Hoje é um Bom Dia

Vamos ver aqui. Qual dos trabalhos abaixo seria o mais improvável para mim?

1) Balconista de loja de games

2) Beta tester de gadgets

3) Agente de segurança de uma das maiores empresas internacionais do ramo

Se você pensou no item três, obrigado por me parabenizar na minha mais nova empreitada trabalhística.

Não tou brincando. Cansado de lidar com moleques de 15 anos e seus intermináveis e típicos dramalhões colegiais que eu já havia deixado pra trás há anos, saí à caça de uma ocupação menos estressante e talvez mais lucrativa.

E não demorou nada pra arrumar um trampo melhor. Após ouvir a recomendação de um amigo que trabalha nessa empresa há alguns meses, mandei meu sensacional currículo (vendedor de picolés E lavador de pratos!) por email e cruzei os dedos. Dois dias depois eu tava de entrevista marcada.

Como esse seria meu primeiro emprego numa empresa mais séria e reconhecida, resolvi vestir meus melhores trapos. Após moldar o cabelo cuidadosamente com o gel roubado do meu irmão e escovar os dentes duas vezes, percebi que nenhuma quantidade de asseio poderia recompensar o fato de que eu meço 1,71m e peso uns, no máximo, 60 quilos. Ou seja, se a segurança ficasse dependendo de mim, seja lá o que eu deveria estar, hmm, “segurando” estaria fodido.

Acontece que o mercado de trabalho em Alberta, a província que eu moro, é terrivelmente dependente. A área oeste do Canadá é meio deserta e muito fria, então aconteceu há algumas décadas uma migração em massa pra área mais desenvolvida (especificamente, Ontario). Com o avanço da indústria petroleira por aqui, mão de obra se tornou extremamente difícil de conseguir, já que todo mundo se mandou pro leste canadense. Por causa disso, empregos aqui aceitam praticamente qualquer pessoa disposta a trabalhar, e oferecem salários invejáveis.

E por causa disso minha complexão medíocre não foi um problema. A “entrevista” se resumiu à minha contratadora perguntando que horários eu gostaria de trabalhar. Escolhi uma agenda qualquer, e em seguida me mediram pra que eles pudessem me dar um uniforme. Walkie talkie, cassetete, colete a prova de balas (!) e aparentemente até ALGEMAS me serão dadas quando eu aparecer pro meu primeiro turno. O que é certamente uma melhoria do meu uniforme antigo, que incluia um horroroso boné com logotipo do Wendy’s e uma deprimente redinha de cabelo que eu felizmente despistei graças ao corte da minha juba.

Mas as coisas não são TÃO simples assim; antes de embarcar na minha nova empreitada trabalhística, muita burocracia se fez necessária. Pra começar, me fizeram assinar quase uns vinte contratos, e eu não estou brincando. Tinha de tudo – termo de responsabilidade em relação ao uniforme, cláusula de conduta (quatro páginas, com assinatura no fim de cada uma), uma via que eu precisava assinar como forma de admitir o risco que o trabalho naturalmente envolve, um monte de merda. Assinar tanto contrato me fez lembrar o quanto odeio e sou incapaz de reproduzir uma rubrica satisfatória. A falta de hábito com a escrita cursiva roubou toda a minha capacidade de escrever duas assinaturas semelhantes. Cada vez que assinava o papel, meu nome parecia ter mudado. Bah.

Após toda essa merda, me foi revelado que eu precisaria pegar um trem até a delegacia de polícia pra arrumar uma declaração de “nada consta”, acho que esse é o nome em português. Basicamente, a empresa não quer contratar nenhum ex-assaltante de banco ou coisa que o valha, então eu tive que ir até os gambés, esperar na fila, jogar dez minutos de Pokemon Diamond, falar com a policial que ia tratar do meu caso, tirar minhas digitais, e novamente assinar a caralhada toda. COmo eu morei em outra província há pouco tempo, os 5-0 teriam que mandar todos as requisitações pra polícia de Ontário, pra eles confirmarem que lá eu também fui um bom garoto, com ficha limpa.

Depois de todo o procedimento…

“Ok, tudo certo. Agora, você se sente à vontade em jurar sobre a bíblia que todas as informações que você deu nesse papel são verdadeiras?”

Parei por um segundo, encarando a mulher sem nenhuma expressão facial, piscando.

“Meio medieval isso, ein?” arrisquei descobrir o senso de humor da puliça.

“Ahn?”

“Bom, eu acabei de te dar várias informações que permitem a polícia de Alberta me localizar. Ou seja, não é como se eu pudesse inventar um monte de mentiras e a coisa sairia por isso mesmo. Essas informações serão averiguadas nos arquivos de relatos policiais, pra tentar encontrar instâncias envolvendo meu nome ou endereço. Os resultados serão enviados digitalmente à polícia do outro lado do país, onde o processo será repetido. No meio de todo esse procedimento tecnologico você me pede pra pôr a mão em cima de uma bíblia e JURAR que eu estou falando a verdade?”

Ela deu um sorrisinho (o que me deixou aliviado, afinal dar aquela rant poderia ter me custado no mínimo bastante má vontade dos caras se eles tivessem um senso de humor menos saudável) e explicou que têm que perguntar mesmo assim.

“Bom, eu sou ateu, então não adian…”

“Ateu?” ela repetiu, como se não conhecesse o significado da palavra.

Ah meu deus, agora pronto. Essa porra vai virar debate teológico.

“É, não acredito em nenhuma divindade. Eu posso jurar na bíblia se você quiser, mas não significará nada pra mim e não representa algo tão solene que uma mentira dita sobre ela me enviaria diretamente pro inferno”. Olhando pro teto da . Meio medieval”, repeti.

Ela riu de novo, pegou a caneta e fez uns rabiscos no meu documento.


Ao invés de “make an Oath” (“faz um juramento”), ela resolveu reescrever a frase usando “solemnly affirm and declare”. Afirma solenemente e declara.

Voltei correndo pra empresa, entreguei a papelada, recebi meu uniforme e voltei pra casa feliz porque não precisarei mais trabalhar com um bando de moleques pré-adolescentes por muito tempo.

Mas com eles vão-se também os nuggets de graça. Não dá pra ganhar sempre.

Ah, e o salário? 50% maior do que o do Wendy’s. Com cobertura médica (o que o Wendy’s não oferecia), folgas e férias pagas, e o direito de andar por aí com um colete a prova de balas.

Moving up, motherfuckers!

julho 28, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Tomaram notas, pesaram custos e benefícios, checaram a carteira e linkaram a resenha pra amigos que têm vontade de pegar um PSP?

Beleza. Agora é a vez do DS.

Lá por meios de 2002 ou 2003, a Nintendo pensou com seus botões “sabe duma coisa? O mercado gamer tá estagnado de novo. Vamos revolucionar essa porra“. Não seria a primeira vez que a Nintendo apareceria pra trazer ares de renovação à indústria de videogames (crash de 83, anyone?).

Foi com essa filosofia em mente que a Nintendo revelou o codinome do seu console de nova geração, o Nintendo Revolution. Quando a empresa abandonou o codinome promissor em troca do totalmente simples “Wii”, nerds ao redor do mundo sentiram um chute nos bagos. Fóruns ao redor da internet pipocavam com reclamações furiosas, era como se o novo nome fosse uma ofensa pessoal contra certos gamers que insistiam que a Nintendo largasse mão de apostar no mercado infantojuvenil. Hoje é “Revolution” que parece estranho, arcaico. Faz alusão à época quando nem sabíamos nada sobre o console. Mas divago.

Numa época em que as empresas rivais trocavam tapas metafóricos divulgando as especificações bombadíssimas de seus futuros consoles dando ereções massivas em nerds ao redor do globo, a Nintendo foi totalmente contra a maré anunciando que as capacidades gráficas do Wii seriam aproximadamente equivalentes às do GameCube. O tesão foi cortado de imediato, até que a Nintendo revelou o estranhíssimo Wiimote, o controle do Wii. Aí mesmo é que as profecias de fim da Nintendo começaram a ganhar força. Mas a empresa continuo firme e forte na mentalidade de provocar mudanças na indústria que não via nenhuma grande revolução desde 1983.

O DS foi um fruto da mesmíssima corrente de pensamento. Com exceção do Tapwave Zodiac, um aparelho totalmente obscuro que só mesmo nerds de handhelds conheceram – e apenas por fotos na internet, porque o troço é raro mesmo -, o DS foi o primeiro console portátil com input por toque. A animação diante das novas possibilidades foi rapidamente eclipsada pelo concorrente PSP, que exibia hardware muito mais potente e trazia junto com a sua estréia a marca Playstation, as franquias correspondentes e funcionalidades que transcendiam o objetivo de um simples ideogame portátil. A Nintendo humildemente reconhecia que sua máquina era menos capaz, mas enfatizava que o público e o propósito do DS eram outros. E a turminha de videntes continuava a pregar a morte da Nintendo.

Poucos meses depois, O DS é liberado ao mundo. E quando o número de DSs vendidos ao redor do mundo ultrapassava o de PSPs numa proporção de quatro pra um, a turma de mães Dinás perceberam que suas previsões falharam completamente.

Como é que uma máquina com hardware inferior e muito menos funções que seu concorrente direto consegue lavar o chão com a cara da competição? A vitória do PSP parecia uma aposta tão fácil, tanto é que este que vos escreve chegou, em certo período, a ridicularizar a premissa do DS e economizar centavinhos pra adquirir um PSP.

O texto já tá ficando bem longo até agora, e eu nem comecei a falar do DS ainda. Isso se deve ao fato de que, por mais paradoxal que isso possa soar de início, não há muito pra se falar do DS. Na resenha do PSP eu falei sobre o navegador, sobre o mp3 player, sobre o suporte a imagens, sobre os disquinhos UMD e tudo mais. O DS não tem nada disso, é um puro e simples videogame. Por causa disso mesmo era necessário colocar mais conteúdo no artigo, e nada melhor do que explicar justamente POR QUE o DS é um aparelho mais simples do que o da concorrente. E aí está, resumido em uma frase – O DS não precisa de nenhuma dessas funções extras pra vender porque ele é um videogame do caralho.


Tecnicamente falando, o DS é aproximadamente equivalente ao N64. Usa mídia em formato de cartucho, não trabalha muito bem com texturas e por causa disso oferece gráficos meio medíocres, e ambos foram lançados com Super Mario 64. O detalhe principal do Nintendo DS é a sua tela inferior, que é sensível ao toque. Graças a isso, gamers tiveram a oportunidade de experimentar jogabilidades realmente criativas, como a de Kirby’s Canvas Curse (onde o jogador desenha linhas na tela, que se materializam no jogo e servem de apoio pro personagem principal), Trauma Center (um simulador de cirurgias muitíssimo criativo) e Elite Beat Agents, que é o equivalente portátil de Pump It Up.

E é aí que você compreende o porquê do sucesso estrondoso do DS – enquanto o PSP tentou enfiar tudo de melhor que fosse possível caber no chassi do console e traduzir pra telinha portátil os maiores sucessos do seu irmão-console mais velho, a Nintendo ofereceu inovação. Claro que há uns Super Mario 64 aqui, Star Foxes ali e Castlevanias acolá, mas o que realmente leva o DS ao topo da lista de consoles mais vendidos são os jogos nunca antes vistos e extremamente criativos.

Claro, não só de novidade vive o console da Nintendo. Trabalhar em cima de clássicos do passado dá certo pra cacete também, quando feito com competência. Lembra dos adventures point and click, que fizeram da Lucasarts uma empresa bastante conhecida no meios dos anos 90 e nos deram clássicos inesquecíveis como The Dig, The Day of the Tentacle e Full Throttle? Então, todos achávamos que o estilo estava morto e enterrado. O gênero de aventura e exporação não apenas retornou, mas o fez no que anos atrás acharíamos a plataforma menos provável pro sucesso do estilo de jogo – um console portátil. Graças à tela de toque, as gamehouses puderam reviver o formato point and click. E já há bastante títulos praqueles que se amarram nesse tipo de jogo, como a série Phoenix Wright (que estou jogando no momento), Hotel Dusk e Lost in Blue.

Saudosismo move a indústria de games; não é a toa que volta e meia temos coletâneas de jogos antigos vendendo pra tudo quanto é console. Pensando nisso – e no hardware único do DS -, empresas começaram a trazer do passado clássicos absolutos que não poderiam ser feitos com competência em nenhum outro console – estou falando dos jogos de estratégia. Donos de DS já podem se divertir com SimCity, Theme Park e, é claro, Settlers. Se você é como eu e passou HORAS e HORAS quando moleque construindo cidades, parques de diversões ou vilas medievais em Pentiums 133 dez anos atrás, esse parágrafo aqui (mais do que qualquer outro) já deve estar te dando coceira na carteira.

E talvez você esteja mesmo morrendo de vontade de põr as mãos em um DS. Talvez até mesmo antes deste texto você já tinha essa vontade, mas esbarrava de cara com a dúvida que aflige a mente perturbada do gamer com orçamento baixo – DS original, ou DS Lite? Resposta curta – DS Lite, caso você goste de ver o que está acontecendo na tela com nitidez e clareza. Os mais brutos (ou seja, os que já compraram o DS original e precisam adotar pose de desdém em relação ao modelo claramente superior) podem até dizer que “é tudo a mesma coisa”, mas não é. Case in point:


A diferença mais relevante é a claridade e nitidez das telas. As do DS Lite são obviamente muito mais claras e nítidas do que as do modelo antigo, que em comparação parecem até estar com algum tipo de defeito. Eu GARANTO que você jamais será capaz de jogar num DS antigo após se acostumar com um Lite. Aliás, boa parte do motivação em comprar o Lite foram as jogatinas no DS Lite do meu irmão. O resto, obviamente, se deve a Settlers.

O DS Lite é também bem menor e mais bonito que seu irmão mais velho. Alguns dizem que isso é detalhe bobo, com razão, mas quer saber? Eu sou um nerd superficial. E eu quero que meus consoles sejam estilisticamente atraentes. Aliás, não devo ser o único, senão a linha iPod não venderia tanto.

Os botões do DS Lite são mais responsivos por serem um pouco mais elevados do que os do DS original, dando a você uma resposta mais clara quando você os pressiona. O D-Pad do DS Lite é claramente superior, assim como a posição dos botões Power, Start e Select. Não sei o que a Nintendo estava pensando ao pôr esses botões tão próximos a outros que são usados o tempo todo durante os jogos, dando bastante oportunidades de acidentes, mas sei que alguém acordou pra realidade e mudou-os de lugar quando projetaram o Lite. A stylus do DS Lite é também mais grossa, o que deixa mais fácil e confortável de segurar, e o silo desta se localiza do lado da unidade, ao invés de atrás. Ou seja, é mais fácil puxar a canetinha pra fora durante os jogos, já que ela agora não fica obstruída pela tela superior do console.


Se liga na diferença de tamanho

Os LEDS que indicam que o DS está em uso tinham uma posição horrível na versão original; quando a tela superior está fechada, as luzinhas ficam semi escondidas. Ou seja, não é exatamente muito funcional ou bonito, dá idéia de um design desastrado, que não pensou em todas as possibilidades. A conexão entre a tela superior e inferior é meio estranha no DS antigo, parece que o troço pode quebrar a qualquer safanão. O DS Lite parece muito mais resistente. O microfone embutido do portátil foi movido do canto interior direito pro meio das telas, o que muitos concordam ser uma posição que faz mais sentido.

Admito, boa parte desses detalhes podem até passar batidos ou serem ignorados em prol da economia de, sei lá, uns cinquenta reais? Mas olhe novamente pra foto que compara a diferença de claridade entre os dois modelos. Você REALMENTE quer ver seus jogos daquela forma? Não vale a pena. Pode confiar em mim, não vale a pena. Tanto acredito nessa opinião que comprei um Lite apesar de possuir um DS original que funciona perfeitamente. Sério mesmo moçada, em comparação com o Lite, o DS original mais parece uma versão beta do console, aqueles protótipos que aparecem na E3 anos antes do console de verdade aparecer em prateleiras.

Assim como o PSP, o DS também possui um rádio wifi pra comunicação sem fio. A lista de jogos online do DS é consideravelmente menor do que a do PSP, mas esse número está aumentando paulatinamente com lançamentos de jogos que há anos imploravam por modos online, como o favoritíssimo Pokemon, em sabores Diamond ou Pearl.

E chegamos aos jogos, o que é o ponto principal da aparente preferência mundial pelo DS. Se eu fosse mini-resenhar todos os excelentes jogos que já estão disponíveis pro DS esse post dobraria de tamanho, então vou me ater a poucos. Pelo amor de deus não me encham o saco perguntando “cadê aquele jogo X sensacional que ganhou nota 40 na Famitsu?!?!?!?11111“. Não estou “esquecendo” nenhum jogo, estou propositalmente deixando a lista pequena por motivos de concisão e preguiça.


Elite Beat Agents
Como falei antes, EBA é como uma versão portátil de Pump It Up. Ao invés de passos desajeitados na frente de estranhos no shopping, você segue círculos e linhas na tela sensível a toque, de acordo com a batida da música. O jogo tem, sei lá, umas 40 músicas que abrangem tudo quando é gosto musical, desde Rolling Stones até Jamiroquai, passando por Madonna e Avril Lavigne. Apesar de boa parte delas ser de gosto musical duvidoso, o jogo é muito viciante. Só tenha o cuidado de usar fones de ouvido na fase com a música da Avril Lavigne, caso você esteja jogando num local público. Ou você correrá o risco de pensarem que você gosta da cantora.


New Super Mario Brothers
Uns trocentos anos após Super Mario Brothers dar as caras no Nintendinho, o encanador italiano mas na verdade japonês aparece em uma nova aventura 2D, trazendo de volta todos aqueles elementos surreais familiares que a gente cresceu vendo – canos, plantas piranhas, cogumelos, tartarugas goombas, etc e o caralho. A diferença é que é tudo 3D bonitinho agora, mas no formato de plataforma 2D que eu imaginava que Super Mario 64 seria. O jogo é uma revisitação totalmente foda do universo Mario Brothers, e é de compra obrigatória pra qualquer dono de DS. Especialmente pra mim, por motivos dolorosamente óbvios.


Mario Kart DS
Mario Kart é uma série que foi sucesso em todo console que apareceu. Deu certo no SNES, deu certo no N64, deu certo no GameCube, deu certo no GBA. Parece impossível esculhambar a fórmula, e a versão do DS confirma a tradição. Além de compilar pistas de TODOS os jogos da série, Mario Kart DS oferece uma porrada de personagens e carrinhos destraváveis e um inédito modo online. Outra compra obrigatória, não tem pra onde escapar.


Tetris DS
E já que estamos falando de fórmulas inestragáveis, como não mencionar Tetris DS? O Tetris original catapultou o Game Boy pros bolsos e mochilas de milhares de moleques catarrentos no comecinho dos anos 90, e Tetris DS fez o mesmo pro novo portátil da Nintendo. Além de ser enfeitados com temas referentes aos clássicos da Nintendo (músicas remasterizadas de jogos clássicos por exemplo), Tetris DS oferece uma porrada de modo de jogo e gameplay online.

Tetris online? É quase bom demais pra ser verdade, puta que pariu, vamos ser sinceros. Outra compra obrigatória.

(Talvez essa seja a hora de mencionar que a jogatina online do DS é totalmente de grátis, basta ter um router wireless que você já tá dentro da parada).


Clubhouse Games
Uma coletânea de QUARENTA E DOIS velhos mas eternos joguinhos como poker, boliche, dardos, sinuca, ludo, gamão, xadrez, damas… Ah, eu mencionei que cada um deles é jogável online?

Diz aí, é ou não é fácil entender por que essa porra tá vendendo como água no deserto? Sinceridade mermão.


Trauma Center
Trauma Center é mais um daqueles joguinhos que, apesar de já terem existido no passado (uma jujuba pra quem lembrar de Life and Death 1 e 2), não poderiam ter renascido em nenhuma outra plataforma senão o DS. Basicamente, é um jogo em que você faz cirurgias em neguim. E um jogo extremamente desafiador, o que é compreensível porque você está fazendo cirurgias em neguim. Ainda não tivemos a oportunidade de ouvir a opinião do DOC FHBD (nosso médico/benfeitor residente do fórum) a respeito do realismo do jogo, mas tem sangue pra caralho e eu imagino que essa parte eles retrataram com fidelidade.


Settlers (sem resenha porque o jogo ainda não foi lançado)
Settlers 2 portátil. Não sei se tá bom pra você, mas tá excelente pra mim. Há três jogos que foram jogados à exaustão durante minha infância e que formaram a pessoa que sou hoje – Super Mario World, Command and Conquer e Settlers. Dê uma olhada no layout desse blog; é fácil entender que qualquer jogo que participe do mesmo panteão que Super Mario World é alvo de minha devoção incondicional.

Aliás, no dia que a Eletronic Arts tirar o dedo do cu e começar a trabalhar num Command and Conquer DS, acho que serei a primeira pessoa no mundo a morrer graças a um orgasmo. Cruzemos os dedos todos juntos.


Cooking Mama
Cooking Mama é um joguinho literalmente adorável. É basicamente uma porrada de minigames que simulam as etapas de preparação de dezenas de receitas. E todas seguidas à regra, ou seja, de repente até você aprende a fazer uma muqueca de camarão.

Vou ser sincero e admitir que não é um daqueles jogaaaaaaaaaaaaaaços, mas é bastante viciante e é um bom exemplo do tipo de mercado que a Nintendo está tentando abocanhar – o mercado dos gamers casuais, do tipo que não sabe o que é Final Fantasy mas acharia o maior barato brincar de fazer comidinha na fila dos correios se tivesse a oportunidade. Só tome o cuidado de não deixar sua namorada ver o jogo, ou você nunca mais verá seu DS.

***
E vamos ficando por aqui. Há uma porrada de títulos que eu serei crucificado por não mencionar, como o remake de Final Fantasy 3, os dois novos episódios de Castlevania (Dawn of Sorrow e Portrait of Ruin, respectivamente), Zelda Phantom Hourglass (considerado pela mídia especializada como o melhor Zelda desde Ocarina of Time), o genial puzzle Meteos, e por aí vai. Bom, ao menos mencionei por alto agora.

E vamos ao que interessa – a pirataria. Burlar direitos autorais com o DS nunca foi tão fácil – tendo posse do M3 Simply (um aparelhinho que custa míseros 50 dólares), a única coisa que você precisa fazer é jogar ROMs de DS num cartãozinho microSD e acabou-se a história. Como já mencionei, jogos de DS são absurdamente minúsculos, o que garante que você terá adquirido toda a coleção de jogos AAA+ em uma noite só.

Devo ter esquecido um monte de coisa, então donos de DSs sintam-se à vontade pra apontar meus erros.

Bom, agora você sabe tudo ou quase tudo sobre os consoles da nova geração. Qual você escolheria?

julho 19, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Devido à minha recente empolgação com os intermináveis títulos de DS que agora tenho acesso gratuito, acabei fazendo bastante propaganda não-intencional do console, ao ponto de que pelo menos três leitores já estão agilizando as compras dos seus portáteis. Há vários outros também interessados, mas a decisão final está dependendo de uma análise cuidadosa do concorrente do DS, o PSP. As capacidades multimídia do portáril da Sony são bastante atraentes pra consumidores de um país em que não se pode manter muitos gadgets, então aquele que quebra mais galhos e desempenha mais funções acaba sendo o favorito. Por que comprar, digamos, um videogame portátil e um MP3 player quando eu posso comprar um que faz as duas coisas? Na prática a coisa acaba não sendo tão simples assim, mas isso é dos vários pontos que eu vou tocar mais tarde ao longo deste post.

Atendendo a diversos pedidos que datam do ano passado quando eu fiz aquele dossiê comparativo dos consoles next gen, aqui vai o Relatório HBD de Portáteis.

Por nenhum motivo em especial, vamos começar com o PSP.


O PSP é o primeiro portátil da gigante Sony e, como primeira empreitada no ramo, até que a Sony não se deu tão mal assim. Se você for ver o histórico de empresas que no passado tentaram desafiar a hegemonia da Nintendo no campo de videogames de bolso, encontrará apenas os cadáveres de aparelhos que não ofereciam nenhum tipo de desafio pros Game Boys.

O PSP é marketeado não apenas como um videogame, mas como uma potente central portátil de entretenimento. O console toca MP3, filmes (tanto em discos UMD como filmes em formato .mp4), visualiza imagens e acessa internet. Ah, e parece que roda jogos também.

No papel isso parece incrivelmente miraculoso, mas na prática a coisa é um pouco diferente. Pra começar, usar o PSP como mp3 player é incrivelmente “desconfortável”, por assim dizer. O aparelho é muito grande pra caber bem num bolso e as partes móveis internas são frágeis demais pra um aparelho como um mp3 player, que irá com você pra onde você for. O mesmo vale pra telona de cristal líquido do console – linda pra jogos e filmes, pra um imã de riscos em algo que sairá com você sempre que você pôr os pés fora de casa. Com essas ressalvas, o player do PSP é competente, com várias opções como playlists, suporte a WMA, navegação por pastas múltiplas pra organizar as músicas, etc etc e etecéteras.


O player de mp3 do PSP em ação
Há também o suporte a imagens. A telona de 480 por 272 do PSP é incrivelmente nítida pra mostrar fotografias, e embora não seja exatamente o tipo de uso que convencerá o gamer a comprar o console, é uma adição bacana. Afinal, a telona está lá, o espaço de armazenamento está lá. Por que não me deixar levar comigo fotos das viagens das últimas férias pra mostrar pra desconhecidos na fila do banco? Assim como o player de mp3, você pode separar suas imagens por pastas pra facilitar organização e pode até mesmo usar uma dessas imagens como papel de parede do console. Não é uma coisa essencial mas é legal.

Tem também o suporte a filmes. Como mencionei, o PSP roda os disquinhos de formato proprietário UMD…


…que tiveram o mesmo nível de sucesso que todas as outras mídias proprietárias da Sony (Mini Disk, Memory Stick, Betamax, etc), ou seja, nenhum. Parece que a Sony pensa que porque participou da “invenção” do CD, ela pode sair reinventando a roda cada vez que põe no mercado um aparelho que precisa de mídia. Como imaginado, o UMD acabou se tornando um formato praticamente defunto. É difícil achar lojas que ainda os vendam e eu estou apenas esperando o momento que os Walmarts da vida dirão “ahhh, foda-se” e colocarão diversos filmes em UMD em liquidação de fim de estoque por $1,99 pra eu poder fazer uma coleçãozinha legal. Até o momento, Snatch é o único filme que possuo.


Há também o navegador. O PSP vem equipado com um rádio wifi, ou seja, se você tiver um router wireless em casa, tá feito. Novamente, a imensa tela do PSP é um ponto forte do console. Eu sou acostumado a navegar a internet em aparelhos portáteis e as telas pequenas tornam a experiência quase insuportável, dependendo do site. A tela generosa do PSP deixa a coisa mais confortável, as páginas não precisam fazer contorcionismo pra caber direitinho no visor. O navegador do PSP está bem a frente de outros navegadores portáteis, com suporte a flash, java (yay, mandar scraps no orkut enquanto cago!), e outras bobagens.

Por último e não menos importante, os JOGOS. O PSP começou devagar, como todo console, e estava levando uma sura homérica do DS no departamento de jogos. Mas a Sony correu atrás do prejuízo, as third parties seguiram o exemplo e no momento o PSP já tem vários títulos que justificam a compra do console. Os mais bem cotados:


Crush
Um puzzle que usa uma mecânica muitíssimo curiosa – você precisa constantemente mudar a percepção do cenário entre 2D e 3D pra explorar o ambiente e chegar em áreas não atingíveis. É bem difícil entender o conceito do jogo apenas lendo a descrição, então veja esse vídeo.


Burnout Dominator
A versão portátil mais recente do clássico da Criterion. Se você conhece a série no PS2, já sabe o que esperar da versão portátil – velocidade estonteante, gráficos de lamber os beiços, modelos de carros imaginários (o que é um ponto fraco da série, estraçalhar uma Ferrari seria bem mais satisfatório) e, claro, batidas e capotadas espetaculares.

Não achei nenhuma boa screenshot 😦
Ratchet and Clank Size Matter
Eu nunca fui fã da série e não joguei nenhum dos episódios, mas segundo as resenhas especializadas o jogo é do caralho. Não é qualquer jogo que recebe nota 9 no IGN, né.


Metal Gear Solid Portable Ops
Idem ao jogo acima. Nunca senti tesão na série, e apesar de ter baixado a ISO do jogo, nem tive interesse de jogar. O jogo oferece uma storyline nova no universo da série, o que já vale a compra pros fãs do Snake ou sei lá qual o nome do personagem principal. Também há um modo online, o que é interessante.


Killzone: Liberation
Nas palavras dum resenhador do GameTrailers, “K:L é o jogo que todo desenvolvedor deveria passar algum tempo jogando antes de criar jogos de tiro pro PSP“. E não é por menos – o jogo é um shooter muito robusto, que dá dribles ao redor do problema de controle do PSP (especificamente, a falta de um segundo stick analógico), com gráficos e física muito realistas, inteligência artificial marcante e, como se isso não fosse o bastante, armas destraváveis, missões baixáveis (pelo próprio PSP) e vários modo de jogo online com suporte a voice chat.

Killzone Liberation é sem qualquer dúvida um dos melhores jogos do portátil. Uma resenha mais profunda do game aqui, escrita por este que vos fala. Er, este que vos escreve.


Grand Theft Auto Vice City Stories
Três palavras: Vice City Portátil.

Pronto. Não precisa falar mais nada.


Loco Roco
Loco Roco foi um dos primeiros jogos do PSP. O jogador controla o equilíbrio do cenário, usando os botões L e R, empurrando os Loco Rocos pra este lado ou aquele até chegar ao final do colorido labirinto que é a fase. Deu pra entender? Assim como Crush, Loco Roco é um daqueles jogos bem criativos que desafiam descrições. Ele também é extremamente viciante.


Tekken Dark Ressurection
Tekken portátil.

Precisa dizer mais alguma coisa? Não.


Field Commander
Já ouviu falar de Advance Wars, aquela série de estratégia turn based do GBA? Então, Field Commander é a MESMA COISA, mas com gráficos 3D, sons realistas e jogatina online. Ou seja, se você é como eu (que curte jogos de estratégia mas não suporta a apresentação tosca de Advance Wars), você vai adorar Field Commander. O jogo trás um modo multiplayer popular nos tempos de outrora mas quase morto atualmente, o Mail Play. Você loga no servidor, encontra um oponente, e faz a jogada. Aí você pode desconectar e viver sua vida. Amanhã você conecta de novo, loga no servidor, baixa a jogada do oponente, faz a sua, e desliga o videogame novamente. Tudo bem que a partida durará dezoito anos, mas é um formato bem conveniente praqueles que gostam de desafiar oponentes ao redor do mundo mas não têm muito tempo pra isso.


Mega Man Maverick Hunter X
Lembra de Megaman X, do SNES? Então, Maverick Hunter X é um remake daquele clássico, com gráficos 3D bonitosos, trilha sonora toda masterizada, e intros em FMV. Praqueles que não conheceram o clássico, MHX é um sidescroller/platformer muitíssimo competente, com bastante variedade de inimigos, powerups e fases. Ou seja, absolutamente imperdível mesmo se você não era um fã de Megaman.

E vou parando por aqui porque tou com preguiça de continuar fazendo essas mini resenhas dos jogos. Ou seja, o PSP já tem a essa altura do campeonato uma biblioteca invejável. Shooter online, puzzles, estratégia, corrida, há jogos pra todos os gostos.

E o ponto principal que motiva ou desmotiva a compra, pelo menos pros gamers brasileiros – e a pirataria? Pra poder acessar bilhões de ISOs de jogos de PSP no torrent mais próximo, você precisa modificar o firmware do seu PSP. Versões abaixo da 2.81 podem fazer isso precisando apenas de alguns arquivinhos no Memory Stick. Versões superiores necessitam do UMD original de Lumines, que é a propósito outro jogaço do console. O processo de mexer no firmware do console trás inerentes riscos; faça merda no processo e seu PSP se torna um peso de papel. Considerando o custo/benefício, o risco vale a pena. Até porque o índice de PSP brickados em downgrades é baixíssimo. Mais baixo até, eu arriscaria dizer, que o número de Xbox 360 fodidos por 3RL, que podem acontecer virtualmente a qualquer momento com qualquer console.

Uma vez que seu console está destravado, basta se equipar com um memory stick de pelo menos 2gb (ISOs de PSP variam entre 300mb e 1gb) e sair baixando os jogos do seu agrado. Após downgradear o console, você pode instalar uma versão custom dos firmwares mais recentes, que têm todas as novas funcionalidades mas ainda permitem rodar jogos piratas. Uma dessas funções totalmente delícia é a possibilidade de rodar jogos de PS1 no seu PSP. Eu tenho a impressão que isso, por si só, já motivaria muitos saudosistas a comprar o console e arriscar o downgrade. E falando em saudosismo, o PSP é capaz de emular NES, SNES, Mega Drive, Game Boy e já está começa a dar os primeiros passos na emulação de Nintendo 64. E emulação DECENTE, com savestates com direito a thumbnail da área onde você salvou o jogo, remapeamento de botões, opções de visualização, cheat codes, ou seja, TUDO.

Novamente, só isso já justificaria a compra do negócio. Imagina andar por aí com 200 ROMs de SNES e Mega Drive no bolso. Por quase três meses, tudo que eu joguei no meu PSP foi Super Mario World, Blackthorne, Zelda: A Link to the Past e Pitfall.

Resumão – o que era antes um saco de pancadas do DS em questão de vendas agora é um console competente, com funções bastante atraentes e uma coletânea de jogos que agrada qualquer tipo de gamer, especialmente se você puder hackear o seu console. Se eu tiver esquecido algum detalhe, donos de PSP, a caixa de comentários está aí.

Agora você conhece o PSP.

Amanhã você conhecerá a concorrência.

julho 16, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Um extraordinário evento recente me fez interromper a fabricação dos posts prometidos (assim como a preguiça de termina-los) pra trazer boas novas a todos os bons nerds dessa terra brasileira.


Lembra que eu comentei que compraria um DS Lite só pra comemorar o lançamento de Settlers DS? Então, eu não estava exagerando.
SIM SIM SIM SIM. A porra de Settlers DS, o jogo que mais me fez passar vergonha nessa vida. Cansei de passar por lojas de artigos eletrônicos/games e perguntar pros balconistas quando é que a porra do jogo sairia, apenas pra receber um “não sei, ó” dos mesmos vendedores, mês após mês. Settlers DS foi prometido em junho de 2006 pra novembro do mesmo ano, foi atrasado pra março, depois pra abril, depois pra julho, e finalmente agosto. Mas peraê, ainda não estamos em agosto. Como eu descolei o joguete, você me pergunta?

Eu recentemente criei coragem pra finalmente comprar meu M3 Simply. Pros leigos, M3 é um aparelhinho que à primeira vista parece um cartucho comum de DS, mas ele na verdade é um troço milagroso que permite rodar ROMs de DS no próprio console. O negócio tem um slot pra cartões microSD, e como eu já tinha um de 1gb dando sopa aqui em casa, bastou lotar a mídia de ROMs baixadas às pressas e pronto. A utilização do cartão é ultra simples – como o próprio nome sugere -: coloque ROMs no seu cartão microSD, enfie-o no M3, enfie este no DS, ligue e acabou-se.

As pirateações recentes desses consoles novos geralmente exigem que você fuce com o firmware do videogame e tal, num processo que pode resultar na destruição do seu brinquedo. Aí que entra outro ponto lindo do M3 Simply – ele não exige nenhum tipo de esforço nesse sentido. A parada é simples mesmo, “à prova de idiotas” como dizem os gringos. Se você tem um DS e ainda não tem um M3, você não sabe o mal que está fazendo a si mesmo. ROMs de DS tem no máximo 128mb e alguns jogos (como Mario 64 DS) cabem em parcos 15 megabytes. Como eles enfiaram aquele jogo em 15 mb eu não sei, mas aí está ele. Você tem idéia de quantos jogos você poderia baixar em um só dia? Eu sei quantos – oitenta e três. É jogo que não acaba mais. Procure um M3 na loja online mais próxima de você (o negócio custa apenas 40 dólares porra, é o preço de UM jogo) e faça esse favor a si mesmo.

Então, como o mundo da pirataria não é limitado por convenções bobas como tempo ou previsões de lançamento, os ráqueres arrumaram um cartucho de Settlers DS de alguma forma e puseram a ROM na internet pro bem geral dos nerds pobres e/ou impacientes.


Passei o dia hoje no trabalho fingindo mal estar e correndo pro banheiro pra jogar Settlers DS (até o momento que o calor da cidade combinado como calor do restaurante realmente me fizeram passar mal) e tirar minhas primeiras impressões. Logo de imediato foi difícil ser imparcial e honesto identificando defeitos do port, afinal de contas, é Settlers portátil, porra! O jogo que ocupou maior parte da minha infância nos longíquos anos 90! Mas após a segunda ou terceira hora de jogada, eu me recompus e pude analisar o jogo pelo que ele realmente é.

À primeira vista você percebe logo que a tela do DS é um pouco microscópica demais pra um jogo com um escopo tão grande como Settlers. Pra você ter uma noção da coisa, mesmo quando eu jogava no PC às vezes a minha cidade ficava tão grande e tão espalhada que organizar a logística dela se tornava cansativo e eu começava um novo jogo. Então, a telinha do DS exibiria um desafio, uma necessidade de mudar a forma como eu levava o passo do jogo.

Há um botão de zoom out, mas você não o usará porque ele torna o jogo, bem, injogável. O frame rate cai pra casa dos single digits e a resolução vai pra puta que pariu, boa sorte tentando clicar nos dois ou três pixels que antes eram um moinho ou uma fazenda. O lance é encarar o jogo no formato inicial mesmo.

Eu não sei explicar COMO, mas uma hora você se adapta à tela reduzida. Apenas um mínimo de paciência é requerido, e olha que você está lendo um texto escrito por alguém que detesta RPGs (eletrônicos, que deixe-se claro) porque há muita conversa e história. Ou seja, eu sou o cara mais impaciente do mundo.

Usando os direcionais você mexe o mapa por aí, levando-se aos locais onde atenção é necessária. A tela superior exibe os menus de opções e outras bobagens do tipo, e pressionando o L você troca a posição das telas, ou seja, o que antes ficava no LCD superior vai pra touch screen e pode ser manipulado. Funciona de uma forma extremamente intuitiva.


Até onde joguei a conversão está perfeita. Todas as unidades e construções estão lá. Há quatro “raças” diferentes, dois modos de campanha, e um modo “free play” (que é o meu favorito). Desgraçadamente não há um modo multiplayer, e eu jamais perdoarei a Ubisoft por isso. Com exceção da ausência da jogatina em grupo, o desafio de gerenciar a sua cidade (que tende a se tornar imensa) na tela pequena do DS é a única ressalva em relação ao jogo. O fato de que se trata de Settlers portátil vale a pena o desafio.

Tou de saída com a mulé pro Stampede, um mega evento local que é mais ou menos tão aguardado como o Carnaval aí embaixo, e se eu pudesse levar o DS pra jogar Settlers quando a mulher não estivesse prestando atenção sem que isso me fizesse correr o risco de dormir no sofá, eu levaria.

julho 14, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

O legal de demorar a atualizar é que a galera fica feliz quando carrega a página, não reconhecem os primeiros parágrafos do post do topo e percebem que se trata de um texto fresquinho. Quando os posts são menos frequentes, é quase como uma ocasião especial.

Post das patricinhas quase finalizado, post da polícia na metade, dois parágrafos de uma resenha cinematográfica já no papel, e já tou pensando num joguim de SNES das antigas pra debulhar no blog.

Tá bom demais.

julho 11, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Agora que já brinquei bastante com o meu console novo, sobrou um tempinho pra dar as terceiras impressões sobre a parada.

Sim, terceiras impressões porque as minhas primeiras foram postadas há algum tempo, naquele dia que eu resenhei os três sistemas next gen com toda a ignorância de alguém que não possuia nenhum deles. Não que eu tenha falado muita merda, mas minha opinião sobre os consoles mudaram consideravelmente após finalmente possuir 2/3 deles. O Xbox 360, pra quem não lembra, foi definido por mim naquele post como “o console não-fede-nem-cheira da nova geração”. Aí saiu Gears of War e eu mudei de idéia tão drasticamente que comprei o console literalmente na manhã seguinte após ter visto o trailer do jogo pela primeira vez.

Como eu estava dizendo, aquele post foi minha primeira impressão sobre o Wii. A segunda veio meses depois, quando eu joguei Excite Truck pela primeira vez numa loja de jogos eletrônicos. E a terceira (e provavelmente definitiva) impressão chegou com a compra e subsequente profunda exploração dos recursos e potenciais do console da Nintendo.

Vamos começar pelo começo.

Eu e a namorada trabalhamos próximos um do outro, então quando nossos turnos coincidem, voltamos pra casa de bicicleta juntos. Na sexta feira, eu ouvi de fonte seguríssimas que a BlockBuster local tinha recebido um carregamento de jogos novos de DS, e um de tais jogos era o esperadíssimo Sim City DS (sim, eu sei que as resenhas não foram exatamente magníficas, mas eu quero assim mesmo, favor foder-se). Então fui à loja com a namorada. Qual não foi a minha surpresa ao passar na frente da vitrine da loja e ver algo que eu jamais tinha visto antes:

A caixa de um Wii.

Como os antenados devem saber, o console esteve bastante escasso por essas bandas. Eu ligava pra Best Buy/Toy Are Us/Future Shop e perguntava quando eles receberiam um novo carregamento. Eles diziam “sexta feira, cara!”. As lojas abriam às dez da manhã, eu chegava lá ao meio dia e os Wiis já haviam esgotado. Sexta feira foi a primeira vez que eu vi uma caixa do negócio numa prateleira, pronto pra ser pego por um sortudo com bom senso de oportunidade.

Quase caí da bicicleta quando vi a parada. Joguei-a na calçada e entrei correndo na loja.

“Aê, cês tão com Wii no estoque ou aquilo ali é pra atrair otários?”
“Temos sim, amiguinho!”

O coração saltou. Fiz um cálculo mental de quanto continuaria na minha conta bancária após a compra, o resultado foi aceitável. Puxei o cartão e apontei pra vitrine.

“Me dá um aí faz favor, amigo.”

Sabendo que eu provavelmente seria assassinado se chegasse em casa com um Wii e apenas um Wiimote, peguei também o fedorentíssimo WiiPlay, que é basicamente um DVD com uns dez jogos escrotíssimos e totalmente inúteis que a Nintendo se deu ao trabalho de produzir apenas pra poder vender junto com um Wiimote por dez dólares mais caro do que o Wiimote sem o jogo.


Pura alegria na forma de plástico e componentes eletrônicos.

Desempacotei o negócio com fúria comparável apenas a do célebre Nintendo 64 Kid, liguei na televisão da sala e pus o troço pra funcionar – não sem antes, claro, correr até o pé da escada e berrar “NEGADA, VENHAM VER ISSO AQUI!”

Fiz isso porque eu queria pôr em prática o mito mais ouvido em relação ao Wii – o que atesta o poder quase inacreditável do console de conquistar até mesmo gente que não tem o menor interesse sequer em jogos de vídeo.

A turma toda aparece na sala e eu dou uma breve palestra sobre o produto. É um videogame novo, controle revolucionário, blá blá blá. Eu podia estar dando uma explicação a respeito da bolsa de valores de New York e os efeitos da poluição nos bosques da Noruega e eles não teriam aparentado maior desinteresse. Era o que eu esperava mesmo.

Aí pus WiiTennis pra rodar.

Bastou apenas rebater a primeira bola que o computador mandou contra mim pra ver os olhos do meu pai e madrasta se expandirem até tomar conta de toda sua expressão facial. Pera, como assim, você rebate o controle e o bonequinho na tela se movimenta igual? Que MACUMBA é essa que você trouxe pra dentro da minha casa, Israel? Como isso é possível? Não pode ser! Tem algum truque aí, seu irmão deve estar sentado atrás do sofá com um controle “de verdade” movimentando o bonequim, fala a verdade.

Quase que imediatamente meu pai se levanta do sofá extendendo a mão pra mim. “Deixa eu ver, deixa eu ver!”. Meu pai, um engenheiro de 40 e sei lá quantos anos, um homem feito na vida, com família pra criar e contas pra pagar, me enchendo o saco pra ver meu videogame tal qual os moleques do trabalho quando eu apareço com o PSP por lá. “DEIXA EU VER ISSO AÍ, DEIXA EU VER!

Nesse momento, eu já me dei por satisfeito pela compra. Ver essa reação e confirmar a magia que o Wii exerce nos não-jogadores valeu a pena.

Expliquei pro véio como mover o controle, e a explicação se limitou a “apenas mova o controle como você moveria a raquete”.

“Que botão aperto pro bonequinho rebater?”

“Nenhum. Só rebata.”

O homem acenou afirmativamente, dizendo que tinha entendido a explicação. Peguei o outro wiimote e fui jogar contra ele. O coroa perdeu as primeiras bolas, graças à ignorância em relação ao timing necessário pra rebater a bolinha virtual. Três tentativas depois ele pegou o jeito. E um sorriso imenso não saiu mais do rosto dele.

A madrasta foi a próxima, pedindo pra pegar meu o controle da mesma forma como meu pai tinha acabado de fazer. Entreguei o controle pra ela e dei dois passos pra trás, pra contemplar a cena – meus pais jogando videogame. Simplesmente inacreditável.

Mais ou menos uma hora depois eles finalmente cansaram e pediram pra eu mostrar outro jogo. Como não havia na loja nenhum jogo que eu queria (especificamente, Resident Evil 4, Red Steel e Super Paper Mario), eu tava apenas com o WiiSports mesmo. Então coloquei o WiiBoxing pra eles.

Meia hora de jogo depois, meu pai ofegava e suava, cansado. O véio teve um piripaque cardíaco há algum tempo, e o médico recomendou exercícios que elevem a atividade cardíaca dele. Ele foi o primeiro a relembrar a família inteira do conselho clínico após jogar no Wii, todo satisfeito por ter encontrado uma forma divertida de seguir o aviso do médico.


A interface da parada, algo que eu imagino que muitos de vocês desconhecem.

Após todo mundo ter cansado de jogar (olha que demorou, todo mundo jogou contra todo mundo pelo menos duas vezes antes de isso acontecer), passamos pra segunda parte do processo de aclimatizar a família ao console – a criação de miis. Outro ponto que a Nintendo acertou em cheíssimo. Poder costumizar personagens é um negócio que sempre dá certo, sempre deixa o jogador mais envolvido com o mundinho virtual reproduzido pelo videogame.

Todo mundo tomou turnos pegando o wiimote e construindo suas imagens e semelhanças virtuais no console. Rolou muita risada, muita tiração de onda em cima de defeitos de fisionomia (“ah, peraê, aumenta esse nariz, aumenta essa testa, entorta mais esse olho aí, AHAHAHHAHAHAHA agora sim”), e no final cada membro da família teve sua representação digital na tela.


Até daqueles que não vão nem sonhar em chegar perto do meu console. Aliás, o Mii do Kevin foi o que proporcionou mais gargalhadas. Após fuçar bastante nas opções do software, eu ainda não conseguia chegar numa imagem que representasse bem o moleque.

Então tive um estalo – como todos os bebês, Kevin tem uma cabeçorra imensa do caralho. Eu percebi que poderia reproduzir o efeito da cabeça gigantesca do moleque, bastava trazer todas as feições do rosto do bonequinho pra baixo. E saiu isso aí – a testa imensa do Kevin, uma marca registrada da família Nobre. E todo mundo riu quando o resultado final apareceu.

E esse foi basicamente meu primeiro dia com o Wii. como eu trabalho no fim de semana e sempre costuma ter festinha (fui a uma na sexta e tou me arrumando pra uma aqui perto de casa já já), não tive tempo de experimentar melhor o console nem de sair caçando jogos pra ele. A namorada alugou Trauma Center, mas ela ainda está no trabalho e provavelmente só jogarei a parada amanhã de noite já que eu trabalho amanhã de manhã.

Mas o pouco que o console me mostrou me agradou muito. Arrisco dizer que foi uma compra melhor até que o Xbox 360. Gears of War tem gráficos que humilham qualquer outro jogo lá fora, mas isso não faz minha família querer fazer parte do meu hobby.

julho 2, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário