar o romance e o mistério entre o casal. A namorada, que já aliviava seus gases perto de mim mas de forma bem mais discreta e reservada, está bastante feliz com a nova liberdade de peidar indiscriminadamente no que antes seria considerado um momento “inoportuno”, como quando estou jogando videogame ou durante o café da manhã. O diálogo “você peidou?!”, “eu não”, “ah, então fui eu mesmo” é um dos maiores prazeres que um casal pode experimentar juntos, perdendo apenas pra jogar Strip Virtua Fighter.

Estar 24 horas por dia a menos de 10 metros de distância um do outro me deu muitas outras liberdades. Por exemplo, agora posso sentar na frente do computador e ler trivias do IMDB, resenhas de jogos ou tirinhas do PBF por horas a fio sem me sentir como se eu estivesse negligenciando a companheira. Afinal de contas, porra, eu estou com ela O TEMPO TODO. Não existe mais tempo a se perder, e o que outrora seriam momentos em que passamos longe um do outro, estão sendo agora substituídos por atividades individuais como mastigar as unhas do dedão do pé (eu), ou ligar pra irmã chorando a respeito do hábito de mastigar unhas do dedão do pé (ela).


A namorada, andando como um pinguim na calçada congelada na frente de casa. Não me pergunte por que.
Montei um bloguezinho pra patroa postar fotos, vídeos e gifs animados como este acima, pra que os familiares e amigos lá na roça possam se inteirar sobre o que a loirinha anda fazendo por estas bandas. Me sinto tentado a pôr o endereço aqui, até porque preciso de alguém mais experiente em design do que eu pra criar um layout melhor praquela parada, mas acho que já chega de tanto expôr minha vida pessoal na interwebs. Orkut, blog, fórum e Flickr bastam.

E eu me sinto muito infeliz por ter meio que perdido o ânimo pra escrever. Postar diariamente no blog foi uma parte da minha vida por anos a fio, e por mais que eu tenha outras atividades mais prazerosas pra me ocupar no momento (como assistir a namorada lavando calcinhas ou arrumar a colcha da cama após ela pedir pra que eu arrume a colcha da cama trinta vezes enquanto eu apenas dizia “já vai, amor” mas continuava com os olhos grudados na TV ou computador até que ela abrisse o berreiro e ameaçasse jogar suco de laranja no meu Xbox 360), eu realmente sinto falta de postar no HBD. E eu comentei com a namorada sobre isso, aliás. Inclusive, este texto vem até você cortesia da minha canadense, que vigiava minha atividade no computador e me dava um puxão de orelha sempre que eu minimizava o notepad pra ver algum vídeo engraçado no YouTube envolvendo alguém caindo de bicicleta dentro de uma piscina ou talvez um garoto alemão berrando em frustração diante de um computador.

*Um dos personagens se chama Israel. Recomendo o filme.

fevereiro 5, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Só mais um reposte, e volto à rotina tradicional de escrever posts novos.


Uma das grandes vantagens de sair do Nordeste pra ir morar no exterior – além do acesso à tecnologia barata que permite um retirante cearense exibir uma televisão de 50″ de alta definição em sua sala, apreciar épocas do ano em que as temperaturas não fazem os líquidos no seu globo ocular ferver e a quantidade consideravelmente inferior de calangos espreitando embaixo da pia do banheiro – é ser exposto à mundialmente notória e surepreendentemente divertida estupidez gringa.

Já mencionei a célebre burrice norte-americana centenas de bilhões de vezes apenas na semana passada aqui no HBD, mas quase sempre eu me referia à burrice no sentido acadêmico. Felizmente, a estupidez destes branquelos não se limita a ignorância relativa a conhecimentos gerais escolares. Eu já fui alvo de perguntas geniais e nem um pouco imbecis como “Existem hamburguers no Brasil?”, “Você já tinha visto um carro de controle remoto antes de sair do seu país?” ou até mesmo “Vocês têm macacos de estimação, ou geralmente se contentam com uma ou duas jibóias?”.

E sinto uma dor no coração quando algum amigo canadense me faz uma pergunta dessas com o maior olhar de inocência no rosto. Tento vasculhar o semblante do sujeito por traços de arrogância ou até mesmo sarcasmo, já que essas características são geralmente encontradas em piadas mal-intenciondas, mas pra minha (antiga) surpresa, a molecada realmente achava que o Brasil ficava na Europa e que nosso presidente era também capitão da seleção nacional de futebol. As perguntas eram genuinas, por mais incrível que parecesse.

E por isso eu me sentia super mal em destruir suas fantasias de um Brasil retrógrado e absolutamente fodido (bom, MAIS retrógrado e MAIS absolutamente fodido, de qualquer forma). Como explicar pra um canadense que sim, nós temos TVs no Brasil, ou que não, não moramos em casas feitas com papelão e barro? Você conseguiria admitir pra um gringo que você fala inglês fluente e que nao precisa que ele fale separando sílabas ou berrando dentro do seu ouvido? É praticamente como admitir pro seu filho de 8 anos que Papai Noel foi preso na véspera do Natal por acusações de pedofilia – pode até ser verdade, mas todo mundo ficará mais feliz se seu mundinho de fantasia for mantido graças a uma mentirinha de bom coração.

E foi pensando no bem estar dos meus amigos caucasianos que durante esses quase três anos em que eles me emprestaram seu Canadá para que eu possa chamar de lar, eu teci amáveis lorotas sobre nossa Pátria amada salve salve. Esses factóides tiveram bastante uso, e eu carregava uns três ou quatro nos bolsos praquele inevitável momento em que alguém do grupo vira pra um fulano qualquer e fala “Ah, é? Isso não é nada, olha o Izzy aqui, ele é brasileiro!”

Apreciem com moderação e usem com discriçao.

1) A moeda oficial brasileira é o olho de baiacu, de preferência fresco. A moeda antiga, pequenos pacotes de papelao contendo aproximadamente cinquenta gramas de arroz, foi abolida na Revolução Popular de 1997, que pôs no poder o primeiro presidente que não alcançou o cargo através do uso de Magia Negra.

2) Não, não temos televisores no Brasil. As tecnologias necessárias para a construção do aparelho (como as substâncias adesivas que fixam decalques plásticos que dizem “Panasonic” ao painel da TV) ainda não existem no nosso país, infelizmente. No entanto, temos macacos que desenham figuras festivas nas nossas paredes quando deixamos as janelas abertas por muito tempo. Modelos mais avançados desses símios conseguem desenhar quase três frames por minuto, o que dá uma breve ilusão de movimento caso você tenha esquecido de tomar seus medicamentos neste dia em particular.

3) Antes da chegada da Internet (e por extensão, Google, Wikipédia e derivados) ao solo brasileiro no mês passado, tínhamos um funcionário do governo que ia à praça na frente da igreja nos sábados para distribuir cópias em preto e branco de uma Playboy de 1976 e responder breves dúvidas sobre geografia.

4) A versão brasileira do que os países civilizados chamam de “processo jurídico” resume-se a ir à casa do seu oponente armado de talismãs e ramos de arruda e invocar entidades sobrenaturais que se encarregarão de causar diarréia initerrupta no seu desafeto até que ele concorde em devolver os 500 olhos de baiacu que ele pegou emprestado mês passado, e com “pegar emprestado” eu quero realmente dizer “tirou da sua sacola após entrar na sua casa por meio de um trator pela parede”.)

5) Nossos principais produtos de exportação são açúcar, futebol, carnaval e Doença de Chagas – uma assustadora moléstia tropical que faz seu coração explodir. Os métodos de prevenção mais populares incluem a) não morar no Brasil, b) mudar-se do país o mais rápido possível.

6) Produtos usados antes do advento da pasta de dente em 1998 incluem manteiga caseira, água sanitária e, mais frequentemente, nada.

7) O maior atentado terrorista em solo nacional aconteceu em julho de 2003, e o alvo foi o prédio do Ministério de Telecomunicaçoes em Buenos Aires. Um sujeito identificado como “seu José da Esquina” invadiu o casebre onde se localiza o Ministério e destruiu todos os tambores, impossibilitando comunicações com o vilarejo vizinho por quase trinta minutos até decidir-se que ir até lá andando com a mensagem em mãos era menos demorado que a tradução das batidas dos tambores. José foi preso e flagrante e em seguida recebeu uma condecoração do Presidente pelos seu papel no avanço da telecomunicaçoes.

8) A temperatura mais baixa registrada no país em seus quatro anos de uso do Sistema Inrernacional foi 35 graus Celsius. O frio era tão perceptível que boa parte da população usou camisetas nesse dia. Partidas de futebol foram interrompidas e escolas de samba mandaram os alunos pra casa mais cedo. No dia seguinte, uma onda de calor extremo matou 30% da população brasileira. O número é apenas uma aproximação; a contabilização do número exato de vítimas se tornou difícil uma vez que boa parte dos corpos entrou em calefação ao cair no asfalto quente. O filho do presidente havia emprestado a Calculadora Nacional pra um amigo da escola, o que dificultou ainda mais a contagem.

9) Em 1999, projetos sociais orquestrados por Sílvio Santos (um milionário que comprou o Brasil de Portugal na década de 70) geraram uma onda de melhorias atingiu o Brasil como uma bola de pé esquerdo no cantinho do gol: o salário mínimo foi elevado ao equivalente a 4 dólares por mês; “chutar cachorros nos domingos”, um costume nacional centenário, deixou de ser uma prática socialmente aceitável; o país importou quatro novas ambulâncias, o que não apenas elevou a frota nacional a quatro ambulâncias, mas também mudou o Brasil do segundo pro quinto lugar na lista de países com pior sistema de saúde no planeta.

10) A inserção de tijolos no útero, o método anticoncepcional recomendado pelo governo até pouco tempo, foi recentemente abolido. Postos de saúde agora distribuem grampeadores e ampolas com álcool.

11) O primeiro censo nacional (realizado pouco tempo após a adoção do sistema decimal em 1989) revelou que os sonhos de consumo dos brasileiros incluem fogões, meio quilo de cimento, e àgua filtrada.

12) O processo eleitoral brasileiro não envolve votações populares. Ao invés disso, os candidatos devem passar por uma bateria de testes físicos que envolvem levantamento de vacas, aragem com obstáculos, e recitar a tabuada do 7 de trás pra frente. Os finalistas então vão em debate público (que será tamborilado para todos os vilarejos próximos) em que cada candidato tentará, com suas próprias palavras, convencer os habitantes da aldeia que ele é de fato filho do deus Sol e que portanto deverá governar. O debate deverá durar oito dias; ao fim deles, o candidato que ainda quiser o cargo e/ou ainda estiver falando no palanque será coroado como Rei do Brasil. Caso todos os candidatos se matem na inevitável briga de foices que costuma acontecer nos primeiros dois minutos do debate, o espectador mais parecido com o último candidato a morrer é coroado.

13) O sistema penal brasileiro é considerado por especialistas mundias como o mais avançado da América Latina. Tomem isso como exemplo – no mês passado um notório molestador de crianças foi sentenciado à pior pena dada a esse tipo de crime na Constituição Brasileira – 30 chicotadas em praça pública. Em países menos desenvolvidos como a Argentina, a pena teria sido no máximo 15 chicotadas.

fevereiro 3, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário