Hoje é um Bom Dia

Pare um pouco e pense aí na sua própria vida. Existe alguma coisa que você esteve fazendo constantemente pelos últimos doze anos? Bater punheta não conta.

Eu comecei a usar óculos quando estava na quarta série, com uns 9 ou 10 anos de idade, não lembro agora. A vantagem inicial de ter problemas de visão (meu oftalmologista predisse corretamente que a minha visão fodida poderia ser a causadora do meu desinteresse na sala de aula e das constantes visitas à sala da coordenação, o que me deu algum senso de impunibilidade; eu agora era a vítima) foi rapidamente esmagada sob o peso das responsabilidades e cuidados extras que você precisa ter com seu par de óculos. Não surpreendentemente, aquele meu primeiro par de óculos foi quebrado em menos de um mês após a compra, graças a uma sensacional bolada extremamente bem posicionada no meio do meu rosto.

Eu chorei de medo ao voltar pra casa, imaginando a punição que seria delegada às minhas nádegas via cinto do pai, aí descobri que meus progenitores sabiam o filho que tinham e não gastaram muito mais de 100 reais na armação mais vagabunda que a ótica oferecia. Lembrando que isso era em 1994, dólar valia o mesmo que o real, era aquela era mágica quando a classe média brasileira vivia como reis vitorianos e mandavam os filhos pra Disney como presente de Natal/formatura/sei lá o que (e passavam os seguintes 45 meses pagando a conta do cartão de crédito).

Então.


Este é meu óculos. Percebem como as pernas dele não tocam a mesa ao mesmo tempo? Poisé, o eixo do negócio tá absolutamente fodido, sem qualquer chance de reparo. Além disso, aquele familiar limo verde que se acumula nos cantinhos daquela pecinha que apóia os óculos no nariz praticamente mudaram a cor de toda aquela área. Eu ACHO que aquelas pecinhas eram transparentes quando eu o comprei.

Como eu agora estou dando alguma relevância pra minha aparência – e finalmente tenho a autonomia monetária de financiar tais luxos -, resolvi aposentar meus óculos de quase cinco anos de serviço. Pra você ter uma idéia da desgraça que esses óculos velhos devem estar causando na minha visão, é recomendado que você faça exames oftalmológicos ao menos uma vez por ano. Estes óculos que você vê acima foram feitos baseados numa prescrição ainda mais antiga.

Há um consultório oftalmológico bem do lado do restaurante onde eu trabalho, então fui lá tirar uma nova receita pros óculos novos. Pra minha satisfação, a tecnologia oftalmológica mudou muito nos últimos cinco anos, e não é mais necessário jorrar colírio nos meus olhos pra dilata-los antes do exame (e ao mesmo tempo me tornando virtualmente cego, igual aquela cliente do outro dia, pelo resto do dia).

Ao entrar no consultório, tanto as secretárias como o doutor me cumprimentaram usando meu nome e tudo, antes mesmo de ler minha ficha. Eu descobri mais tarde que eles almoçam no restaurante onde eu trabalho diariamente, mas eu não lembrava dos caras. Enfim, fiz a porra do exame, e pedi informações sobre lentes de contato. Após usar óculos por doze malditos anos, eu resolvi que já tive mais do que merecia. O doutor me deu uma porrada de conselhos a respeito da mudança, marcou uma segunda consulta pra que eu testasse as lentes, e eu me mandei.

Segunda feira eu voltei lá pra aprender a lidar com lentes de contato. Pra um nerd fascinado por tecnologia moderna como eu, o conceito de um artefato gelatinoso que é aplicado diretamente no olho e corrige defeitos de visão é uma idéia absolutamente milagrosa. Sentei lá na cadeirinha na frente de um espelho e a “treinadora”. Começou a me explicar os pontos principais a respeito de lentes de contato – que eu preciso sempre limpar as mãos profusamente antes de lidar com elas, que o soro em que elas flutuam quando estão guardadas precisa ser trocado diariamenet, yadda yadda yadda.

Aí a sessão de treinamento tomou uma curva em direção ao bizarro quando a mulé me deu as lentes e perguntou se eu me sentia a vontade manipulando meus olhos. A pergunta exata, pra que a expressão não se perca na minha tradução, foi “how confortable are you about handling your own eyes?” Na verdade não lembro se ela usou touching ou handling, mas a idéia é ainda a mesma.

Que porra de pergunta é essa? Há alguém no mundo que realmente tem isso como seu hobby, ficar futucando as próprias córneas? Como se eu estivesse no bar do seu Oliveira no sábado a tarde assistindo o jogo do Ferroriávio, e de repente pensasse “sabe o que tornaria esta experiência mais prazerosa? Se eu começasse a cutucar meu próprios olhos! Sim, isso seria extremamente confortável.”

Eu dei uma risada pra mulher, imaginando a piadinha que eu faria no blog a respeito da pergunta dela, e disse que nunca antes foi necessário manipular meus próprios olhos. Ela me deu as lentes, explicou basicamente como aplicá-las, e me deixou ao meu próprio destino, tentando enfiar aquelas coisas nos meus olhos.

A lente de contato, por mais sensacional que o conceito seja do ponto de vista tecnológico, vai contra um princípio básico mantido pelos seres humanos desde a Idade da Pedra – se algo está tentando adentrar suas pálpebras, estas se fecharam quase que imediatamente. Por mais que você tente resistir, o reflexo é absolutamente automático. E por isso, eu tenho que literalmente segurar minhas pálpebras, mantendo-as abertas enquanto empurro a parada no meu olho. O olho, coitado, não entende por que está sendo submetido a tal castigo e luta desesperadamente, tentando proteger a própria integridade. E lá tou eu, puxando meus cílios pra cima, com o olho totalmente avermelhado, tentando fazer com que a porra da lente grudasse no meu globo ocular.

Após umas quarentas tentativas frustradas, finalmente consegui anexar a primeira lente ao meu olho direito. Com um pouco menos de esforço, coloquei a segunda lente. E eu experimentei uma sensação que, de tão desconhecida pra mim a essa altura do campeonato, pareceu absolutamente estranha – eu consegui pela primeira vez em doze anos ler algo escrito numa parede sem a necessidade de apertar os olhos ou apelar pros meus óculos. Se você usou óculos por tanto tempo quanto eu e algum dia tentou lentes de contato, você entenderá exatamente do que estou falando.

E assim dei mais um passo que me distanciou um pouco mais da pessoa que eu era há alguns anos. Ainda estou no período de adaptação das lentes, ou seja, só posso usa-las por períodos curtos pra que os olhos se acostumem e tal, mas eu definitivamente não quero voltar a alternativa antiga.

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maio 31, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário


O bicho vai pegar. Vou poder dizer pros meus netinhos que alguém foi presa por minha causa, na melhor demonstração de vingança já vista na face do Canadá (provavelmente).

maio 30, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Deixa eu reformular aquela promessa – haverá posts todo dia no HBD, não obrigatoriamente nos fins de semana. Certo?

E eu escreveria um post agora, mas uma sensacional cadeia de eventos que culminou com a polícia vindo aqui em casa em uns 10 minutos me impede disso. Depois explico tudo, juro!

Spoilerzinho: Não estou sendo preso nem nada, não se animem.

maio 28, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Uma vez eu comentei que minha namorada tem o costume de espalhar roupas pelo quarto, e até postei umas provas fotográficas pra que não pensassem que eu estava exagerando.


Como vocês podem ver, eu não estava.

Então, hoje vou ter que quebrar a promessa de um post por dia porque tou atrasado pra uma BALADINHA ESPERTA aí com a turminha do trabalho.

E pra não dizerem que a festa de ontem foi desculpa pra não elaborar um post mais longo, taí uma fotinha do evento pra vocês. Imaginei que vocês gostariam.

[ Update ] Fica pegando foto de putaria na NET e quer nos enganar falando que é de balada que tu foi???

Da próxima vez coloco mais fotos em que eu apareço. Como essa, ou essa, ou essa.

maio 27, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Porra, hoje eu até tinha uma boa desculpa pra me isentar de atualizar a bagaça (meu vizinho/colega de trabalho tá dando uma sensacional festinha), mas promessa é promessa caralho. Um post por dia, nem mais nem menos.

Sabe de uma coisa? Disseram-me muitas, muitas coisas quando eu era criança, e boa parte desses conselhos foram totalmente dispensáveis ou simplesmente eram o tipo de coisa que eu descobriria por mim mesmo um dia. Como por exemplo o aviso alertando sobre desmontar uma lanterninha LED que eu tinha nos meus 13 anos e enfiar os cabinhos dela na tomada. Mas coisas realmente importantes ninguém conta pra gente. Como por exemplo, o fato de que quando você finalmente precisa pagar contas, o mês passa muito mais rápido. Vocês já perceberam isso? Juro por deus que a impressão que eu tenho é que a conta do celular chega de 10 em 10 dias.


Cento e trinta e dois dólares de conta médica. Porra, tudo que eu fiz foi visitar o doutor pra que ele me receitasse alguma coisa pra ajudar a dormir. Tudo bem que a conta cobre três meses de hipotético uso dos recursos hospitalares, mas isso realmente vale 132 dólares? Eu poderia ter ido no FHBD e postado um tópico dizendo “caralho, não consigo dormir, ajudaí plz” e eu teria obtido uma resposta como “bate umas punhetinhas aí que você dorme rapidinho”. Não é exatamente o procedimento clínico padrão, mas o resultado seria similar e eu teria uma centena de dólares a mais no bolso.


CENTO E TRINTA PAUS de conta de celular. Taquepariu. Se eu estivesse ligando pras Ilhas Fiji seria justificável, mas tudo que eu faço com essa porra de celular é mandar mensagens pra namorada durante o expediente, e levar bronca por mandar mensagens durante o expediente. Nem valeu a pena ter pego o plano mais fodão, com acesso à internet, MSN, previsão do tempo, emulador nativo de PS2 e sei lá mais o que. Hoje começo a pensar que, por 130 dólares mensais, um celular não é exatamente tão necessário. Eu poderia comprar um helicóptro novo por mês com essa grana.

Não é de hoje que eu confesso que ando muitíssimo decepcionado com essa vida adulta. Quando eu era moleque e pegava cinco reais, 100% daquele valor era gasto comigo mesmo. Uma hora na locadora jogando Super Mario World, um pastel de queijo com orégano na escola, um refrigerante no shopping, e talvez um saquinho de bolinhas de gude. Aproveitamento total das minhas finanças. Nada de impostos nem aluguel nem conta de celular nem porra nenhuma. Hoje eu tenho em meu poder um valor literalmente milhares de vezes maior do que aqueles cinco reais, mas eu acabo aproveitando de menos de 50% dele.

Acho que o problema é que dinheiro tem um significado muito diferente após você adquirir o que você queria tanto. O celular, por exemplo, parecia absolutamente indispensável quando eu não tinha um. Essa noção mudou no momento que eu abri aquele envelope da Rogers Wireless dizendo “OI TUDO BOM MANDE CEM DÓLARES PRA GENTE OBRIGADO”.

E isso dá uma frustração do caralho. Parece que a quantidade de dinheiro é sempre equivalente ao número de planos aquisitivos que você faz pro mês. Quando eu era picolezeiro e ganhava menos de um quarto da grana que estou fazendo agora, eu conseguia comprar as bobagens que eu queria, mas nada muito exagerado. Agora que estou num trabalho consideravelmente melhor, minhas posses materiais acompanharam a evolução, e a grana continua servindo apenas pra comprar o básico, sem maiores extravagâncias. Se eu não me lembrasse que esse “básico” aumentou bastante, a impressão que eu teria é de que continuo ganhando a mesma quantia de outrora – o que é frustrante pra cacete.

Debater números é meio maçante mas pra vocês terem uma idéia da situação, eu recebo meu pagamento a cada duas semanas. De cada cheque, uns 400 dólares nem passam pelo meu bolso. Aluguel + impostos + contas tomam essa parcela da minha grana. Aí eu sempre digo pra mim mesmo “ok, dessa vez vou economizar e pôr alguma grana na poupança. Aí acaba chovendo e eu pego um taxi, ou passo na frente de um restaurante e a namorada puxa meu braço com aquele olhar desgraçado que nos pega de surpresa e não permite a elaboração de uma desculpa razoável, ou a loja da esquina tá fazendo liquidação de estoque e eu ainda não tenho um iPod Video, ou a Toys R Us está vendendo aqueles sensacionais helicóptros que eu sempre quis… E o plano de economizar dinheiro vai pro espaço.

Bah. Economizar dinheiro pra QUÊ? Eu já tenho meu helicóptro.

maio 26, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Uma das poucas vantagens de ter um pivete de um ano de idade perambulando pela casa – é isso aí, o Kevin aprendeu a andar – é poder ir pra Toys R Us com uma certa frequência sem se sentir mais crianção do que eu já me sinto diariamente. Agora não preciso mais inventar desculpas esfarrapadas pra visitar a minha loja de brinquedos favorita. Sempre que o guri quebra algum de seus joguetes e o choro ensurdecedor convence minha madrasta a convencer meu pai a se convencer que ele deve gastar outros cinquenta dólares comprando algum outro brinquedo que divertirá o moleque menos do que a embalagem que o envolve, basta eu pular no carro dizendo que estou entediado e pronto.

Uns dias atrás lá estava eu na Toys R Us local, vendo uns Legos ou uns bonecos novos das Tartarugas Ninja ou algo que o valha quando vi no alto da prateleira mais alta da loja (tinha uns dois andares de altura aquela porra, sem exagero. Por que diabos colocam brinquedos num lugar tão inacessível, jesus?) um sonho de consumo que mantive durante boa parte dos meus bem vividos 22 anos de idade. E a etiqueta de preço levemente salgado (100 doletinhas) não foi o suficiente pra me fazer desistir da compra.


Um fenomenalíssimo HELICÓPTRO (que era a forma que meu avô pronunciava a palavra) de controle remoto. Fui abrindo a caixa antes de abrir a porta do carro, dando uma lida breve no manual e sonhando acordado com as grandes aventuras que eu viveria com meu helicóptro.

Acontece que a parada é praticamente IMPOSSÍVEL de pilotar. IMPILOTÁVEL, se tal palavra existe. Como a estrutura do negócio é muitíssimo leve e uma vez que o helicóptro está no ar o atrito é virtualmente nulo, qualquer guinada em qualquer direção envia o bichim direto pra parede mais próxima. Você tem que pegar a manha do negócio, tem que fazer movimentos leves pro lado que quer ir, mó Flight Simulator style. Lembra de Flight Simulator? Você instalava pela primeira vez e pensava que podia brincar que nem no AfterBurner do Mega Drive e saia apertando setas direcionais indiscriminadamente, aí você teria que explicar pro controlador de vôo do Aeroporto Internacional de Heathrow em Londres por que você decidiu estacionar seu 747 na torre de comando deles.

Sem contar que você não pode ligar as hélices com tudo, senão o troço levanta vôo num piscar de olhos e se enfia no seu teto. O lance é, segundo o manual, ir “esquentando” o rotor aos poucos, até que o bichim lentamente levante do chão. Na primeira vez que tentei esta técnica mais apropriada de decolagem, o vento provocado pela rotação das hélices espalhou uns papeis e outros badulaques que eu tinha em cima da mesa do meu computador, dando aquele efeito característico de um helicóptro de verdade levantando vôo. Uma lágrima infantil escorreu pelas minhas bochechas. Quero dizer, pela minha bochecha, no singular, porque foi só uma lágrima.

O negócio é que faz umas duas semanas que comprei essa merda e eu AINDA não adquiri a habilidade necessária pra fazer o negócio levantar vôo sem rodopiar loucamente e/ou se dirigir ao local onde eu realmente quero que ele vá. No momento o meu brinquedo tem vontade própria, e ele parece fazer bom uso de seu livre arbítrio pra se chocar contra as paredes do meu quarto.

Fazer curvas com o brinquedo é dramaticamente complicado, porque ele não voa num eixo reto como um carrinho de controle remoto. Uma vez que ele está no ar, você faz curvas rotacionando o bichim, e quando ele se encontra na direção desejada, movendo-o pra frente. Acontece que graças à inércia/falta de atrito, o helicóptero NUNCA passará muito tempo apontado na mítica “direção desejada”. Você dá uma guinadinha de leve pra direita e o negócio dá quatro giros de 360 graus. Você pode tentar ligar os rotores inversos pra girar ele um pouco pra esquerda, anular o giro e estabilizando o helicóptero, mas você precisa aplicar a força EXATA no sentido contrário, senão essa porra para de girar descontroladamente pra direita e passa a girar descontroladamente pra esquerda. Resumindo, é complicado pra caralho.

E revendo o manual, eu encontro uma notinha explicando pro comprador ter uma certa paciência porque o controle do helicóptero é realmente um negócio que exige prática e porque não dizer até talento. A falta de atrito complica demais a pilotagem do brinquedo. Ao menos o aviso serviu pra aliviar aquela sensação de incompetência. E em pensar que eu queria ir pra Aeronáutica quando era moleque.

Mas eu vou dominar esse filho da puta. Quando eu aprender a controlar essa desgraça com perfeição, faço um videozinho bacana e coloco no YouToobi para a vossa apreciação.

maio 25, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Então, vou começar uma mega RENOVAÇÃO CARISMÁTICA nessa porra. Passei um tempaço relegando o mínimo de tempo possível pra atualizar o blog, mas eu resolvi que esse negócio de vida adulta de verdade (trabalhar oito horas por dia, pagar contas, sair de casa como meio de passar tempo) é uma parada extremamente complicada e cansativa, e que a vida nerd era – pasmem! – mais frutífera e recompensadora. Então vou traçar a seguinta meta pra mim mesmo – TODO DIA deverá haver um update aqui no HBD. Todo dia. A partir de hoje.

Nada de encheção de linguiça nem posts com fotos homossexuais – textos DE VERDADE, como outrora. Quem sabe até uma resenha de SNES. E cheia de erros de ortografia pra que os professores de gramática de plantão possam puxar seus Aurélios da manga e berrar nos comentários algo como “AH MEU DEUS DO CÉU KID ESQUECEU O ACENTO EM ‘AMBULÂNCIA’ EIN?!?! NÃO SEI POR QUE AINDA LEIO ESSA PORRA DE BLOG” E note que eu usei “por que” corretamente, ou seja, não é hoje que vocês me pegam, desgraçados. Acho que vou até instalar o Word nesse PC e começar a revisar meus textos, pra roubar essa diversão de vocês.

Agora, voltando com o programa original.


O ser humano é, sem qualquer sombra de dúvidas, a espécie de criatura vivente mais fascinante que jamais caminhou sobre a face da terra. Mais fascinante até que os terríveis dinossáurios (essa era a forma que meu avô pronunciava a palavra e foda-se, essa é a forma que eu vou usar até o dia que eu morrer, caso a palavra “dinossáurio” seja relevante no dia da minha morte) que captivaram minha imaginação por anos durante minha infância e forçaram minha mãe a comprar quase todos os fascículos da célebre REVISTA DINOSSAURO ou DINOSSAUROS ou sei lá qual era o nome daquela porra. Se ao menos ela tivesse comprado todas as edições, meu tiranossauro de plástico que brilhava no escuro teria pernas. O meu era o único dinossauro aleijado do bairro inteiro, que puta humilhação

Mas então, o ser humano é uma criatura simplesmente incrível, não é? A nossa raça é capaz de bolar explicações e postulados e teoremas e prosopopéias e outros troços interessantes que nos permitem conhecer a as entranhas e a exata composição química de estrelas a bilhões de quilômetros de distancia – e a mesma criatura consegue não ver avisos postados em fonte vermelha tamanho 40 bem diante de seus olhos.

Foi o seguinte. Outro dia o keypad – porra, como é o nome disso em português? É aquele tecladinho numérico onde você digita o seu código do cartão de débito e tal, keypad – de uma das caixas registradoras do trabalho pifou. Um dos moleques novatos (um eufemismo pra “retardados incapazes de seguir qualquer instruções que derem a eles, ou de executar qualquer tarefa com o mínimo possível de algo que pudesse ser confundido com competência”) derramou Sprite ou sei lá o que em cima do keypad, não me pergunte como ele realizou tal proeza, e acontece que a parada deu um belo curto circuito e agora pronto, ninguém mais pode usar dinheiro eletrônico pra comprar seus sanduíches. Horas depois de iniciar meu turno e já cansado de repetir “sorry sir/madam, cash only please!” (frase que parecia não ultrapassar a bolha imaginária de mais ou menos dois metros de distância que envolve cada freguês, ou seja, a próxima pessoa na fila JAMAIS ouvia o meu aviso e eu tinha que repetir pra cada pessoa), fui ao escritório, abri o MS WORD e redigi um lindo cartazinho. “CASH ONLY. SORRY FOR THE INCONVENIENCE”. Tal como no Gênesis, bati a poeira das mãos, e decidi que tudo era bom. Aí eu lembrei que pessoas conseguem ser imbecis não importa quantas chances que você dê a eles de não serem, então selecionei o texto e pintei a parada de vermelho. “Agora sim”, pensei comigo mesmo, “os retardados terão que fazer um esforço maior pra ignorar o cartaz, e quem sabe a preguiça os indicará à tarefa mais simples de ler a parada”.

Voltei pra frente, e com ajuda de 50% durex e 50% chiclete, afixei o aviso na frente da caixa registradora. E bem na frente da telinha que exibe pro cliente o pedido dele, o que me dava a chance de aloprar com a ordem do sujeito. Sem a telinha, o cara só saberia que eu pus cebolas e picles extra no sanduíche dele quando ele estivesse no meio do caminho de volta pra casa.

Voltei pro meu posto e passei a pegar os pedidos normalmente, achando levianamente que a presença de um aviso BEM NA FRENTE DA GERAL tornaria redundante ter que avisar pra todos os clientes que eu não posso executar pagamento com cartão de crédito.

Imagina aí a minha CONSTERNAÇÃO quando um filho da puta aparece, faz um pedido quilométrico e puxa o cartão de crédito. Imagina aí então quando esse sujeito foi seguido por outro, e outro, e outro, até que a mera visão daquele hologramazinho de segurança da Visa se tornasse nada além de um triste lembrete de quão imbecis as pessoas conseguem ser.

Especialmente quando estão comprando comida num restaurante fast food.

E o pior é a frustração de não poder sequer tirar uma onda com o desgraçado. Eu tinha que engolir a raiva, sorrir, e educadamente explicar que eu não posso aceitar cartões de crédito. Eu aprendi minha lição em uma ocasião passada, a única vez que eu arrisquei SORRATEIRAMENTE fazer piadinha com um cliente, o resultado foi uma freguesa cega ligando pro meu chefe pra reclamar de mim (qualquer dia conto essa história). Ou seja, eu tinha que me resignar em simplesmente apontar pro cartaz com um sorriso que eu esperava com muita fé que fosse interpretado como “Ô SEU RETARDADO, SABE LER?”

Mas eles só sorriam de volta e diziam NOSSA, OLHAÍ! NEM VI ESSE CARTAZ, ACREDITA?!?! ^_^

Acredito, sim.

maio 24, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

MIMIMI ESSE BLOG JÁ ERA!
MAS QUE MERDA FAZ UM MÊS QUE O KID NÃO NOS CONTA HISTÓRIAS ENGRAÇADAS QUE PODEM OU NÃO SER RELACIONADAS À INFÂNCIA DELE!
UI UI UI AGORA CHEGA QUIDE TIREI DOS MEUS FAVORITOS!

Psicologia reversa, é? Tenham paciência seus merdas, este não é o único site na internet. Ando ocupadaço no trabalho (spoiler: não é à toa que estou sendo promovido pra supervisor com menos de três meses de trabalho no lugar), mas assim que a parada relaxar um pouco, eu escreverei um super texto.

maio 24, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Cem comentários num post trazendo uma mera foto homossexual?

Assim vocês me desmotivam a gastar mais tempo escrevendo um update de verdade, porra!

maio 20, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Não morri, seus merdas.


Só cortei o cabelo.
PS.: Óculos de bicha, eu sei.

maio 15, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário