Hoje é um Bom Dia

Minha gente bonita, pelo amor de deus me perdoem por passar tanto tempo sem atualizar a parada aqui. Acontece que o tribunal onde trabalho, que até poucos dias atrás estava ainda em construção, abriu ao público e minha jornada de trabalho enlouqueceu. Até tava cheio de idéias pra posts e meu PDA atesta a veracidade dessa afirmação, entretanto é tanto maluco pra dar informações ou expulsar do prédio (o que a propósito já se tornou uma competição entre os outros seguranças).

Tentando dar uma melhorada na situação, me dirigi ao Best Buy mais próximo e adquiri um gadget comum que eu até agora surpreendentemente não tinha – um notebook. Acontece que os cornos da loja por algum motivo que desafia qualquer explicação racional vendem esse modelo (que tem apenas 512mb de RAM) com Windows Vista, que exige pelo menos um 1gb. O resultado é uma performance que envergonha até o meu PC desktop, de 2 anos atrás e há um ano sem ser formatado. Não vou comprar PC novo pra ter um desempenho pior do que o meu antigo, então vou voltar hoje lá, devolver, desembolsar uns 100 dólares a mais e pegar uma máquina decente.

…E espero que eles não tenham iPod Touchs já disponíveis lá, senão lá se vão outros 300 dólares.

setembro 6, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Entretenimento é sem qualquer dúvida a indústria mais poderosa do planeta. O ramo é um gigante econômico que emprega bilhões de pessoas, envolve toda a nossa sociedade contemporânea e praticamente define o estilo de vida ocidental. Cinema, literatura, música, esportes, videogames, sexo e drogas são apenas alguns dos itens que ajudam a movimentar trilhões de dólares ao redor do planeta todo santo dia, com a mesma finalidade – diluir um pouco a concentração de momentos insuportáveis no nosso cotidiano, tornando cada dia mais ou menos aguentável e reduzindo a quantidade de suicídios a um número aceitável.

Os seres humanos estão dispostos a pagar qualquer quantia monetária necessária pra se distrair, ainda que apenas por alguns instantes. Não é à toa que a cada nanossegundo um valor equivalente ao PIB de toda a Europa + 68 centavos é gasto em alguma faceta do mercado do entretenimento. Olhe pra você mesmo – você está lendo um blog, ouvindo mp3, baixando um screener de Transformers e planejando ir ao shopping mais tarde pra comprar um cinto de rebites ou um CD do My Chemical Romance. Entretenimento ocupa boa parte da nossa atenção, e já tanto já faz parte das nossas vidas que você talvez nunca tenha parado pra pensar nisso.

Por ser uma necessidade inviolável, o entretenimento se tornou mais uma das muitas áreas em que os seres humanos investiram sua genialidade e mostraram-se extremamente eficientes, assim como as cirurgias neurológicas, o programa espacial e em pôr a culpa dos nossos erros nos outros.

Mas apesar de todos os nossos impressionantes avanços na arte da diversão, que vão desde a invenção da montanha russa até o desenvolvimento de complexos algoritmos de compressão que permitem que filmes inteiros da Jenna Jameson ocupem parcos 200 megabytes, a genialidade humana não chega nem perto de rivalizar aquela da Mãe Natureza, que desenvolveu a melhor ferramenta de entretenimento conhecida – a gravidade. A força inexorável que atrai corpos em direção ao centro da terra, provocando situações incrivelmente favoráveis para a extração de humor.

Antes de Sir Isaac Newton explicar a lei da gravitação universal, nós só podíamos apreciar a queda de um coleguinha de classe superficialmente. Joãozinho é um retardado do caralho e não percebeu que seus cadarços estavam desamarrados, trazendo seu rosto ao encontro da mesa na sua frente. Ponto final. Rir de alguém se estabacando no chão de cimento era um passatempo unidimensional. O único proveito era a forma; a imagem da queda. Não havia nenhum conteúdo, nenhuma elaboração. Uma piada visual e nada mais.

Após Newton, a ciência relacionada ao fenômeno da queda desmistificou as forças invisíveis que trabalham contra os menos equilibrados, mas a favor da nossa diversão. Agora entendemos que há uma força atraindo corpos numa proporção inversa à distância que os sepada ao quadrado, ou seja, apreciar quedas deixou de ser uma diversão das massa e pôde ser apreciada pelo corpo acadêmico sem peso na consciência por pensar que estão tomando parte em uma atividade do povão. Newton simultaneamente revolucionou a ciência e a comédia.

Outro dia eu fui relembrado a respeito da forma como algo tão simples e corriqueiro como a gravidade (ok, não é “simples” porra nenhuma) pode ter o potencial de arrancar lágrimas de riso e praticamente asfixiar alguém nas próprias risadas. Bom na verdade não foi “no outro dia”, a parada aconteceu quando eu ainda trabalhava no Wendy’s. Acontece que eu esqueci que tinha começado a escrever esse post e só retomei a continuação agora. ENFIM.

As quartas feiras eram os dias em que os fritadores (se eu posso chamar assim) do restaurante precisavam ser drenados, esfregados com esponja e sabão cáustico, e em seguida reabastecidos de óleo. E adivinha quem executava tão vital operação – euzinho aqui.

Protegido sob um longo avental de borracha (acho que era borracha) que poderia facilmente ser considerado o material mais gorduroso e seboso da face terrestre, ganhando até mesmo de outras superfícies como o interior das tubulações de plataformas petroleiras ou o rosto de um ex-companheiro de trabalho, eu tinha que me submeter à desonra de limpar aquela porcaria. Como se pode imaginar, o trabalho de drenar o óleo sujo da máquina de fritar batatas não era uma ciência exata. O chão acabava invariavelmente totalmente coberto por uma fina lâmina de óleo, reduzindo o atrito em certos locais do restaurante a números negativos. Acho que vocês já tão vendo pra onde essa história está indo.

Por causa da CALABREAGEM (um termo inventado pela minha querida vovozinha que é sinônimo de “bagunça e/ou sujeira”) oriunda da limpeza das máquinas, lavar o chão do restaurante era o passo final que não podia faltar. Acontece que no tempo que eu demorava pra ir pegar o balde e o esfregão, o trânsito no interior do restaurante não era paralisado. Todo mundo continuava indo pra lá e pra cá executando suas funções normais, andando bem do lado de fornos e chapas quentes sobre chão totalmente coberto de óleo. Era minha tarefa limpar a sujeita o mais rápido possível e impedir que alguém fosse parar dentro das máquinas que eu tinha acabado de limpar.

Enquanto estou enchendo o balde com a solução desengordurante, a Courtney passa deslizando, jogando os braços em todas as direções permitidas pelo nosso mundo de três dimensões, finalmente achando apoio numa prateleira de pão. Se recompondo, ela olha pra mim rindo e fala que eu preciso terminar logo de limpar a parada antes que alguém acabe morrendo. Eu explico que já estou tomando conta da coisa e a menina volta aos seus afazeres. Antes mesmo que eu tivesse tempo de chegar no local e retomar a limpeza, um dos outros moleques passa DESLIZANDO DE COSTAS no chão. O moleque carregava aqueles pacotinhos de ketchup dentro de uns containers de metal, que obviamente foram parar respectivamente no ar e no chão, fazendo aquela barulheira característica que containers de metal repletos de pacotinhos de ketchup fazem quando caem. Pro infortúnio do rapaz, alguns pacotinhos de ketchup acabaram presos entre o corpo dele e o chão. O invólucro que contém o condimento não foi projetado pra aguentar a pressão exercida por um canadense, e os pacotinhos explodiram pintando com ketchup o uniforme AZUL do moleque. Bom, o uniforme era azul antes de entrar em contato com superfície coberta de óleo sujo. A cor mais aproximada do uniforme do moleque sugeria que o coitado havia mergulhado numa poça de lama e em seguida participado de um combate de paintball em que apenas balas vermelhas podiam ser utilizadas. Numa cena que faria até mesmo Don Quixote de la Mancha sentir vergonha alheia, o menino tentou se erguer com as mãos, mas não conseguiu tração satisfatória e escorregou de novo, dessa vez caindo de lado na mistura de óleo com ketchup.

Eu não posso nem começar a descrever o quanto eu ri da cena sem esboçar um largo sorriso. Larguei o esfregão, me apoiei contra a parede e segurei a barriga, que rapidamente começou a doer graças às gargalhadas. A barulheira chamou a atenção dos outros funcionários, que também chegaram escorregando no chão mas que ao contrário do outro infeliz conseguiram manter o equilíbrio. Montou-se uma rodinha em volta do cara e todos simultaneamente alternavam entre rir do cara, rir e apontar pro cara, e rir, apontar pro cara enquanto se apoiando nos ombros dos outros, tanto pela falta de ar provocada pelas risadas, quanto pelo baixíssimo atrito do chão.

Eventualmente a gracinha perdeu a graça, e todos voltamos às nossas posições…

…até que alguém teve a genial de acessar as câmeras de segurança do restaurante e rever a queda. Em três ângulos diferentes, em diversas velocidades de reprodução (primeiro em velocidade normal, depois em câmera lenta, e finalmente em velocidade acelerada, o que aumenta ainda mais o teor cômico da cena).

Até hoje me arrependo de ter me demitido sem antes obter uma cópia dos vídeos.

agosto 28, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Postzinho remixado no estilo “Melhores Momentos”. Hoje é domingo, meu único dia de folga, porra.

Uma das grandes vantagens de sair do Nordeste pra ir morar no exterior – além do acesso à tecnologia barata que permite um retirante cearense exibir uma televisão de 50″ de alta definição em sua sala, apreciar épocas do ano em que as temperaturas não fazem os líquidos no seu globo ocular ferver e a quantidade consideravelmente inferior de calangos espreitando embaixo da pia do banheiro – é ser exposto à mundialmente notória e surepreendentemente divertida estupidez gringa.

Já mencionei a célebre burrice norte-americana centenas de bilhões de vezes apenas na semana passada aqui no HBD, mas quase sempre eu me referia à burrice no sentido acadêmico. Felizmente, a estupidez destes branquelos não se limita a ignorância relativa a conhecimentos gerais escolares. Eu já fui alvo de perguntas geniais e nem um pouco imbecis como “Existem hamburguers no Brasil?”, “Você já tinha visto um carro de controle remoto antes de sair do seu país?” ou até mesmo “Vocês têm macacos de estimação, ou geralmente se contentam com uma ou duas jibóias?”.

E sinto uma dor no coração quando algum amigo canadense me faz uma pergunta dessas com o maior olhar de inocência no rosto. Tento vasculhar o semblante do sujeito por traços de arrogância ou até mesmo sarcasmo, já que essas características são geralmente encontradas em piadas mal-intenciondas, mas pra minha (antiga) surpresa, a molecada realmente achava que o Brasil ficava na Europa e que nosso presidente era também capitão da seleção nacional de futebol. As perguntas eram genuinas, por mais incrível que parecesse.

E por isso eu me sentia super mal em destruir suas fantasias de um Brasil retrógrado e absolutamente fodido (bom, MAIS retrógrado e MAIS absolutamente fodido, de qualquer forma). Como explicar pra um canadense que sim, nós temos TVs no Brasil, ou que não, não moramos em casas feitas com papelão e barro? Você conseguiria admitir pra um gringo que você fala inglês fluente e que nao precisa que ele fale separando sílabas ou berrando dentro do seu ouvido? É praticamente como admitir pro seu filho de 8 anos que Papai Noel foi preso na véspera do Natal por acusações de pedofilia – pode até ser verdade, mas todo mundo ficará mais feliz se seu mundinho de fantasia for mantido graças a uma mentirinha de bom coração.

E foi pensando no bem estar dos meus amigos caucasianos que durante esses quase três anos em que eles me emprestaram seu Canadá para que eu possa chamar de lar, eu teci amáveis lorotas sobre nossa Pátria amada salve salve. Esses factóides tiveram bastante uso, e eu carregava uns três ou quatro nos bolsos praquele inevitável momento em que alguém do grupo vira pra um fulano qualquer e fala “Ah, é? Isso não é nada, olha o Izzy aqui, ele é brasileiro!”

Apreciem com moderação e usem com discriçao.

1) A moeda oficial brasileira é o olho de baiacu, de preferência fresco. A moeda antiga, pequenos pacotes de papelao contendo aproximadamente cinquenta gramas de arroz, foi abolida na Revolução Popular de 1997, que pôs no poder o primeiro presidente que não alcançou o cargo através do uso de Magia Negra.

2) Não, não temos televisores no Brasil. As tecnologias necessárias para a construção do aparelho (como as substâncias adesivas que fixam decalques plásticos que dizem “Panasonic” ao painel da TV) ainda não existem no nosso país, infelizmente. No entanto, temos macacos que desenham figuras festivas nas nossas paredes quando deixamos as janelas abertas por muito tempo. Modelos mais avançados desses símios conseguem desenhar quase três frames por minuto, o que dá uma breve ilusão de movimento caso você tenha esquecido de tomar seus medicamentos neste dia em particular.

3) Antes da chegada da Internet (e por extensão, Google, Wikipédia e derivados) ao solo brasileiro no mês passado, tínhamos um funcionário do governo que ia à praça na frente da igreja nos sábados para distribuir cópias em preto e branco de uma Playboy de 1976 e responder breves dúvidas sobre geografia.

4) A versão brasileira do que os países civilizados chamam de “processo jurídico” resume-se a ir à casa do seu oponente armado de talismãs e ramos de arruda e invocar entidades sobrenaturais que se encarregarão de causar diarréia initerrupta no seu desafeto até que ele concorde em devolver os 500 olhos de baiacu que ele pegou emprestado mês passado, e com “pegar emprestado” eu quero realmente dizer “tirou da sua sacola após entrar na sua casa por meio de um trator pela parede”.)

5) Nossos principais produtos de exportação são açúcar, futebol, carnaval e Doença de Chagas – uma assustadora moléstia tropical que faz seu coração explodir. Os métodos de prevenção mais populares incluem a) não morar no Brasil, b) mudar-se do país o mais rápido possível.

6) Produtos usados antes do advento da pasta de dente em 1998 incluem manteiga caseira, água sanitária e, mais frequentemente, nada.

7) O maior atentado terrorista em solo nacional aconteceu em julho de 2003, e o alvo foi o prédio do Ministério de Telecomunicaçoes em Buenos Aires. Um sujeito identificado como “seu José da Esquina” invadiu o casebre onde se localiza o Ministério e destruiu todos os tambores, impossibilitando comunicações com o vilarejo vizinho por quase trinta minutos até decidir-se que ir até lá andando com a mensagem em mãos era menos demorado que a tradução das batidas dos tambores. José foi preso e flagrante e em seguida recebeu uma condecoração do Presidente pelos seu papel no avanço da telecomunicaçoes.

8) A temperatura mais baixa registrada no país em seus quatro anos de uso do Sistema Internacional foi 35 graus Celsius. O frio era tão perceptível que boa parte da população usou camisetas nesse dia. Partidas de futebol foram interrompidas e escolas de samba mandaram os alunos pra casa mais cedo. No dia seguinte, uma onda de calor extremo matou 30% da população brasileira. O número é apenas uma aproximação; a contabilização do número exato de vítimas se tornou difícil uma vez que boa parte dos corpos entrou em calefação ao cair no asfalto quente. O filho do presidente havia emprestado a Calculadora Nacional pra um amigo da escola, o que dificultou ainda mais a contagem.

9) Em 1999, projetos sociais orquestrados por Sílvio Santos (um milionário que comprou o Brasil de Portugal na década de 70) geraram uma onda de melhorias atingiu o Brasil como uma bola de pé esquerdo no cantinho do gol: o salário mínimo foi elevado ao equivalente a 4 dólares por mês; “chutar cachorros nos domingos”, um costume nacional centenário, deixou de ser uma prática socialmente aceitável; o país importou quatro novas ambulâncias, o que não apenas elevou a frota nacional a quatro ambulâncias, mas também mudou o Brasil do segundo pro quinto lugar na lista de países com pior sistema de saúde no planeta.

10) A inserção de tijolos no útero, o método anticoncepcional recomendado pelo governo até pouco tempo, foi recentemente abolido. Postos de saúde agora distribuem grampeadores e ampolas com álcool.

11) O primeiro censo nacional (realizado pouco tempo após a adoção do sistema decimal em 1989) revelou que os sonhos de consumo dos brasileiros incluem fogões, meio quilo de cimento, e água filtrada.

12) O processo eleitoral brasileiro não envolve votações populares. Ao invés disso, os candidatos devem passar por uma bateria de testes físicos que envolvem levantamento de vacas, aragem com obstáculos, e recitar a tabuada do 7 de trás pra frente. Os finalistas então vão em debate público (que será tamborilado para todos os vilarejos próximos) em que cada candidato tentará, com suas próprias palavras, convencer os habitantes da aldeia que ele é de fato filho do deus Sol e que portanto deverá governar. O debate deverá durar oito dias; ao fim deles, o candidato que ainda quiser o cargo e/ou ainda estiver falando no palanque será coroado como Rei do Brasil. Caso todos os candidatos se matem na inevitável briga de foices que costuma acontecer nos primeiros dois minutos do debate, o espectador mais parecido com o último candidato a morrer é coroado.

13) O sistema penal brasileiro é considerado por especialistas mundiais como o mais avançado da América Latina. Tomem isso como exemplo – no mês passado um notório molestador de crianças foi sentenciado à pior pena dada a esse tipo de crime na Constituição Brasileira – 30 chicotadas em praça pública. Em países menos desenvolvidos como a Argentina, a pena teria sido no máximo 15 chicotadas.

Por algum motivo, após recitar alguns desses itens a antiga vontade de visitar o Brasil parece abandonar meus amigos.

agosto 19, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Agora sim posso finalmente dar a desculpa de estar sem tempo pra atualizar o blog sem me sentir como um exagerado.

Seguinte – eu dispensei aquela posição na cidade vizinha, mas continuo trabalhando como segurança pra mesma empresa, no tribunal federal da cidade. O salário é um pouco menor, mas como tou trabalhando onze horas por dia, seis dias por semana, continuo ganhando uma boladinha invejável. Eis uma fotografia deste que vos fala, trajando seu uniforme de guardinha de shopping, com direito a rádio no ombro e olhar de super herói direcionado ao horizonte, meio Gordon Freeman:


E sobre o trabalho? Puta que pariu, eu me sinto como se algum tipo de força superior intergalática tivesse olhado aqui pra baixo, e resolvido que eu merecia um descanso dessa minha vida de imigrante cearense. Basicamente, eu sou pago pra passar 11 horas fazendo porra nenhuma.

Não, não estou exagerando – os caras me pagam pra dar voltas nos corredores vazios do vigésimo andar de um prédio ainda em construção. O negócio é quase que totalmente vazio, com exceção do ocasional pedreiro passando reboque na parede ou coisas do tipo. Boa parte do prédio tá terminada, a maior parte dos andares já têm carpete, mobília e tal, mas ainda faltam alguns retoques, passar fiação, sei lá que diabo eles ainda tão fazendo ali. Só sei que fico lá na minha mesinha, olhando pro nada, e quando me canso disso dou umas voltinhas pelos corredores.

Minha própria supervisora me aconselhou a trazer um livro ou revistinha ou algo pra me distrair durante o expediente. Obediente como sempre, trago o DS e o PSP no bolso da calça, e o maior esforço que fiz durante as quase duas semanas que estive trabalhando lá foi vencer aquele chefão do terceiro mundo de Donkey Kong Country 3, aquela aranha gigante filhíssima da puta. E sim, eu sei que o nome do jogo na verdade é Trixie’s Double Trouble ou algo assim, mas pra mim será sempre DKC 3 e acabou.

O problema é que eu não tenho muito tempo pra mim mesmo, já que saio de casa às 6 da manhã e chego às 7 da noite, de segunda a sábado. Mas pela quantia que eles estão me pagando, combinado ao fato de que o “trabalho” consiste em jogar videogame e ver filmes no iPod (pra não mencionar minhas DUAS HORAS de intervalo PAGO de almoço) me tornariam um filho da puta ingrato se eu estivesse reclamando.

As 22 horas extras por semana não machucam nada também. Se não fosse essa viagem pro Brasil e a minha mudança em breve, eu estaria rolando nas notas.

agosto 15, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Justo quando eu achava que as obrigações adultas tinham sepultado minha estelar carreira de BLOGUEIRO FAMOSO, um outro sujeito ainda mais célebre me aparece com isso.

Muita bondade do Dahmer dar qualquer tipo de prestígio a um blog cuja atualização seu respectivo dono colocou no último item na sua lista de prioridades. Eu achava que a influência do HBD como blog conhecido tinha morrido em, sei lá, 2005? Quando foi aquele negócio da Festa do Copo Vermelho mesmo?

Dá até uma vontade de voltar a atualizar com mais frequência, aí eu lembro que meu trabalho é outro.

Só quero ver as briguinhas de ego que nego arrogante vai iniciar, provocando os desafetos que não apareceram no tal mapa. Aliás, minha falta de ingenuidade sugere que essa era justamente a missão do Dahmer com esse mapa.

(Tá certo, ele falou isso no topo da página).

agosto 5, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Como vocês já me ajudaram a tomar decisões profissionais no passado (peguei os bicos de picolezeiro e de assustador de Haloween graças ao apoio moral online de vocês), nada mais lógico que expor meu mais recente dilema trabalhístico pra galera, na esperança que um monte de nerd vagabundo como você aí tenham uma perspectiva melhor pro meu problema.

Seguinte, hoje foi oficialmente meu último dia no Wendy’s. Despedidas e lágrimas à parte, eu recebi uma notícia interessante da mulé que me contratou (que por sinal tem a minha idade e é gostosa pra caralho): Uma vaga nova abriu no mesmo setor onde eu fui contratato – “oficial de segurança”, um nome chique pra “guardinha sem moral, distintivo ou arma de fogo”. O salário?

Quase 1300 dólares POR SEMANA. Quase inacreditável, mas é isso aí. 18 dólares por hora, 12 horas por dia, seis dias por semana. Faça as continhas.

Tirando essa jornada de trabalho insana, parece um emprego caído do céu. Porra, mais de 5 mil dólares pra fazer segurança de um prédio? Ainda por cima num lugar pacífico como o Canadá?

Aí vem o problema, claro, porque pobre nunca recebe boa notícia sem uma pegadinha por trás. O trabalho não é em Calgary. O lugar se chama Crow’s Nest Pass, fica há três horas de distância do meu não-tão-novo lar, e pelo que ouvi falar é uma cidade totalmente fodida. A empresa vai pagar o transporte da turma pra lá, a estadia num hotel qualquer, a alimentação (quatro refeições diárias de até 30 dólares serão cobertas pela empresa), e eles dão até um bonuzinho mixuruca pra lazer. Deve ser uma bobagem de tipo 100 dólares por semana, mas é dinheiro grátis de qualquer forma. Eu precisarei ficar lá por dois ou três meses. A mulé perguntou se eu poderia ficar mais tempo se fosse necessário, porque a última turma que foi enviada pro lugar tá lá desde março e ainda não voltou.

Eu até poderia trazer a namorada, mas aí gastaria uma pequena fortuna mantendo-a lá, já que a empresa cobriria apenas as minhas despesas. E ainda que eu a levasse, a coitada passaria seis dias por semana sozinha sem ter o que fazer no hotel, a não ser que arrumasse um emprego qualquer por lá durante esses 2-3 meses. E eu teria que me contentar a passar 6 dias por semana trabalhando literamente o dia inteiro, e passar os fins de semana (ou melhor o DOMINGO) em casa na frente da TV, já que nem notebook eu tenho e não vou empacotar meu PC todo só pra poder acessar internet lá uma vez por semana.

Maaaaaaaaas, 1300 dólares por SEMANA. Isso é muito mais do que boa parte de vocês devem ganhar num mês inteiro aí. Pra uma bela comparação nerd, eu poderia comprar dois PS3 POR SEMANA, minha gente.

O que eu devo escolher, dinheiro ou vida social? Você decide!

agosto 2, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Vamos ver aqui. Qual dos trabalhos abaixo seria o mais improvável para mim?

1) Balconista de loja de games

2) Beta tester de gadgets

3) Agente de segurança de uma das maiores empresas internacionais do ramo

Se você pensou no item três, obrigado por me parabenizar na minha mais nova empreitada trabalhística.

Não tou brincando. Cansado de lidar com moleques de 15 anos e seus intermináveis e típicos dramalhões colegiais que eu já havia deixado pra trás há anos, saí à caça de uma ocupação menos estressante e talvez mais lucrativa.

E não demorou nada pra arrumar um trampo melhor. Após ouvir a recomendação de um amigo que trabalha nessa empresa há alguns meses, mandei meu sensacional currículo (vendedor de picolés E lavador de pratos!) por email e cruzei os dedos. Dois dias depois eu tava de entrevista marcada.

Como esse seria meu primeiro emprego numa empresa mais séria e reconhecida, resolvi vestir meus melhores trapos. Após moldar o cabelo cuidadosamente com o gel roubado do meu irmão e escovar os dentes duas vezes, percebi que nenhuma quantidade de asseio poderia recompensar o fato de que eu meço 1,71m e peso uns, no máximo, 60 quilos. Ou seja, se a segurança ficasse dependendo de mim, seja lá o que eu deveria estar, hmm, “segurando” estaria fodido.

Acontece que o mercado de trabalho em Alberta, a província que eu moro, é terrivelmente dependente. A área oeste do Canadá é meio deserta e muito fria, então aconteceu há algumas décadas uma migração em massa pra área mais desenvolvida (especificamente, Ontario). Com o avanço da indústria petroleira por aqui, mão de obra se tornou extremamente difícil de conseguir, já que todo mundo se mandou pro leste canadense. Por causa disso, empregos aqui aceitam praticamente qualquer pessoa disposta a trabalhar, e oferecem salários invejáveis.

E por causa disso minha complexão medíocre não foi um problema. A “entrevista” se resumiu à minha contratadora perguntando que horários eu gostaria de trabalhar. Escolhi uma agenda qualquer, e em seguida me mediram pra que eles pudessem me dar um uniforme. Walkie talkie, cassetete, colete a prova de balas (!) e aparentemente até ALGEMAS me serão dadas quando eu aparecer pro meu primeiro turno. O que é certamente uma melhoria do meu uniforme antigo, que incluia um horroroso boné com logotipo do Wendy’s e uma deprimente redinha de cabelo que eu felizmente despistei graças ao corte da minha juba.

Mas as coisas não são TÃO simples assim; antes de embarcar na minha nova empreitada trabalhística, muita burocracia se fez necessária. Pra começar, me fizeram assinar quase uns vinte contratos, e eu não estou brincando. Tinha de tudo – termo de responsabilidade em relação ao uniforme, cláusula de conduta (quatro páginas, com assinatura no fim de cada uma), uma via que eu precisava assinar como forma de admitir o risco que o trabalho naturalmente envolve, um monte de merda. Assinar tanto contrato me fez lembrar o quanto odeio e sou incapaz de reproduzir uma rubrica satisfatória. A falta de hábito com a escrita cursiva roubou toda a minha capacidade de escrever duas assinaturas semelhantes. Cada vez que assinava o papel, meu nome parecia ter mudado. Bah.

Após toda essa merda, me foi revelado que eu precisaria pegar um trem até a delegacia de polícia pra arrumar uma declaração de “nada consta”, acho que esse é o nome em português. Basicamente, a empresa não quer contratar nenhum ex-assaltante de banco ou coisa que o valha, então eu tive que ir até os gambés, esperar na fila, jogar dez minutos de Pokemon Diamond, falar com a policial que ia tratar do meu caso, tirar minhas digitais, e novamente assinar a caralhada toda. COmo eu morei em outra província há pouco tempo, os 5-0 teriam que mandar todos as requisitações pra polícia de Ontário, pra eles confirmarem que lá eu também fui um bom garoto, com ficha limpa.

Depois de todo o procedimento…

“Ok, tudo certo. Agora, você se sente à vontade em jurar sobre a bíblia que todas as informações que você deu nesse papel são verdadeiras?”

Parei por um segundo, encarando a mulher sem nenhuma expressão facial, piscando.

“Meio medieval isso, ein?” arrisquei descobrir o senso de humor da puliça.

“Ahn?”

“Bom, eu acabei de te dar várias informações que permitem a polícia de Alberta me localizar. Ou seja, não é como se eu pudesse inventar um monte de mentiras e a coisa sairia por isso mesmo. Essas informações serão averiguadas nos arquivos de relatos policiais, pra tentar encontrar instâncias envolvendo meu nome ou endereço. Os resultados serão enviados digitalmente à polícia do outro lado do país, onde o processo será repetido. No meio de todo esse procedimento tecnologico você me pede pra pôr a mão em cima de uma bíblia e JURAR que eu estou falando a verdade?”

Ela deu um sorrisinho (o que me deixou aliviado, afinal dar aquela rant poderia ter me custado no mínimo bastante má vontade dos caras se eles tivessem um senso de humor menos saudável) e explicou que têm que perguntar mesmo assim.

“Bom, eu sou ateu, então não adian…”

“Ateu?” ela repetiu, como se não conhecesse o significado da palavra.

Ah meu deus, agora pronto. Essa porra vai virar debate teológico.

“É, não acredito em nenhuma divindade. Eu posso jurar na bíblia se você quiser, mas não significará nada pra mim e não representa algo tão solene que uma mentira dita sobre ela me enviaria diretamente pro inferno”. Olhando pro teto da . Meio medieval”, repeti.

Ela riu de novo, pegou a caneta e fez uns rabiscos no meu documento.


Ao invés de “make an Oath” (“faz um juramento”), ela resolveu reescrever a frase usando “solemnly affirm and declare”. Afirma solenemente e declara.

Voltei correndo pra empresa, entreguei a papelada, recebi meu uniforme e voltei pra casa feliz porque não precisarei mais trabalhar com um bando de moleques pré-adolescentes por muito tempo.

Mas com eles vão-se também os nuggets de graça. Não dá pra ganhar sempre.

Ah, e o salário? 50% maior do que o do Wendy’s. Com cobertura médica (o que o Wendy’s não oferecia), folgas e férias pagas, e o direito de andar por aí com um colete a prova de balas.

Moving up, motherfuckers!

julho 28, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Tomaram notas, pesaram custos e benefícios, checaram a carteira e linkaram a resenha pra amigos que têm vontade de pegar um PSP?

Beleza. Agora é a vez do DS.

Lá por meios de 2002 ou 2003, a Nintendo pensou com seus botões “sabe duma coisa? O mercado gamer tá estagnado de novo. Vamos revolucionar essa porra“. Não seria a primeira vez que a Nintendo apareceria pra trazer ares de renovação à indústria de videogames (crash de 83, anyone?).

Foi com essa filosofia em mente que a Nintendo revelou o codinome do seu console de nova geração, o Nintendo Revolution. Quando a empresa abandonou o codinome promissor em troca do totalmente simples “Wii”, nerds ao redor do mundo sentiram um chute nos bagos. Fóruns ao redor da internet pipocavam com reclamações furiosas, era como se o novo nome fosse uma ofensa pessoal contra certos gamers que insistiam que a Nintendo largasse mão de apostar no mercado infantojuvenil. Hoje é “Revolution” que parece estranho, arcaico. Faz alusão à época quando nem sabíamos nada sobre o console. Mas divago.

Numa época em que as empresas rivais trocavam tapas metafóricos divulgando as especificações bombadíssimas de seus futuros consoles dando ereções massivas em nerds ao redor do globo, a Nintendo foi totalmente contra a maré anunciando que as capacidades gráficas do Wii seriam aproximadamente equivalentes às do GameCube. O tesão foi cortado de imediato, até que a Nintendo revelou o estranhíssimo Wiimote, o controle do Wii. Aí mesmo é que as profecias de fim da Nintendo começaram a ganhar força. Mas a empresa continuo firme e forte na mentalidade de provocar mudanças na indústria que não via nenhuma grande revolução desde 1983.

O DS foi um fruto da mesmíssima corrente de pensamento. Com exceção do Tapwave Zodiac, um aparelho totalmente obscuro que só mesmo nerds de handhelds conheceram – e apenas por fotos na internet, porque o troço é raro mesmo -, o DS foi o primeiro console portátil com input por toque. A animação diante das novas possibilidades foi rapidamente eclipsada pelo concorrente PSP, que exibia hardware muito mais potente e trazia junto com a sua estréia a marca Playstation, as franquias correspondentes e funcionalidades que transcendiam o objetivo de um simples ideogame portátil. A Nintendo humildemente reconhecia que sua máquina era menos capaz, mas enfatizava que o público e o propósito do DS eram outros. E a turminha de videntes continuava a pregar a morte da Nintendo.

Poucos meses depois, O DS é liberado ao mundo. E quando o número de DSs vendidos ao redor do mundo ultrapassava o de PSPs numa proporção de quatro pra um, a turma de mães Dinás perceberam que suas previsões falharam completamente.

Como é que uma máquina com hardware inferior e muito menos funções que seu concorrente direto consegue lavar o chão com a cara da competição? A vitória do PSP parecia uma aposta tão fácil, tanto é que este que vos escreve chegou, em certo período, a ridicularizar a premissa do DS e economizar centavinhos pra adquirir um PSP.

O texto já tá ficando bem longo até agora, e eu nem comecei a falar do DS ainda. Isso se deve ao fato de que, por mais paradoxal que isso possa soar de início, não há muito pra se falar do DS. Na resenha do PSP eu falei sobre o navegador, sobre o mp3 player, sobre o suporte a imagens, sobre os disquinhos UMD e tudo mais. O DS não tem nada disso, é um puro e simples videogame. Por causa disso mesmo era necessário colocar mais conteúdo no artigo, e nada melhor do que explicar justamente POR QUE o DS é um aparelho mais simples do que o da concorrente. E aí está, resumido em uma frase – O DS não precisa de nenhuma dessas funções extras pra vender porque ele é um videogame do caralho.


Tecnicamente falando, o DS é aproximadamente equivalente ao N64. Usa mídia em formato de cartucho, não trabalha muito bem com texturas e por causa disso oferece gráficos meio medíocres, e ambos foram lançados com Super Mario 64. O detalhe principal do Nintendo DS é a sua tela inferior, que é sensível ao toque. Graças a isso, gamers tiveram a oportunidade de experimentar jogabilidades realmente criativas, como a de Kirby’s Canvas Curse (onde o jogador desenha linhas na tela, que se materializam no jogo e servem de apoio pro personagem principal), Trauma Center (um simulador de cirurgias muitíssimo criativo) e Elite Beat Agents, que é o equivalente portátil de Pump It Up.

E é aí que você compreende o porquê do sucesso estrondoso do DS – enquanto o PSP tentou enfiar tudo de melhor que fosse possível caber no chassi do console e traduzir pra telinha portátil os maiores sucessos do seu irmão-console mais velho, a Nintendo ofereceu inovação. Claro que há uns Super Mario 64 aqui, Star Foxes ali e Castlevanias acolá, mas o que realmente leva o DS ao topo da lista de consoles mais vendidos são os jogos nunca antes vistos e extremamente criativos.

Claro, não só de novidade vive o console da Nintendo. Trabalhar em cima de clássicos do passado dá certo pra cacete também, quando feito com competência. Lembra dos adventures point and click, que fizeram da Lucasarts uma empresa bastante conhecida no meios dos anos 90 e nos deram clássicos inesquecíveis como The Dig, The Day of the Tentacle e Full Throttle? Então, todos achávamos que o estilo estava morto e enterrado. O gênero de aventura e exporação não apenas retornou, mas o fez no que anos atrás acharíamos a plataforma menos provável pro sucesso do estilo de jogo – um console portátil. Graças à tela de toque, as gamehouses puderam reviver o formato point and click. E já há bastante títulos praqueles que se amarram nesse tipo de jogo, como a série Phoenix Wright (que estou jogando no momento), Hotel Dusk e Lost in Blue.

Saudosismo move a indústria de games; não é a toa que volta e meia temos coletâneas de jogos antigos vendendo pra tudo quanto é console. Pensando nisso – e no hardware único do DS -, empresas começaram a trazer do passado clássicos absolutos que não poderiam ser feitos com competência em nenhum outro console – estou falando dos jogos de estratégia. Donos de DS já podem se divertir com SimCity, Theme Park e, é claro, Settlers. Se você é como eu e passou HORAS e HORAS quando moleque construindo cidades, parques de diversões ou vilas medievais em Pentiums 133 dez anos atrás, esse parágrafo aqui (mais do que qualquer outro) já deve estar te dando coceira na carteira.

E talvez você esteja mesmo morrendo de vontade de põr as mãos em um DS. Talvez até mesmo antes deste texto você já tinha essa vontade, mas esbarrava de cara com a dúvida que aflige a mente perturbada do gamer com orçamento baixo – DS original, ou DS Lite? Resposta curta – DS Lite, caso você goste de ver o que está acontecendo na tela com nitidez e clareza. Os mais brutos (ou seja, os que já compraram o DS original e precisam adotar pose de desdém em relação ao modelo claramente superior) podem até dizer que “é tudo a mesma coisa”, mas não é. Case in point:


A diferença mais relevante é a claridade e nitidez das telas. As do DS Lite são obviamente muito mais claras e nítidas do que as do modelo antigo, que em comparação parecem até estar com algum tipo de defeito. Eu GARANTO que você jamais será capaz de jogar num DS antigo após se acostumar com um Lite. Aliás, boa parte do motivação em comprar o Lite foram as jogatinas no DS Lite do meu irmão. O resto, obviamente, se deve a Settlers.

O DS Lite é também bem menor e mais bonito que seu irmão mais velho. Alguns dizem que isso é detalhe bobo, com razão, mas quer saber? Eu sou um nerd superficial. E eu quero que meus consoles sejam estilisticamente atraentes. Aliás, não devo ser o único, senão a linha iPod não venderia tanto.

Os botões do DS Lite são mais responsivos por serem um pouco mais elevados do que os do DS original, dando a você uma resposta mais clara quando você os pressiona. O D-Pad do DS Lite é claramente superior, assim como a posição dos botões Power, Start e Select. Não sei o que a Nintendo estava pensando ao pôr esses botões tão próximos a outros que são usados o tempo todo durante os jogos, dando bastante oportunidades de acidentes, mas sei que alguém acordou pra realidade e mudou-os de lugar quando projetaram o Lite. A stylus do DS Lite é também mais grossa, o que deixa mais fácil e confortável de segurar, e o silo desta se localiza do lado da unidade, ao invés de atrás. Ou seja, é mais fácil puxar a canetinha pra fora durante os jogos, já que ela agora não fica obstruída pela tela superior do console.


Se liga na diferença de tamanho

Os LEDS que indicam que o DS está em uso tinham uma posição horrível na versão original; quando a tela superior está fechada, as luzinhas ficam semi escondidas. Ou seja, não é exatamente muito funcional ou bonito, dá idéia de um design desastrado, que não pensou em todas as possibilidades. A conexão entre a tela superior e inferior é meio estranha no DS antigo, parece que o troço pode quebrar a qualquer safanão. O DS Lite parece muito mais resistente. O microfone embutido do portátil foi movido do canto interior direito pro meio das telas, o que muitos concordam ser uma posição que faz mais sentido.

Admito, boa parte desses detalhes podem até passar batidos ou serem ignorados em prol da economia de, sei lá, uns cinquenta reais? Mas olhe novamente pra foto que compara a diferença de claridade entre os dois modelos. Você REALMENTE quer ver seus jogos daquela forma? Não vale a pena. Pode confiar em mim, não vale a pena. Tanto acredito nessa opinião que comprei um Lite apesar de possuir um DS original que funciona perfeitamente. Sério mesmo moçada, em comparação com o Lite, o DS original mais parece uma versão beta do console, aqueles protótipos que aparecem na E3 anos antes do console de verdade aparecer em prateleiras.

Assim como o PSP, o DS também possui um rádio wifi pra comunicação sem fio. A lista de jogos online do DS é consideravelmente menor do que a do PSP, mas esse número está aumentando paulatinamente com lançamentos de jogos que há anos imploravam por modos online, como o favoritíssimo Pokemon, em sabores Diamond ou Pearl.

E chegamos aos jogos, o que é o ponto principal da aparente preferência mundial pelo DS. Se eu fosse mini-resenhar todos os excelentes jogos que já estão disponíveis pro DS esse post dobraria de tamanho, então vou me ater a poucos. Pelo amor de deus não me encham o saco perguntando “cadê aquele jogo X sensacional que ganhou nota 40 na Famitsu?!?!?!?11111“. Não estou “esquecendo” nenhum jogo, estou propositalmente deixando a lista pequena por motivos de concisão e preguiça.


Elite Beat Agents
Como falei antes, EBA é como uma versão portátil de Pump It Up. Ao invés de passos desajeitados na frente de estranhos no shopping, você segue círculos e linhas na tela sensível a toque, de acordo com a batida da música. O jogo tem, sei lá, umas 40 músicas que abrangem tudo quando é gosto musical, desde Rolling Stones até Jamiroquai, passando por Madonna e Avril Lavigne. Apesar de boa parte delas ser de gosto musical duvidoso, o jogo é muito viciante. Só tenha o cuidado de usar fones de ouvido na fase com a música da Avril Lavigne, caso você esteja jogando num local público. Ou você correrá o risco de pensarem que você gosta da cantora.


New Super Mario Brothers
Uns trocentos anos após Super Mario Brothers dar as caras no Nintendinho, o encanador italiano mas na verdade japonês aparece em uma nova aventura 2D, trazendo de volta todos aqueles elementos surreais familiares que a gente cresceu vendo – canos, plantas piranhas, cogumelos, tartarugas goombas, etc e o caralho. A diferença é que é tudo 3D bonitinho agora, mas no formato de plataforma 2D que eu imaginava que Super Mario 64 seria. O jogo é uma revisitação totalmente foda do universo Mario Brothers, e é de compra obrigatória pra qualquer dono de DS. Especialmente pra mim, por motivos dolorosamente óbvios.


Mario Kart DS
Mario Kart é uma série que foi sucesso em todo console que apareceu. Deu certo no SNES, deu certo no N64, deu certo no GameCube, deu certo no GBA. Parece impossível esculhambar a fórmula, e a versão do DS confirma a tradição. Além de compilar pistas de TODOS os jogos da série, Mario Kart DS oferece uma porrada de personagens e carrinhos destraváveis e um inédito modo online. Outra compra obrigatória, não tem pra onde escapar.


Tetris DS
E já que estamos falando de fórmulas inestragáveis, como não mencionar Tetris DS? O Tetris original catapultou o Game Boy pros bolsos e mochilas de milhares de moleques catarrentos no comecinho dos anos 90, e Tetris DS fez o mesmo pro novo portátil da Nintendo. Além de ser enfeitados com temas referentes aos clássicos da Nintendo (músicas remasterizadas de jogos clássicos por exemplo), Tetris DS oferece uma porrada de modo de jogo e gameplay online.

Tetris online? É quase bom demais pra ser verdade, puta que pariu, vamos ser sinceros. Outra compra obrigatória.

(Talvez essa seja a hora de mencionar que a jogatina online do DS é totalmente de grátis, basta ter um router wireless que você já tá dentro da parada).


Clubhouse Games
Uma coletânea de QUARENTA E DOIS velhos mas eternos joguinhos como poker, boliche, dardos, sinuca, ludo, gamão, xadrez, damas… Ah, eu mencionei que cada um deles é jogável online?

Diz aí, é ou não é fácil entender por que essa porra tá vendendo como água no deserto? Sinceridade mermão.


Trauma Center
Trauma Center é mais um daqueles joguinhos que, apesar de já terem existido no passado (uma jujuba pra quem lembrar de Life and Death 1 e 2), não poderiam ter renascido em nenhuma outra plataforma senão o DS. Basicamente, é um jogo em que você faz cirurgias em neguim. E um jogo extremamente desafiador, o que é compreensível porque você está fazendo cirurgias em neguim. Ainda não tivemos a oportunidade de ouvir a opinião do DOC FHBD (nosso médico/benfeitor residente do fórum) a respeito do realismo do jogo, mas tem sangue pra caralho e eu imagino que essa parte eles retrataram com fidelidade.


Settlers (sem resenha porque o jogo ainda não foi lançado)
Settlers 2 portátil. Não sei se tá bom pra você, mas tá excelente pra mim. Há três jogos que foram jogados à exaustão durante minha infância e que formaram a pessoa que sou hoje – Super Mario World, Command and Conquer e Settlers. Dê uma olhada no layout desse blog; é fácil entender que qualquer jogo que participe do mesmo panteão que Super Mario World é alvo de minha devoção incondicional.

Aliás, no dia que a Eletronic Arts tirar o dedo do cu e começar a trabalhar num Command and Conquer DS, acho que serei a primeira pessoa no mundo a morrer graças a um orgasmo. Cruzemos os dedos todos juntos.


Cooking Mama
Cooking Mama é um joguinho literalmente adorável. É basicamente uma porrada de minigames que simulam as etapas de preparação de dezenas de receitas. E todas seguidas à regra, ou seja, de repente até você aprende a fazer uma muqueca de camarão.

Vou ser sincero e admitir que não é um daqueles jogaaaaaaaaaaaaaaços, mas é bastante viciante e é um bom exemplo do tipo de mercado que a Nintendo está tentando abocanhar – o mercado dos gamers casuais, do tipo que não sabe o que é Final Fantasy mas acharia o maior barato brincar de fazer comidinha na fila dos correios se tivesse a oportunidade. Só tome o cuidado de não deixar sua namorada ver o jogo, ou você nunca mais verá seu DS.

***
E vamos ficando por aqui. Há uma porrada de títulos que eu serei crucificado por não mencionar, como o remake de Final Fantasy 3, os dois novos episódios de Castlevania (Dawn of Sorrow e Portrait of Ruin, respectivamente), Zelda Phantom Hourglass (considerado pela mídia especializada como o melhor Zelda desde Ocarina of Time), o genial puzzle Meteos, e por aí vai. Bom, ao menos mencionei por alto agora.

E vamos ao que interessa – a pirataria. Burlar direitos autorais com o DS nunca foi tão fácil – tendo posse do M3 Simply (um aparelhinho que custa míseros 50 dólares), a única coisa que você precisa fazer é jogar ROMs de DS num cartãozinho microSD e acabou-se a história. Como já mencionei, jogos de DS são absurdamente minúsculos, o que garante que você terá adquirido toda a coleção de jogos AAA+ em uma noite só.

Devo ter esquecido um monte de coisa, então donos de DSs sintam-se à vontade pra apontar meus erros.

Bom, agora você sabe tudo ou quase tudo sobre os consoles da nova geração. Qual você escolheria?

julho 19, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Devido à minha recente empolgação com os intermináveis títulos de DS que agora tenho acesso gratuito, acabei fazendo bastante propaganda não-intencional do console, ao ponto de que pelo menos três leitores já estão agilizando as compras dos seus portáteis. Há vários outros também interessados, mas a decisão final está dependendo de uma análise cuidadosa do concorrente do DS, o PSP. As capacidades multimídia do portáril da Sony são bastante atraentes pra consumidores de um país em que não se pode manter muitos gadgets, então aquele que quebra mais galhos e desempenha mais funções acaba sendo o favorito. Por que comprar, digamos, um videogame portátil e um MP3 player quando eu posso comprar um que faz as duas coisas? Na prática a coisa acaba não sendo tão simples assim, mas isso é dos vários pontos que eu vou tocar mais tarde ao longo deste post.

Atendendo a diversos pedidos que datam do ano passado quando eu fiz aquele dossiê comparativo dos consoles next gen, aqui vai o Relatório HBD de Portáteis.

Por nenhum motivo em especial, vamos começar com o PSP.


O PSP é o primeiro portátil da gigante Sony e, como primeira empreitada no ramo, até que a Sony não se deu tão mal assim. Se você for ver o histórico de empresas que no passado tentaram desafiar a hegemonia da Nintendo no campo de videogames de bolso, encontrará apenas os cadáveres de aparelhos que não ofereciam nenhum tipo de desafio pros Game Boys.

O PSP é marketeado não apenas como um videogame, mas como uma potente central portátil de entretenimento. O console toca MP3, filmes (tanto em discos UMD como filmes em formato .mp4), visualiza imagens e acessa internet. Ah, e parece que roda jogos também.

No papel isso parece incrivelmente miraculoso, mas na prática a coisa é um pouco diferente. Pra começar, usar o PSP como mp3 player é incrivelmente “desconfortável”, por assim dizer. O aparelho é muito grande pra caber bem num bolso e as partes móveis internas são frágeis demais pra um aparelho como um mp3 player, que irá com você pra onde você for. O mesmo vale pra telona de cristal líquido do console – linda pra jogos e filmes, pra um imã de riscos em algo que sairá com você sempre que você pôr os pés fora de casa. Com essas ressalvas, o player do PSP é competente, com várias opções como playlists, suporte a WMA, navegação por pastas múltiplas pra organizar as músicas, etc etc e etecéteras.


O player de mp3 do PSP em ação
Há também o suporte a imagens. A telona de 480 por 272 do PSP é incrivelmente nítida pra mostrar fotografias, e embora não seja exatamente o tipo de uso que convencerá o gamer a comprar o console, é uma adição bacana. Afinal, a telona está lá, o espaço de armazenamento está lá. Por que não me deixar levar comigo fotos das viagens das últimas férias pra mostrar pra desconhecidos na fila do banco? Assim como o player de mp3, você pode separar suas imagens por pastas pra facilitar organização e pode até mesmo usar uma dessas imagens como papel de parede do console. Não é uma coisa essencial mas é legal.

Tem também o suporte a filmes. Como mencionei, o PSP roda os disquinhos de formato proprietário UMD…


…que tiveram o mesmo nível de sucesso que todas as outras mídias proprietárias da Sony (Mini Disk, Memory Stick, Betamax, etc), ou seja, nenhum. Parece que a Sony pensa que porque participou da “invenção” do CD, ela pode sair reinventando a roda cada vez que põe no mercado um aparelho que precisa de mídia. Como imaginado, o UMD acabou se tornando um formato praticamente defunto. É difícil achar lojas que ainda os vendam e eu estou apenas esperando o momento que os Walmarts da vida dirão “ahhh, foda-se” e colocarão diversos filmes em UMD em liquidação de fim de estoque por $1,99 pra eu poder fazer uma coleçãozinha legal. Até o momento, Snatch é o único filme que possuo.


Há também o navegador. O PSP vem equipado com um rádio wifi, ou seja, se você tiver um router wireless em casa, tá feito. Novamente, a imensa tela do PSP é um ponto forte do console. Eu sou acostumado a navegar a internet em aparelhos portáteis e as telas pequenas tornam a experiência quase insuportável, dependendo do site. A tela generosa do PSP deixa a coisa mais confortável, as páginas não precisam fazer contorcionismo pra caber direitinho no visor. O navegador do PSP está bem a frente de outros navegadores portáteis, com suporte a flash, java (yay, mandar scraps no orkut enquanto cago!), e outras bobagens.

Por último e não menos importante, os JOGOS. O PSP começou devagar, como todo console, e estava levando uma sura homérica do DS no departamento de jogos. Mas a Sony correu atrás do prejuízo, as third parties seguiram o exemplo e no momento o PSP já tem vários títulos que justificam a compra do console. Os mais bem cotados:


Crush
Um puzzle que usa uma mecânica muitíssimo curiosa – você precisa constantemente mudar a percepção do cenário entre 2D e 3D pra explorar o ambiente e chegar em áreas não atingíveis. É bem difícil entender o conceito do jogo apenas lendo a descrição, então veja esse vídeo.


Burnout Dominator
A versão portátil mais recente do clássico da Criterion. Se você conhece a série no PS2, já sabe o que esperar da versão portátil – velocidade estonteante, gráficos de lamber os beiços, modelos de carros imaginários (o que é um ponto fraco da série, estraçalhar uma Ferrari seria bem mais satisfatório) e, claro, batidas e capotadas espetaculares.

Não achei nenhuma boa screenshot 😦
Ratchet and Clank Size Matter
Eu nunca fui fã da série e não joguei nenhum dos episódios, mas segundo as resenhas especializadas o jogo é do caralho. Não é qualquer jogo que recebe nota 9 no IGN, né.


Metal Gear Solid Portable Ops
Idem ao jogo acima. Nunca senti tesão na série, e apesar de ter baixado a ISO do jogo, nem tive interesse de jogar. O jogo oferece uma storyline nova no universo da série, o que já vale a compra pros fãs do Snake ou sei lá qual o nome do personagem principal. Também há um modo online, o que é interessante.


Killzone: Liberation
Nas palavras dum resenhador do GameTrailers, “K:L é o jogo que todo desenvolvedor deveria passar algum tempo jogando antes de criar jogos de tiro pro PSP“. E não é por menos – o jogo é um shooter muito robusto, que dá dribles ao redor do problema de controle do PSP (especificamente, a falta de um segundo stick analógico), com gráficos e física muito realistas, inteligência artificial marcante e, como se isso não fosse o bastante, armas destraváveis, missões baixáveis (pelo próprio PSP) e vários modo de jogo online com suporte a voice chat.

Killzone Liberation é sem qualquer dúvida um dos melhores jogos do portátil. Uma resenha mais profunda do game aqui, escrita por este que vos fala. Er, este que vos escreve.


Grand Theft Auto Vice City Stories
Três palavras: Vice City Portátil.

Pronto. Não precisa falar mais nada.


Loco Roco
Loco Roco foi um dos primeiros jogos do PSP. O jogador controla o equilíbrio do cenário, usando os botões L e R, empurrando os Loco Rocos pra este lado ou aquele até chegar ao final do colorido labirinto que é a fase. Deu pra entender? Assim como Crush, Loco Roco é um daqueles jogos bem criativos que desafiam descrições. Ele também é extremamente viciante.


Tekken Dark Ressurection
Tekken portátil.

Precisa dizer mais alguma coisa? Não.


Field Commander
Já ouviu falar de Advance Wars, aquela série de estratégia turn based do GBA? Então, Field Commander é a MESMA COISA, mas com gráficos 3D, sons realistas e jogatina online. Ou seja, se você é como eu (que curte jogos de estratégia mas não suporta a apresentação tosca de Advance Wars), você vai adorar Field Commander. O jogo trás um modo multiplayer popular nos tempos de outrora mas quase morto atualmente, o Mail Play. Você loga no servidor, encontra um oponente, e faz a jogada. Aí você pode desconectar e viver sua vida. Amanhã você conecta de novo, loga no servidor, baixa a jogada do oponente, faz a sua, e desliga o videogame novamente. Tudo bem que a partida durará dezoito anos, mas é um formato bem conveniente praqueles que gostam de desafiar oponentes ao redor do mundo mas não têm muito tempo pra isso.


Mega Man Maverick Hunter X
Lembra de Megaman X, do SNES? Então, Maverick Hunter X é um remake daquele clássico, com gráficos 3D bonitosos, trilha sonora toda masterizada, e intros em FMV. Praqueles que não conheceram o clássico, MHX é um sidescroller/platformer muitíssimo competente, com bastante variedade de inimigos, powerups e fases. Ou seja, absolutamente imperdível mesmo se você não era um fã de Megaman.

E vou parando por aqui porque tou com preguiça de continuar fazendo essas mini resenhas dos jogos. Ou seja, o PSP já tem a essa altura do campeonato uma biblioteca invejável. Shooter online, puzzles, estratégia, corrida, há jogos pra todos os gostos.

E o ponto principal que motiva ou desmotiva a compra, pelo menos pros gamers brasileiros – e a pirataria? Pra poder acessar bilhões de ISOs de jogos de PSP no torrent mais próximo, você precisa modificar o firmware do seu PSP. Versões abaixo da 2.81 podem fazer isso precisando apenas de alguns arquivinhos no Memory Stick. Versões superiores necessitam do UMD original de Lumines, que é a propósito outro jogaço do console. O processo de mexer no firmware do console trás inerentes riscos; faça merda no processo e seu PSP se torna um peso de papel. Considerando o custo/benefício, o risco vale a pena. Até porque o índice de PSP brickados em downgrades é baixíssimo. Mais baixo até, eu arriscaria dizer, que o número de Xbox 360 fodidos por 3RL, que podem acontecer virtualmente a qualquer momento com qualquer console.

Uma vez que seu console está destravado, basta se equipar com um memory stick de pelo menos 2gb (ISOs de PSP variam entre 300mb e 1gb) e sair baixando os jogos do seu agrado. Após downgradear o console, você pode instalar uma versão custom dos firmwares mais recentes, que têm todas as novas funcionalidades mas ainda permitem rodar jogos piratas. Uma dessas funções totalmente delícia é a possibilidade de rodar jogos de PS1 no seu PSP. Eu tenho a impressão que isso, por si só, já motivaria muitos saudosistas a comprar o console e arriscar o downgrade. E falando em saudosismo, o PSP é capaz de emular NES, SNES, Mega Drive, Game Boy e já está começa a dar os primeiros passos na emulação de Nintendo 64. E emulação DECENTE, com savestates com direito a thumbnail da área onde você salvou o jogo, remapeamento de botões, opções de visualização, cheat codes, ou seja, TUDO.

Novamente, só isso já justificaria a compra do negócio. Imagina andar por aí com 200 ROMs de SNES e Mega Drive no bolso. Por quase três meses, tudo que eu joguei no meu PSP foi Super Mario World, Blackthorne, Zelda: A Link to the Past e Pitfall.

Resumão – o que era antes um saco de pancadas do DS em questão de vendas agora é um console competente, com funções bastante atraentes e uma coletânea de jogos que agrada qualquer tipo de gamer, especialmente se você puder hackear o seu console. Se eu tiver esquecido algum detalhe, donos de PSP, a caixa de comentários está aí.

Agora você conhece o PSP.

Amanhã você conhecerá a concorrência.

julho 16, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Um extraordinário evento recente me fez interromper a fabricação dos posts prometidos (assim como a preguiça de termina-los) pra trazer boas novas a todos os bons nerds dessa terra brasileira.


Lembra que eu comentei que compraria um DS Lite só pra comemorar o lançamento de Settlers DS? Então, eu não estava exagerando.
SIM SIM SIM SIM. A porra de Settlers DS, o jogo que mais me fez passar vergonha nessa vida. Cansei de passar por lojas de artigos eletrônicos/games e perguntar pros balconistas quando é que a porra do jogo sairia, apenas pra receber um “não sei, ó” dos mesmos vendedores, mês após mês. Settlers DS foi prometido em junho de 2006 pra novembro do mesmo ano, foi atrasado pra março, depois pra abril, depois pra julho, e finalmente agosto. Mas peraê, ainda não estamos em agosto. Como eu descolei o joguete, você me pergunta?

Eu recentemente criei coragem pra finalmente comprar meu M3 Simply. Pros leigos, M3 é um aparelhinho que à primeira vista parece um cartucho comum de DS, mas ele na verdade é um troço milagroso que permite rodar ROMs de DS no próprio console. O negócio tem um slot pra cartões microSD, e como eu já tinha um de 1gb dando sopa aqui em casa, bastou lotar a mídia de ROMs baixadas às pressas e pronto. A utilização do cartão é ultra simples – como o próprio nome sugere -: coloque ROMs no seu cartão microSD, enfie-o no M3, enfie este no DS, ligue e acabou-se.

As pirateações recentes desses consoles novos geralmente exigem que você fuce com o firmware do videogame e tal, num processo que pode resultar na destruição do seu brinquedo. Aí que entra outro ponto lindo do M3 Simply – ele não exige nenhum tipo de esforço nesse sentido. A parada é simples mesmo, “à prova de idiotas” como dizem os gringos. Se você tem um DS e ainda não tem um M3, você não sabe o mal que está fazendo a si mesmo. ROMs de DS tem no máximo 128mb e alguns jogos (como Mario 64 DS) cabem em parcos 15 megabytes. Como eles enfiaram aquele jogo em 15 mb eu não sei, mas aí está ele. Você tem idéia de quantos jogos você poderia baixar em um só dia? Eu sei quantos – oitenta e três. É jogo que não acaba mais. Procure um M3 na loja online mais próxima de você (o negócio custa apenas 40 dólares porra, é o preço de UM jogo) e faça esse favor a si mesmo.

Então, como o mundo da pirataria não é limitado por convenções bobas como tempo ou previsões de lançamento, os ráqueres arrumaram um cartucho de Settlers DS de alguma forma e puseram a ROM na internet pro bem geral dos nerds pobres e/ou impacientes.


Passei o dia hoje no trabalho fingindo mal estar e correndo pro banheiro pra jogar Settlers DS (até o momento que o calor da cidade combinado como calor do restaurante realmente me fizeram passar mal) e tirar minhas primeiras impressões. Logo de imediato foi difícil ser imparcial e honesto identificando defeitos do port, afinal de contas, é Settlers portátil, porra! O jogo que ocupou maior parte da minha infância nos longíquos anos 90! Mas após a segunda ou terceira hora de jogada, eu me recompus e pude analisar o jogo pelo que ele realmente é.

À primeira vista você percebe logo que a tela do DS é um pouco microscópica demais pra um jogo com um escopo tão grande como Settlers. Pra você ter uma noção da coisa, mesmo quando eu jogava no PC às vezes a minha cidade ficava tão grande e tão espalhada que organizar a logística dela se tornava cansativo e eu começava um novo jogo. Então, a telinha do DS exibiria um desafio, uma necessidade de mudar a forma como eu levava o passo do jogo.

Há um botão de zoom out, mas você não o usará porque ele torna o jogo, bem, injogável. O frame rate cai pra casa dos single digits e a resolução vai pra puta que pariu, boa sorte tentando clicar nos dois ou três pixels que antes eram um moinho ou uma fazenda. O lance é encarar o jogo no formato inicial mesmo.

Eu não sei explicar COMO, mas uma hora você se adapta à tela reduzida. Apenas um mínimo de paciência é requerido, e olha que você está lendo um texto escrito por alguém que detesta RPGs (eletrônicos, que deixe-se claro) porque há muita conversa e história. Ou seja, eu sou o cara mais impaciente do mundo.

Usando os direcionais você mexe o mapa por aí, levando-se aos locais onde atenção é necessária. A tela superior exibe os menus de opções e outras bobagens do tipo, e pressionando o L você troca a posição das telas, ou seja, o que antes ficava no LCD superior vai pra touch screen e pode ser manipulado. Funciona de uma forma extremamente intuitiva.


Até onde joguei a conversão está perfeita. Todas as unidades e construções estão lá. Há quatro “raças” diferentes, dois modos de campanha, e um modo “free play” (que é o meu favorito). Desgraçadamente não há um modo multiplayer, e eu jamais perdoarei a Ubisoft por isso. Com exceção da ausência da jogatina em grupo, o desafio de gerenciar a sua cidade (que tende a se tornar imensa) na tela pequena do DS é a única ressalva em relação ao jogo. O fato de que se trata de Settlers portátil vale a pena o desafio.

Tou de saída com a mulé pro Stampede, um mega evento local que é mais ou menos tão aguardado como o Carnaval aí embaixo, e se eu pudesse levar o DS pra jogar Settlers quando a mulher não estivesse prestando atenção sem que isso me fizesse correr o risco de dormir no sofá, eu levaria.

julho 14, 2007 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário