Hoje é um Bom Dia

Entretenimento é sem qualquer dúvida a indústria mais poderosa do planeta. O ramo é um gigante econômico que emprega bilhões de pessoas, envolve toda a nossa sociedade contemporânea e praticamente define o estilo de vida ocidental. Cinema, literatura, música, esportes, videogames, sexo e drogas são apenas alguns dos itens que ajudam a movimentar trilhões de dólares ao redor do planeta todo santo dia, com a mesma finalidade – diluir um pouco a concentração de momentos insuportáveis no nosso cotidiano, tornando cada dia mais ou menos aguentável e reduzindo a quantidade de suicídios a um número aceitável.

Os seres humanos estão dispostos a pagar qualquer quantia monetária necessária pra se distrair, ainda que apenas por alguns instantes. Não é à toa que a cada nanossegundo um valor equivalente ao PIB de toda a Europa + 68 centavos é gasto em alguma faceta do mercado do entretenimento. Olhe pra você mesmo – você está lendo um blog, ouvindo mp3, baixando um screener de Transformers e planejando ir ao shopping mais tarde pra comprar um cinto de rebites ou um CD do My Chemical Romance. Entretenimento ocupa boa parte da nossa atenção, e já tanto já faz parte das nossas vidas que você talvez nunca tenha parado pra pensar nisso.

Por ser uma necessidade inviolável, o entretenimento se tornou mais uma das muitas áreas em que os seres humanos investiram sua genialidade e mostraram-se extremamente eficientes, assim como as cirurgias neurológicas, o programa espacial e em pôr a culpa dos nossos erros nos outros.

Mas apesar de todos os nossos impressionantes avanços na arte da diversão, que vão desde a invenção da montanha russa até o desenvolvimento de complexos algoritmos de compressão que permitem que filmes inteiros da Jenna Jameson ocupem parcos 200 megabytes, a genialidade humana não chega nem perto de rivalizar aquela da Mãe Natureza, que desenvolveu a melhor ferramenta de entretenimento conhecida – a gravidade. A força inexorável que atrai corpos em direção ao centro da terra, provocando situações incrivelmente favoráveis para a extração de humor.

Antes de Sir Isaac Newton explicar a lei da gravitação universal, nós só podíamos apreciar a queda de um coleguinha de classe superficialmente. Joãozinho é um retardado do caralho e não percebeu que seus cadarços estavam desamarrados, trazendo seu rosto ao encontro da mesa na sua frente. Ponto final. Rir de alguém se estabacando no chão de cimento era um passatempo unidimensional. O único proveito era a forma; a imagem da queda. Não havia nenhum conteúdo, nenhuma elaboração. Uma piada visual e nada mais.

Após Newton, a ciência relacionada ao fenômeno da queda desmistificou as forças invisíveis que trabalham contra os menos equilibrados, mas a favor da nossa diversão. Agora entendemos que há uma força atraindo corpos numa proporção inversa à distância que os sepada ao quadrado, ou seja, apreciar quedas deixou de ser uma diversão das massa e pôde ser apreciada pelo corpo acadêmico sem peso na consciência por pensar que estão tomando parte em uma atividade do povão. Newton simultaneamente revolucionou a ciência e a comédia.

Outro dia eu fui relembrado a respeito da forma como algo tão simples e corriqueiro como a gravidade (ok, não é “simples” porra nenhuma) pode ter o potencial de arrancar lágrimas de riso e praticamente asfixiar alguém nas próprias risadas. Bom na verdade não foi “no outro dia”, a parada aconteceu quando eu ainda trabalhava no Wendy’s. Acontece que eu esqueci que tinha começado a escrever esse post e só retomei a continuação agora. ENFIM.

As quartas feiras eram os dias em que os fritadores (se eu posso chamar assim) do restaurante precisavam ser drenados, esfregados com esponja e sabão cáustico, e em seguida reabastecidos de óleo. E adivinha quem executava tão vital operação – euzinho aqui.

Protegido sob um longo avental de borracha (acho que era borracha) que poderia facilmente ser considerado o material mais gorduroso e seboso da face terrestre, ganhando até mesmo de outras superfícies como o interior das tubulações de plataformas petroleiras ou o rosto de um ex-companheiro de trabalho, eu tinha que me submeter à desonra de limpar aquela porcaria. Como se pode imaginar, o trabalho de drenar o óleo sujo da máquina de fritar batatas não era uma ciência exata. O chão acabava invariavelmente totalmente coberto por uma fina lâmina de óleo, reduzindo o atrito em certos locais do restaurante a números negativos. Acho que vocês já tão vendo pra onde essa história está indo.

Por causa da CALABREAGEM (um termo inventado pela minha querida vovozinha que é sinônimo de “bagunça e/ou sujeira”) oriunda da limpeza das máquinas, lavar o chão do restaurante era o passo final que não podia faltar. Acontece que no tempo que eu demorava pra ir pegar o balde e o esfregão, o trânsito no interior do restaurante não era paralisado. Todo mundo continuava indo pra lá e pra cá executando suas funções normais, andando bem do lado de fornos e chapas quentes sobre chão totalmente coberto de óleo. Era minha tarefa limpar a sujeita o mais rápido possível e impedir que alguém fosse parar dentro das máquinas que eu tinha acabado de limpar.

Enquanto estou enchendo o balde com a solução desengordurante, a Courtney passa deslizando, jogando os braços em todas as direções permitidas pelo nosso mundo de três dimensões, finalmente achando apoio numa prateleira de pão. Se recompondo, ela olha pra mim rindo e fala que eu preciso terminar logo de limpar a parada antes que alguém acabe morrendo. Eu explico que já estou tomando conta da coisa e a menina volta aos seus afazeres. Antes mesmo que eu tivesse tempo de chegar no local e retomar a limpeza, um dos outros moleques passa DESLIZANDO DE COSTAS no chão. O moleque carregava aqueles pacotinhos de ketchup dentro de uns containers de metal, que obviamente foram parar respectivamente no ar e no chão, fazendo aquela barulheira característica que containers de metal repletos de pacotinhos de ketchup fazem quando caem. Pro infortúnio do rapaz, alguns pacotinhos de ketchup acabaram presos entre o corpo dele e o chão. O invólucro que contém o condimento não foi projetado pra aguentar a pressão exercida por um canadense, e os pacotinhos explodiram pintando com ketchup o uniforme AZUL do moleque. Bom, o uniforme era azul antes de entrar em contato com superfície coberta de óleo sujo. A cor mais aproximada do uniforme do moleque sugeria que o coitado havia mergulhado numa poça de lama e em seguida participado de um combate de paintball em que apenas balas vermelhas podiam ser utilizadas. Numa cena que faria até mesmo Don Quixote de la Mancha sentir vergonha alheia, o menino tentou se erguer com as mãos, mas não conseguiu tração satisfatória e escorregou de novo, dessa vez caindo de lado na mistura de óleo com ketchup.

Eu não posso nem começar a descrever o quanto eu ri da cena sem esboçar um largo sorriso. Larguei o esfregão, me apoiei contra a parede e segurei a barriga, que rapidamente começou a doer graças às gargalhadas. A barulheira chamou a atenção dos outros funcionários, que também chegaram escorregando no chão mas que ao contrário do outro infeliz conseguiram manter o equilíbrio. Montou-se uma rodinha em volta do cara e todos simultaneamente alternavam entre rir do cara, rir e apontar pro cara, e rir, apontar pro cara enquanto se apoiando nos ombros dos outros, tanto pela falta de ar provocada pelas risadas, quanto pelo baixíssimo atrito do chão.

Eventualmente a gracinha perdeu a graça, e todos voltamos às nossas posições…

…até que alguém teve a genial de acessar as câmeras de segurança do restaurante e rever a queda. Em três ângulos diferentes, em diversas velocidades de reprodução (primeiro em velocidade normal, depois em câmera lenta, e finalmente em velocidade acelerada, o que aumenta ainda mais o teor cômico da cena).

Até hoje me arrependo de ter me demitido sem antes obter uma cópia dos vídeos.

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agosto 28, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Postzinho remixado no estilo “Melhores Momentos”. Hoje é domingo, meu único dia de folga, porra.

Uma das grandes vantagens de sair do Nordeste pra ir morar no exterior – além do acesso à tecnologia barata que permite um retirante cearense exibir uma televisão de 50″ de alta definição em sua sala, apreciar épocas do ano em que as temperaturas não fazem os líquidos no seu globo ocular ferver e a quantidade consideravelmente inferior de calangos espreitando embaixo da pia do banheiro – é ser exposto à mundialmente notória e surepreendentemente divertida estupidez gringa.

Já mencionei a célebre burrice norte-americana centenas de bilhões de vezes apenas na semana passada aqui no HBD, mas quase sempre eu me referia à burrice no sentido acadêmico. Felizmente, a estupidez destes branquelos não se limita a ignorância relativa a conhecimentos gerais escolares. Eu já fui alvo de perguntas geniais e nem um pouco imbecis como “Existem hamburguers no Brasil?”, “Você já tinha visto um carro de controle remoto antes de sair do seu país?” ou até mesmo “Vocês têm macacos de estimação, ou geralmente se contentam com uma ou duas jibóias?”.

E sinto uma dor no coração quando algum amigo canadense me faz uma pergunta dessas com o maior olhar de inocência no rosto. Tento vasculhar o semblante do sujeito por traços de arrogância ou até mesmo sarcasmo, já que essas características são geralmente encontradas em piadas mal-intenciondas, mas pra minha (antiga) surpresa, a molecada realmente achava que o Brasil ficava na Europa e que nosso presidente era também capitão da seleção nacional de futebol. As perguntas eram genuinas, por mais incrível que parecesse.

E por isso eu me sentia super mal em destruir suas fantasias de um Brasil retrógrado e absolutamente fodido (bom, MAIS retrógrado e MAIS absolutamente fodido, de qualquer forma). Como explicar pra um canadense que sim, nós temos TVs no Brasil, ou que não, não moramos em casas feitas com papelão e barro? Você conseguiria admitir pra um gringo que você fala inglês fluente e que nao precisa que ele fale separando sílabas ou berrando dentro do seu ouvido? É praticamente como admitir pro seu filho de 8 anos que Papai Noel foi preso na véspera do Natal por acusações de pedofilia – pode até ser verdade, mas todo mundo ficará mais feliz se seu mundinho de fantasia for mantido graças a uma mentirinha de bom coração.

E foi pensando no bem estar dos meus amigos caucasianos que durante esses quase três anos em que eles me emprestaram seu Canadá para que eu possa chamar de lar, eu teci amáveis lorotas sobre nossa Pátria amada salve salve. Esses factóides tiveram bastante uso, e eu carregava uns três ou quatro nos bolsos praquele inevitável momento em que alguém do grupo vira pra um fulano qualquer e fala “Ah, é? Isso não é nada, olha o Izzy aqui, ele é brasileiro!”

Apreciem com moderação e usem com discriçao.

1) A moeda oficial brasileira é o olho de baiacu, de preferência fresco. A moeda antiga, pequenos pacotes de papelao contendo aproximadamente cinquenta gramas de arroz, foi abolida na Revolução Popular de 1997, que pôs no poder o primeiro presidente que não alcançou o cargo através do uso de Magia Negra.

2) Não, não temos televisores no Brasil. As tecnologias necessárias para a construção do aparelho (como as substâncias adesivas que fixam decalques plásticos que dizem “Panasonic” ao painel da TV) ainda não existem no nosso país, infelizmente. No entanto, temos macacos que desenham figuras festivas nas nossas paredes quando deixamos as janelas abertas por muito tempo. Modelos mais avançados desses símios conseguem desenhar quase três frames por minuto, o que dá uma breve ilusão de movimento caso você tenha esquecido de tomar seus medicamentos neste dia em particular.

3) Antes da chegada da Internet (e por extensão, Google, Wikipédia e derivados) ao solo brasileiro no mês passado, tínhamos um funcionário do governo que ia à praça na frente da igreja nos sábados para distribuir cópias em preto e branco de uma Playboy de 1976 e responder breves dúvidas sobre geografia.

4) A versão brasileira do que os países civilizados chamam de “processo jurídico” resume-se a ir à casa do seu oponente armado de talismãs e ramos de arruda e invocar entidades sobrenaturais que se encarregarão de causar diarréia initerrupta no seu desafeto até que ele concorde em devolver os 500 olhos de baiacu que ele pegou emprestado mês passado, e com “pegar emprestado” eu quero realmente dizer “tirou da sua sacola após entrar na sua casa por meio de um trator pela parede”.)

5) Nossos principais produtos de exportação são açúcar, futebol, carnaval e Doença de Chagas – uma assustadora moléstia tropical que faz seu coração explodir. Os métodos de prevenção mais populares incluem a) não morar no Brasil, b) mudar-se do país o mais rápido possível.

6) Produtos usados antes do advento da pasta de dente em 1998 incluem manteiga caseira, água sanitária e, mais frequentemente, nada.

7) O maior atentado terrorista em solo nacional aconteceu em julho de 2003, e o alvo foi o prédio do Ministério de Telecomunicaçoes em Buenos Aires. Um sujeito identificado como “seu José da Esquina” invadiu o casebre onde se localiza o Ministério e destruiu todos os tambores, impossibilitando comunicações com o vilarejo vizinho por quase trinta minutos até decidir-se que ir até lá andando com a mensagem em mãos era menos demorado que a tradução das batidas dos tambores. José foi preso e flagrante e em seguida recebeu uma condecoração do Presidente pelos seu papel no avanço da telecomunicaçoes.

8) A temperatura mais baixa registrada no país em seus quatro anos de uso do Sistema Internacional foi 35 graus Celsius. O frio era tão perceptível que boa parte da população usou camisetas nesse dia. Partidas de futebol foram interrompidas e escolas de samba mandaram os alunos pra casa mais cedo. No dia seguinte, uma onda de calor extremo matou 30% da população brasileira. O número é apenas uma aproximação; a contabilização do número exato de vítimas se tornou difícil uma vez que boa parte dos corpos entrou em calefação ao cair no asfalto quente. O filho do presidente havia emprestado a Calculadora Nacional pra um amigo da escola, o que dificultou ainda mais a contagem.

9) Em 1999, projetos sociais orquestrados por Sílvio Santos (um milionário que comprou o Brasil de Portugal na década de 70) geraram uma onda de melhorias atingiu o Brasil como uma bola de pé esquerdo no cantinho do gol: o salário mínimo foi elevado ao equivalente a 4 dólares por mês; “chutar cachorros nos domingos”, um costume nacional centenário, deixou de ser uma prática socialmente aceitável; o país importou quatro novas ambulâncias, o que não apenas elevou a frota nacional a quatro ambulâncias, mas também mudou o Brasil do segundo pro quinto lugar na lista de países com pior sistema de saúde no planeta.

10) A inserção de tijolos no útero, o método anticoncepcional recomendado pelo governo até pouco tempo, foi recentemente abolido. Postos de saúde agora distribuem grampeadores e ampolas com álcool.

11) O primeiro censo nacional (realizado pouco tempo após a adoção do sistema decimal em 1989) revelou que os sonhos de consumo dos brasileiros incluem fogões, meio quilo de cimento, e água filtrada.

12) O processo eleitoral brasileiro não envolve votações populares. Ao invés disso, os candidatos devem passar por uma bateria de testes físicos que envolvem levantamento de vacas, aragem com obstáculos, e recitar a tabuada do 7 de trás pra frente. Os finalistas então vão em debate público (que será tamborilado para todos os vilarejos próximos) em que cada candidato tentará, com suas próprias palavras, convencer os habitantes da aldeia que ele é de fato filho do deus Sol e que portanto deverá governar. O debate deverá durar oito dias; ao fim deles, o candidato que ainda quiser o cargo e/ou ainda estiver falando no palanque será coroado como Rei do Brasil. Caso todos os candidatos se matem na inevitável briga de foices que costuma acontecer nos primeiros dois minutos do debate, o espectador mais parecido com o último candidato a morrer é coroado.

13) O sistema penal brasileiro é considerado por especialistas mundiais como o mais avançado da América Latina. Tomem isso como exemplo – no mês passado um notório molestador de crianças foi sentenciado à pior pena dada a esse tipo de crime na Constituição Brasileira – 30 chicotadas em praça pública. Em países menos desenvolvidos como a Argentina, a pena teria sido no máximo 15 chicotadas.

Por algum motivo, após recitar alguns desses itens a antiga vontade de visitar o Brasil parece abandonar meus amigos.

agosto 19, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Agora sim posso finalmente dar a desculpa de estar sem tempo pra atualizar o blog sem me sentir como um exagerado.

Seguinte – eu dispensei aquela posição na cidade vizinha, mas continuo trabalhando como segurança pra mesma empresa, no tribunal federal da cidade. O salário é um pouco menor, mas como tou trabalhando onze horas por dia, seis dias por semana, continuo ganhando uma boladinha invejável. Eis uma fotografia deste que vos fala, trajando seu uniforme de guardinha de shopping, com direito a rádio no ombro e olhar de super herói direcionado ao horizonte, meio Gordon Freeman:


E sobre o trabalho? Puta que pariu, eu me sinto como se algum tipo de força superior intergalática tivesse olhado aqui pra baixo, e resolvido que eu merecia um descanso dessa minha vida de imigrante cearense. Basicamente, eu sou pago pra passar 11 horas fazendo porra nenhuma.

Não, não estou exagerando – os caras me pagam pra dar voltas nos corredores vazios do vigésimo andar de um prédio ainda em construção. O negócio é quase que totalmente vazio, com exceção do ocasional pedreiro passando reboque na parede ou coisas do tipo. Boa parte do prédio tá terminada, a maior parte dos andares já têm carpete, mobília e tal, mas ainda faltam alguns retoques, passar fiação, sei lá que diabo eles ainda tão fazendo ali. Só sei que fico lá na minha mesinha, olhando pro nada, e quando me canso disso dou umas voltinhas pelos corredores.

Minha própria supervisora me aconselhou a trazer um livro ou revistinha ou algo pra me distrair durante o expediente. Obediente como sempre, trago o DS e o PSP no bolso da calça, e o maior esforço que fiz durante as quase duas semanas que estive trabalhando lá foi vencer aquele chefão do terceiro mundo de Donkey Kong Country 3, aquela aranha gigante filhíssima da puta. E sim, eu sei que o nome do jogo na verdade é Trixie’s Double Trouble ou algo assim, mas pra mim será sempre DKC 3 e acabou.

O problema é que eu não tenho muito tempo pra mim mesmo, já que saio de casa às 6 da manhã e chego às 7 da noite, de segunda a sábado. Mas pela quantia que eles estão me pagando, combinado ao fato de que o “trabalho” consiste em jogar videogame e ver filmes no iPod (pra não mencionar minhas DUAS HORAS de intervalo PAGO de almoço) me tornariam um filho da puta ingrato se eu estivesse reclamando.

As 22 horas extras por semana não machucam nada também. Se não fosse essa viagem pro Brasil e a minha mudança em breve, eu estaria rolando nas notas.

agosto 15, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Justo quando eu achava que as obrigações adultas tinham sepultado minha estelar carreira de BLOGUEIRO FAMOSO, um outro sujeito ainda mais célebre me aparece com isso.

Muita bondade do Dahmer dar qualquer tipo de prestígio a um blog cuja atualização seu respectivo dono colocou no último item na sua lista de prioridades. Eu achava que a influência do HBD como blog conhecido tinha morrido em, sei lá, 2005? Quando foi aquele negócio da Festa do Copo Vermelho mesmo?

Dá até uma vontade de voltar a atualizar com mais frequência, aí eu lembro que meu trabalho é outro.

Só quero ver as briguinhas de ego que nego arrogante vai iniciar, provocando os desafetos que não apareceram no tal mapa. Aliás, minha falta de ingenuidade sugere que essa era justamente a missão do Dahmer com esse mapa.

(Tá certo, ele falou isso no topo da página).

agosto 5, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Como vocês já me ajudaram a tomar decisões profissionais no passado (peguei os bicos de picolezeiro e de assustador de Haloween graças ao apoio moral online de vocês), nada mais lógico que expor meu mais recente dilema trabalhístico pra galera, na esperança que um monte de nerd vagabundo como você aí tenham uma perspectiva melhor pro meu problema.

Seguinte, hoje foi oficialmente meu último dia no Wendy’s. Despedidas e lágrimas à parte, eu recebi uma notícia interessante da mulé que me contratou (que por sinal tem a minha idade e é gostosa pra caralho): Uma vaga nova abriu no mesmo setor onde eu fui contratato – “oficial de segurança”, um nome chique pra “guardinha sem moral, distintivo ou arma de fogo”. O salário?

Quase 1300 dólares POR SEMANA. Quase inacreditável, mas é isso aí. 18 dólares por hora, 12 horas por dia, seis dias por semana. Faça as continhas.

Tirando essa jornada de trabalho insana, parece um emprego caído do céu. Porra, mais de 5 mil dólares pra fazer segurança de um prédio? Ainda por cima num lugar pacífico como o Canadá?

Aí vem o problema, claro, porque pobre nunca recebe boa notícia sem uma pegadinha por trás. O trabalho não é em Calgary. O lugar se chama Crow’s Nest Pass, fica há três horas de distância do meu não-tão-novo lar, e pelo que ouvi falar é uma cidade totalmente fodida. A empresa vai pagar o transporte da turma pra lá, a estadia num hotel qualquer, a alimentação (quatro refeições diárias de até 30 dólares serão cobertas pela empresa), e eles dão até um bonuzinho mixuruca pra lazer. Deve ser uma bobagem de tipo 100 dólares por semana, mas é dinheiro grátis de qualquer forma. Eu precisarei ficar lá por dois ou três meses. A mulé perguntou se eu poderia ficar mais tempo se fosse necessário, porque a última turma que foi enviada pro lugar tá lá desde março e ainda não voltou.

Eu até poderia trazer a namorada, mas aí gastaria uma pequena fortuna mantendo-a lá, já que a empresa cobriria apenas as minhas despesas. E ainda que eu a levasse, a coitada passaria seis dias por semana sozinha sem ter o que fazer no hotel, a não ser que arrumasse um emprego qualquer por lá durante esses 2-3 meses. E eu teria que me contentar a passar 6 dias por semana trabalhando literamente o dia inteiro, e passar os fins de semana (ou melhor o DOMINGO) em casa na frente da TV, já que nem notebook eu tenho e não vou empacotar meu PC todo só pra poder acessar internet lá uma vez por semana.

Maaaaaaaaas, 1300 dólares por SEMANA. Isso é muito mais do que boa parte de vocês devem ganhar num mês inteiro aí. Pra uma bela comparação nerd, eu poderia comprar dois PS3 POR SEMANA, minha gente.

O que eu devo escolher, dinheiro ou vida social? Você decide!

agosto 2, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário