Hoje é um Bom Dia

Woohoo! Graças a uma deliciosa dor de garganta epidêmica que assola a minha região, combinada a um desgaste estomacal provocado pela ingestão diária de aproximadamente trinta quilos de batatas fritas, ganhei dois dias de folga no trabalho. E usarei este tempo livre para debater assuntos de extrema relevância aqui no seu, no meu, no NOSSO HBD.

E que assunto mais fresquinho e relevante que Cho Seung-Hui, também conhecido como o Coreano atirador maluco suicida que matou trinta e duas pessoas anteontem em Virginia Tech (trinta e três se você considerar a morte dele próprio)?

(Foi anteontem? Nem lembro)

Até o momento em que minha enfermidade dominou meu organismo e forçou meu estômago a expelir seus conteúdos na parede mais próxima – o que resultou no meu chefe me mandando de volta pra casa -, Cho Seung-Hui era o assunto na pauta diária dos funcionários do respeitável restaurante fast food onde eu ganho minha bufunfa. Ninguém fritava nenhuma batata ou preparava saladas ou virava hamburgers sem antes dar sua opinião especialista de profissional em coisa alguma sobre o caso. Quem melhor pra dar profundos diagnósticos sobre alguém que eles sequer conheciam que um rapaz de 17 anos que mora a milhares de quilômetros de onde a tragédia aconteceu e que não tem nenhuma conexão com o caso e/ou habilidade intelectual pra reconhecer sua inaptidão pra esse tipo de comentário?

Apesar de ser um leigo absoluto nas ciências que explicam o que motivam pessoas a levarem armas para centros de ensino e abrirem fogo contra desconhecidos, tenho minhas próprias conclusões sobre o caso. Uma de minhas brilhantes conclusões veio após uma rápida análise da contagem de corpos no massacre – um atirador, com uma única arma (uma Glock 9mm, que nem totalmente automática é), acertou mais de quarenta alvos, letalmente fodendo trinta e duas pessoas. E não estamos falando de qualquer tipo de alvos, estes alvos tinham PERNAS. Você tem idéia de como é difícil acertar alvos móveis?

Vamos por as coisas em perspectiva. Aqui em casa temos um alvo móvel que responde por Kevin.


Após o terrível atentado de Onze de Setembro, Kevin Nobre relegou sua antiga paixão por viagens aéreas e viaja por meio de carrinhos de compras
Kevin começou a ensaiar seus primeiros passos apenas recentemente, mas com as mãos no chão o moleque passa zunindo pelo carpete. Não raramente eu tentei fraguea-lo com minha HK MP-5 airsoft, que é totalmente automática, e minha taxa de sucesso foi inferior a -40%. Alguns podem argumentar que isso se tratou graças à minha madrasta, que ao ver minha arminha apontada contra o pivete, iniciou uma contra-ofensiva arremessando panelas e outros utensílios de cozinha em minha direção. Mas meu ponto continua inalterado – acertar alvos móveis é difícil pra caralho, mesmo que você tenha arminhas de plástico transparente que atiram bolinhas amarelas numa velocidade aproximada à da luz.

Ainda assim, esse maluco conseguiu acertar esse número invejável de alvos que estavam muito provavelmente correndo por toda a região, erguendo os braços ao ar como bonecos infláveis de postos de gasolina, berrando e hipoteticamente até mesmo defecando em si mesmos. Pra comparar, os moleques de Columbáine eram dois, cada um com duas armas, e eles mataram o que? Um pouco acima de dez vítimas infelizes. Matematicamente falando, o coreano desempenhou um serviço doze vezes melhor! E não ousem corrigir meu cálculo porque eu tenho fé em Deus que ele está certo (o cálculo, não Deus. Deus erra pra caralho. Por que seres humanos peidam? Por que homens têm mamilos? Respondam essa, mórmons!).

E isso me fez pensar – se eu tivesse esse tipo de talento, eu pensaria duas vezes antes de me matar. Porra, as Olimpíadas estão a apenas dois anos de distância! Com um pouquinho de determinação e um pouco menos de tendências psicopatas, esse moleque poderia se classificar pra categoria de tiro olímpico. Se você realmente está tão cansado de respirar, por que não ao menos faz um último esforço por você mesmo, deixa uma marca? Ganhe uma medalha de ouro em Pequim (que aliás é pertim da casa do maluco) primeiro, e depois vá estourar cabeças na faculdade mais próxima.

E como sempre, vão culpar meus adoráveis videoguêimes pela tragédia. SEMPRE que uma merda dessas acontece, paz não será alcançada até que a culpa da tragédia seja colocada em um artefato inanimado sem qualquer tipo de ligação direta com o evento, pra que todos possam limpar a poeira das mãos e dar o mistério como solucionado.

Os corpos nem tinham caído no chão ainda quando Jack Thompson, o famoso advogado anti-games que alega que tudo desde o Holocausto até a concepção do filme Ultraviolet é culpa de videogames, começou a tecer seu discurso padrão. Muitos engolem essa papagaiada, mas aí quando pressionados por coisas bobas e irrelevantes como a falta de qualquer evidência científica que corrobore essa crença, o discurso muda de “GTA É UM SIMULADOR DE ASSASSINATOS” pra “bom, esses assassinos eram pessoas com graves problemas psicológicos e acesso a armas de fogo, o que as tornavam pré-dispostas a matar um grande número de pessoas com precisão militar e sangue frio digno de vilões de revistas em quadrinhos da Marvel, talvez até o Galactus, MAS SE NÃO FOSSE GTA ISSO NÃO TERIA JAMAIS ACONTECIDO“. O que é análogo a dizer que as asas de um avião o tornam pré-disposto a voar, mas se não fosse os amendoins que eles carregam a bordo, o avião seria incapaz de voar. Jogos violentos e amendoins são irrelevantes, e não os causadores ou possibilitadores da coisa. Felizmente esse tipo de opinião retardada não é a regra.

Anúncios

abril 18, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Rapidinhas
– Passei os últimos cinco dias jogando Guitar Hero 2 em praticamente todos os momentos livres que minha atarefada agenda tem permitido. Após mais de dez anos usando computadores com frequência superior à de atividades de asseios pessoal e ter sobrevivido uma puderdade frustada pela combinação de falta de garotas dispostas a dar pra mim + um poster gigante das Spice Girls atrás da porta do meu quarto, eu finalmente entendo o que Lesão por Esforço Repetitivo significa. Guitar Hero 2 e o controle em forma de guitarra têm causado mais danos aos meus pulsos do que cinquenta posters da Ginger Spice de calcinha poderiam ter causado. E eu ainda não consigo tirar 5 estrelas em Sweet Child of Mine no Hard. Sefudê.

– Parece que a Harmonix e a RedOctane (os fazedores da série Guitar Hero) já estão disponibilizando músicas extras pro Guitar Hero 2 na Xbox Live. Acontece que gamer brasileiro acha um ABSURDO ter que realmente desembolsar dinheiro pra arcar com custos de entretenimento, o clima em blogs e fóruns gamísticos internet a fora é de puro ódio e desprezo pela estratégia da empresa. Onde já se viu uma compania cobrar por um conteúdo adicional que prolonga a vida de um jogo?! Onde esse mundo vai parar?!

– Idem com Gears of War. A Epic prometeu no começo que todo o conteúdo adicional de GoW seria gratuito, mas a Microsoft pelo jeito estava cruzando os dedos atrás das costas na hora e resolveu dar pra trás. Os novos mapas serão quatro e dificilmente custarão mais de dez dólares, mas pedir que um gamer brasileiro abra mão da mesadinha que a mamãe deu semana passada em troca de mais diversão é o equivalente a solicitar que um judeu esfaqueie a própria mãe no olho com uma faca em forma de uma suástica enquanto mastiga um pedaço de bacon e rasga uma nota de cinquenta reais. De repente parece que todo virgem de quinze anos que posta no UOL Jogos ou na OuterSpace descobriu que a indústria videogamística é uma indústria como qualquer outra e está na jogada pelos lucros! Como assim, empresas investem milhões de dólares, empregam centenas de profissionais e gerenciam a produção de um jogo por meses com o intuito de faz
er dinheiro?! Inadmissível!

– Como todo bom nerd elitista como muitos de vocês, eu esnobei o iPod em diversas ocasiões diferentes. Quando meu pai comprou um iPod Photo uns dois anos atrás, eu inventava milhões de motivos diferentes pra continuar considerando meus Palms como mp3 superiores. Quando minha namorada ganhou um iPod Nano de Natal, eu traçava milhões de comparações pra concordar comigo mesmo que o meu PSP executava as funções de um iPod e ia além disso, me permitindo jogar Super Mario Kart na privada. Aí meu irmão comprou um iPod Nano de um amigo de trabalho, e eu comecei a perceber que resistir à Apple é infrutífero. Combinado ao fato de que LITERALMENTE TODOS OS MEUS COMPANHEIROS DE TRABALHO TÊM IPOD VIDEOS, eu não resisti à tentação.


E eu devo dizer que não estou 100% satisfeito. A interação com o iTunes é intuitiva até um certo ponto, mas isso pro Usuário Comum Retardado Gringo, que muitas vezes não sabe que você pode usar o comando Ctrl + C pra copiar arquivos de uma pasta pra outra. Pra quem estava até agora acostumado a gerenciar o conteúdo de seus gadgets usando Drag n Drop, o iTunes meio que parece confuso E desnecessário. O que eu achei bastante prático no programinha é o fato de que ele facilita o trabalho de quem gosta de assistir podcasts/vidcasts. Se antes eu tinha que torrentear os episódios, converter pro formato reconhecível pelo palm ou PSP, converter mais uma vez ou editar a duração do vídeo pra tentar reduzir o tamanho do arquivo, agora eu simplesmente digito o nome do vídeo desejado e baixo pro iPod. A tela consideravelmente pequena, o que eu via como um empecilho pra compra do aparelho, é um excelente exemplo de como as aparências enganam. You see, eu tenho aparelhos com telas grandes, mas isso nem sempre significa uma coisa boa. Vídeos com resolução baixa (um pre-requisito quando o máximo espaço que você tem é 4gb, no caso do meu PSP) ficam ainda piores quando exibidos numa tela grande. Isso sem contar que quanto maior a tela, maior será o consumo de energia durante playback. Já baixei uma porrada de episódios de Ask A Ninja, Strong Bad Email e outros populares e-seriados, e a telinha pequena deixa os vídeos com DVD-like quality. Nada mau pra um troço que me custou apenas 200 dólares. Quem consegue resistir liquidações?

– Um negócio curioso que eu notei com a compra do iPod é que agora FINALMENTE eu tenho um gadget pra cada uso específico. Quando comprei meu Palm, eu via nele o potencial de computador de bolso, mp3 player e console portátil (graças à emulação e tudo mais). Acontece que o hardware do palm não foi projetado especificamente pra esses usos, então ele consegue fazer tudo que eu quero, mas a experiência é meio insatisfatória. Aí eu comprei um PSP, transferi os vídeos e jogatina pra ele, e deixei o palm apenas pra tocar mp3 ou acessar a internet (algo que o PSP também faz, mas o tamanho dele e a falta de uma touch screen torna a experiência levemente incômoda). Com a compra do iPod, o palm volta a ser um PDA, o PSP volta a ser um console, e agora eu tenho algo que se encaixa no meio termo – o iPod não faz tudo que o palm e o PSP fazem, mas é confortável, tem boa bateria, e espaço de sobra. Procê ter uma idéia, minha coleção de mp3 inteira (incluindo várias músicas que eu nem ouço mais e/ou nunca gostei mesmo) ocupou menos de 6 gigas do hard drive do iPod. O resto eu vou encher com filmes/podcasts/vidcasts.

– Após pesquisar muito com a mulherada do trabalho, finalmente criei coragem pra desembolsar um dinheirinho pra cortar meu cabelo. Essa é a primeira vez que cortei meu cabelo desde que cheguei no Canadá. A mulezinha lá do salão deu um monte de opção, eu escolhi algo que mudaria minha aparência mas que ao mesmo tempo me permitia manter maior parte da minha cabeleira. Afinal de contas, como eu poderia jogar Guitar Hero sem cabelo comprido? Isso ia atrapalhar toda a física do meu headbanging. Eu teria que traçar complicadas equações quadráticas apenas pra contrabalancear a falta da juba e corrigir a batida de cabeça. Não valeria a pena. Então a mulé cortou minha gloriosa cabeleira, aplicou um estilo meio Bon-Jovi-cearense e me convenceu a tingir de vermelho. Ok, mentira, eu que quero tingir mesmo. Lembrando novamente que bicha é aquele viado do seu pai.

– A propósito, seja lá quem disse que dinheiro não tráz felicidade é um imbecil. Imbecil pobre, provavelmente.

– Churrasquinho + Futebol + Guitar Hero + Magic hoje com a turma do trabalho, mas logo que essa porra acabar, tentarei sentar a bunda na cadeira e não levantar até escrever um longo dossiê sobre as putarias que acontecem no trabalho, completo com vídeos e fotos. Só pra deixar vocês morrendo de curiosidade, semana passada eu (sem querer) provoquei a ira de uma freguesa cega. Tracem hipóteses aí nos comentários e talvez hoje à noite eu explico.

abril 15, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário


Foto porcamente tirada do celular, porque eu não sei onde está minha câmera.

Falando em câmera, na noite passada eu sonhei que metade da humanidade havia sumido da face da Terra, criando um ambiente bem 28 Days Later, e graças a resultante impunidade eu saí em busca de lojas de informática pra roubar SD cards.

Vai ser nerd assim na puta que pariu.

abril 6, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário